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Bystrica-Benfica, 0-3: Das alas para o meio até construir a goleada

OS EXTREMOS FORAM PARA A ZONA DOS PONTAS-DE-LANÇA E MARCARAM

Bystrica-Benfica, 0-3: Das alas para o meio até construir a goleada
Bystrica-Benfica, 0-3: Das alas para o meio até construir a goleada • Foto: Miguel Barreira
O Benfica resolveu de forma fácil e tranquila a eliminatória com o Dukla Bystrica em apenas um jogo. De facto, o 3-0 de ontem permite a Trapattoni dar minutos de competição a todos os habituais suplentes no jogo da segunda mão, no Estádio da Luz, e, pelo que se viu, estes eslovacos correm sérios riscos de voltarem a ser goleados, escolha o italiano o onze que escolher, dado tratar-se de uma equipa manifestamente mais fraca do que qualquer uma que actue na SuperLiga portuguesa.

Enquanto as pernas permitiram alimentar algum entusiasmo, a equipa do Dukla ainda colocou alguns problemas ao meio-campo encarnado, até pelo facto de ter ali mais unidades para trocar a bola, mas como a baliza de Moreira na primeira meia hora não passou por nenhum lance de perigo, os homens da Luz foram deixando cansar o adversário até ao momento em que este já não tinha capacidade nem para equilibrar o meio-campo. E depois de Moreira ter sido obrigado a fazer uma defesa mais apertada (36’), o Benfica colocou de pronto o Dukla em sentido, com o golo de Simão (38’).

Quem organiza?

Trapattoni, ao contrário do que anunciara na véspera, optou por dar minutos de competição a Nuno Gomes mas logo de início e não na segunda parte. Com isso, remeteu Zahovic para o banco. A consequência dessa decisão foi notória: o Benfica encostou a defesa contrária lá bem atrás, obrigou um dos avançados contrários a recuar para o meio-campo e com isso a dupla Luisão/Ricardo Rocha batia-se somente com um ponta-de-lança. Se nesse particular a estratégia resultou, já no que respeita à organização do jogo ofensivo da equipa portuguesa os dividendos foram fracos. Sem alguém que pegasse na bola na zona central e fizesse correr o jogo, sem a inspiração de Simão, e vendo João Pereira sem capacidade para romper, o Benfica viu-se obrigado a deixar correr o jogo de forma desgarrada e sem conseguir tirar partido da colocação de dois homens no ataque. Foi curioso ver que à passagem da meia hora, e farto de olhar para o jogo sem nele poder intervir, Simão passou a pisar o terreno na zona central, tentando partir daí para a área contrária em tabelas com os avançados. E foi mesmo dessa forma que inaugurou o marcador.

Sem reacção

Na segunda parte, e a perder por 0-1, o Dukla Bystrica nunca mostrou capacidade para tentar discutir o jogo. Mais: não ganhou um canto (conseguiu sete no primeiro tempo) e o único remate surgiu no minuto 85. Significativo.

Poupança

Sem acelerar, o Benfica passou a ser a única equipa em campo, porque só os seus jogadores tinham capacidade física para disputar as bolas. Mas, percebendo que a diferença de valores era enorme, os da Luz nunca exageraram, não levaram a partida para ritmos elevados, antes geriram o tempo e o esforço em função de terem o adversário controlado e uma partida para a SuperLiga, domingo, com grau de exigência bem mais elevado.

Quando Simão, novamente a tabelar com Sokota, fez o 2-0, o Dukla baixou os braços. Com os principais avançados a cumprir um jogo de castigo, o treinador sabia que nada podia fazer par alterar as coisas e até optou somente por uma substituição.

Trapattoni preparava a primeira alteração na equipa (resguardar Nuno Gomes, cuja actuação só serviu para ganhar algum ritmo, já que até esteve pouco em jogo) quando João Pereira, após grande passe de Simão, fez o 3-0. Os dois alas do Benfica haviam resolvido facilmente a partida (e a eliminatória) ao surgir na zona dos pontas-de-lança e ao fazer o trabalho que caberia a Sokota e Nuno Gomes. Mas como estes teimavam em não rematar, e como o Benfica como que recusava utilizar os corredores para atacar a área contrária, eles resolveram ir ao encontro do jogo em vez de esperar o que dele resultasse. E em boa hora o fizeram.

Se ao intervalo a formação portuguesa já tinha a noção de ter o serviço quase feito, após o golo de João Pereira ficou a certeza que na Luz apenas se cumprirá calendário. E ainda bem que o Benfica teve uma boa atitude perante o jogo, já que não estão muito distantes na nossa memória colectiva as “barracas” de equipas portuguesas, eliminadas por adversários sem cotação.

O Dukla Bystrica tinha o direito de sonhar com uma noite de “sobranceria” do Benfica. E de pensar que assim poderia “enganar” os portugueses. Mas a história foi outra.
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