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Caricatura do glorioso Benfica sofre humilhação em Vigo

NUNCA SOFRERA UMA DERROTA TÃO PESADA NA SUA HISTÓRIA NAS COMPETIÇÕES EUROPEIAS

Caricatura do glorioso Benfica sofre humilhação em Vigo
Caricatura do glorioso Benfica sofre humilhação em Vigo

O POLIDO e diplomático técnico do Celta, Victor Fernandez, dava conta na véspera do jogo dos seus receios do Benfica por causa do nome, do historial e da grandeza do clube, augurando uma eliminatória equilibrada. Não sei se o fez por mera cortesia ou se desconfiava da fragilidade confrangedora que o Benfica patenteara poucos dias antes, nas Antas, frente ao FC Porto. Era fartura a mais. Mas nem ele próprio, seguramente, imaginou nas suas cogitações mais optimistas sobre o jogo que o Benfica fosse um "torrãozinho de Alicante", prestes a ser "devorado" pela sua equipa.

Infelizmente, para o Benfica, o nome glorioso do clube e a sua história passada não "jogam" nas quatro linhas e os receios de Victor Fernandez e dos seus jogadores não tinham razão de ser. O Benfica actual é um "gigante" com pés de barro. Uma caricatura de equipa que saiu humilhada de Vigo e envergonhou os dez mil benfiquistas que ali se deslocaram movidos pela esperança na reparação da imagem deixada nas Antas, pelo entusiasmo e amor ao clube. O peso da derrota foi esmagador. Nunca o Benfica sofrera desaire tão pesado em competições europeias em toda a sua história. Um pesadelo! Havia alguma curiosidade em saber até que ponto a equipa encarnada teria, em poucos dias, capacidade para reagir à derrota nas Antas e à demonstração de superioridade do FC Porto. Era imperioso que a equipa adoptasse uma outra atitude e que fosse capaz de jogar ao seu melhor nível desta época para equilibrar a eliminatória com um adversário que lhe é superior quer colectivamente quer ao nível das suas individualidades. Se o Benfica nas Antas mostrou medo, segundo o seu treinador, no Estádio dos Balaídos entrou em pânico assim que sofreu o primeiro golo, num "penalty" estúpido cometido por Andrade. Houve jogadores que mostraram não ter nível nem estofo anímico para vestir a camisola encarnada. Um deles é Rojas, que justificou o nervosismo da equipa nas Antas fazendo uma analogia com o nervosismo de um jornalista português que fosse fazer um teste à BBC. Sintomático.

Até ao lance do "penalty" o Benfica estava a ser uma equipa tranquila, personalizada, a trocar bem a bola e a infundir respeito ao Celta. Os espanhóis revelavam alguma contenção nas subidas ao ataque. A primeira vez que o Celta criou perigo real, numa jogada de Karpin pela direita (o que ele fez a Rojas durante 54' foi cruel), Andrade, que vira um cartão um minuto antes, arrisca uma entrada proibida em plena área sobre Gustavo Lopez e provoca a grande penalidade. Foi o início do pesadelo e do descalabro total.

A equipa tremeu como um pudim flan, incapaz de segurar a bola, de articular uma jogada ligada, falhando passes laterais e cometendo erros infantis. E o Celta sob a batuta do seu pivot atacante, Mostovoi, o tal que não tinha nível para jogar no Benfica, começou a dar um festival de futebol.

Os golos foram-se sucedendo com naturalidade. O Benfica parecia uma equipa de juniores amedrontados. Calado ainda andou algum tempo a vigiar Mostovoi, mas quando este deu início ao seu reportório de técnica e criatividade nunca mais o segurou. Quando lhe caía em cima já era tarde -- a única forma de travar o russo é não lhe dar um palmo de terreno e jogar na antecipação, mas Calado não fez nada disso. Heynckes parece não ter levado na devida conta a valia individual de algumas das unidades mais influentes do Celta, a avaliar pela liberdade de movimentos que sempre desfrutaram.

O Benfica perdia todos os despiques individuais: Karpin sobre Rojas, Gustavo Lopez sobre Andrade, Turdó sempre mais lesto que Ronaldo e Paulo Madeira. Giovanella e Makelele, que meteu João Pinto no bolso, rompiam de trás para a frente em diagonais lançando o pânico na defesa encarnada. E o Benfica não conseguia sequer sair para o ataque. Kandaurov, sempre perdido em campo e sem um pingo de espírito de sacrifício, fez figura de corpo presente -- estar lá ou não a diferença era nula. João Pinto ainda tentou, mas Makelele não deixou e às tantas baixou também o braços. Nuno Gomes incomunicável lá na frente.

Eram os espanhóis a jogar, a dar espectáculo e a marcar golos perante o desacerto total do Benfica. Parecia uma equipa da III Divisão espanhola. O intervalo soou como um gong salvador, uma toalha branca atirada ao ringue. Na 2ª parte, Heynckes, sem soluções no banco, tirou Kandaurov e fez entrar Tahar para o meio-campo, o que diz bem do seu desespero. Bruno Basto e o inevitável Chano entrariam pouco depois. O Benfica ainda teve um assomo de inconformismo, mas ficou-se pelo assomo. Em quinze minutos, o Celta, com mais espaço face à subida do Benfica no campo, fez mais três golos e pôs a cereja em cima do bolo. Só aí perdeu a "gula"...

J.C.

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