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CSKA-Benfica, 2-0: Se havia mais equilíbrio onde é que ele esteve?

CRÓNICA

Na Luz é preciso um Benfica mais ambicioso e preciso, a jogar para passar. Este CSKA não é superior mas tem dois golos à melhor
CSKA-Benfica, 2-0: Se havia mais equilíbrio onde é que ele esteve? • Foto: Paulo César
O Benfica perdeu ontem, em Krasnodar, com o CSKA Moscovo e comprometeu seriamente as suas aspirações de continuar na Taça UEFA. Trapattoni enunciara na véspera dois objectivos para o jogo com os russos e nenhum deles foi cumprido. Não só a equipa portuguesa foi derrotada como não mostrou capacidade para marcar. Um fiasco.

Este foi o primeiro jogo decisivo de uma série de quatro e o Benfica não teve capacidade de resposta para o estímulo que lhe foi criado pelo treinador, quando disse que houvera crescimento e um ganho de equilíbrio, com a entrada de Nuno Assis. Face à exibição de ontem, afinal, o Benfica não foi a equipa em crescimento, mas o conjunto que fraquejou em jogos cruciais como o da pré-eliminatória da Liga dos Campeões, frente ao Anderlecht, e o da fase de grupos desta Taça UEFA, em Estugarda. Com uma diferença substancial.

Tanto belgas como alemães mostraram ser superiores ao Benfica que Trapattoni disse, na altura, não ter estrutura europeia; este CSKA , em ritmo de pré-época, quase a jogar a passo, era uma equipa perfeitamente ao alcance de um adversário que se tivesse apresentado em Krasnodar mais concentrado.

Táctico

Giovanni Trapattoni abriu o jogo para esta eliminatória não fazendo segredo acerca da equipa. Apostou no conjunto que defrontou o Sp. Braga, sem qualquer alteração específica do ponto de vista táctico. Os dois defesas centrais - a dupla Luisão/Alcides - teve grandes dificuldades em acertar na marcação a Vagner Love e acabou por comprometer. Alcides deu o primeiro sinal, logo aos três minutos, quando tentou fazer um passe e isolou o adversário. Os dois laterais começaram a dar muito terreno a Gusev (no caso de Dos Santos) e Daniel Carvalho (João Pereira), mas rectificaram e o brasileiro acabou por perder fulgor.

No meio-campo, tanto Manuel Fernandes como Petit começaram retraídos face à pressão de Aldonin e Rahimic, mas o abrandamento destes acabou por lhes permitir ganhar confiança, no que o Benfica ganhou em termos de controlo de jogo. Para além de posse de bola, a equipa de Trapattoni conseguiu dominar.

O treinador do CSKA apostou num 3x4x3 com algumas especificidades, o que lhe permitiu defender muitas vezes em 5x4x1. Face ao adiantamento de Simão, à esquerda, ou de Geovanni, à direita, recuavam os médios Odiah e Krasic, no apoio aos três defesas. Tinha a lição estudada.

Imprecisão

Na primeira parte, o Benfica começou por entregar o comando do marcador ao CSKA, fruto de uma hesitação da defesa, mas acabou por conseguir assumir o controlo do jogo com relativa facilidade, em virtude da falta de andamento dos russos. Criou quatro situações de golo, mas não concretizou qualquer delas e acabou por hipotecar aí a possibilidade de ganhar o jogo e, quiçá, a eliminatória.

Geovanni, por duas vezes, na sequência de um contra-ataque e depois de uma assistência de Nuno Gomes, falhou. O nº 21 também, em plena área. Mais tarde, num livre “à Camacho”, depois de um toque rasteiro de Petit, Simão rematou por cima. De resto, o capitão do Benfica esteve longe do homem decisivo de outros jogos e foi, provavelmente, quem mais sentiu a mudança da bola de jogo. Habituado à leveza e aos efeitos da Roteiro, esta Umbro parecia pesar chumbo, nunca lhe permitindo remates precisos.

As mudanças operadas por Trapattoni também não colheram efeito. A saída de Nuno Assis para a entrada de Karadas obrigou a desfazer o 4x2x3x1 para o tornar no 4x4x2 que esta equipa do Benfica demonstrou não saber interpretar exactamente por falta de… intérpretes. A bola não chega a Karadas porque não há quem lha faça chegar. Já a entrada de Mantorras foi mais frutuosa, por ser um jogador que gosta e sabe ter a bola no pé, o que permite ao Benfica subir mais.

Mas, ao contrário da primeira parte, na segunda não houve oportunidades e as possibilidades do Benfica foram-se esvaindo face ao CSKA com uma vantagem construída num golpe de contra-ataque de Vagner Love. Na Luz, só um super Benfica poderá dar a volta a esta eliminatória, um Benfica que possa pelo menos marcar os golos que lhe faltaram ontem.

Árbitro

A. DAN TUDOR (3). Um trabalho de média qualidade, com alguns lances mal avaliados do ponto de vista técnico. Rigoroso em matéria disciplinar não permitiu que os jogadores se excedessem.
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