Record

Estugarda-Benfica, 3-0: Águias muito ingénuas esqueceram a cabeça

AUSÊNCIAS DE MIGUEL E PETIT IMPOSSÍVEIS DE REMEDIAR NA EUROPA

Falhas clamorosas no jogo aéreo comprometeram o resultado num jogo importante para "medir o pulso" à equipa
Estugarda-Benfica, 3-0: Águias muito ingénuas esqueceram a cabeça • Foto: Pedro Ferreira
O Benfica perdeu de forma inapelável um jogo importante, na medida em que estava em questão a avaliação daquilo que é legítimo esperar desta equipa que, apesar de já ter algum tempo de maturação, ainda se encontra em formação, como não se cansa de repetir o técnico Giovanni Trapattoni.

Por que razão perdeu o Benfica? Exactamente por ter acusado os defeitos que o treinador apontara na véspera: ingenuidade e pouca cabeça. Neste caso, o segundo defeito foi mesmo literal. Os encarnados falharam redondamente no jogo aéreo e isso foi fatal, perante uma equipa que dispõe de um ponta-de-lança poderoso (Kuranyi) e tem a movimentação dos médios para aproveitarem os espaços criados por ele bastante rotinada.

Sem estatuto

O jogo de ontem deixou à vista várias deficiências na formação de Trapattoni. Falemos apenas das duas que mais contribuíram para a derrota em Estugarda: 1.ª Ver o Benfica com Petit é uma coisa, com Paulo Almeida é como se jogasse com menos um; 2.ª Ver o Benfica com Miguel é ter a certeza de que a equipa vai atacar e incomodar qualquer adversário, com Amoreirinha é um convite ao... sofrimento.

Defesa desfeita

Convenhamos, com estas duas baixas, a missão deste Benfica (que voltou a demonstrar que está a milhas de se aproximar de um estatuto internacional respeitável) em Estugarda era muito difícil. Se juntarmos às dificuldades prévias a lesão prematura de Ricardo Rocha, o menos mau do sector defensivo, percebe-se que só por milagre o resultado não descambaria, como acabou por descambar.

As coisas até nem começaram muito mal. Mas, depois de assentar o jogo, o Estugarda conseguiu supremacia na linha intermediária e passou a impedir os rasgos de Geovanni e Simão, que iam colocando algumas dificuldades à defensiva alemã.

Paulo Almeida era o homem em maiores dificuldades, pois as combinações de Soldo com Heldt fluíam, complicando a vida a Amoreirinha que, só por si, estava atrapalhado para acertar os seus tempos de entrada e colocação.

Recuo

Foi com o recuo de Geovanni que o Benfica conseguiu melhorar bastante a sua produção ofensiva. O brasileiro pegou no jogo e, a meio da primeira parte, os encarnados mostraram algum futebol, com aberturas rápidas para as alas. O problema residiu nos cruzamentos (sobretudo de João Pereira) e na incompreensão de Dos Santos e Nuno Gomes relativamente às iniciativas de Simão, bastante vigiado e necessitado de alguém para dar seguimento aos lances.

Quem não marca...

Como muitas vezes acontece, o Benfica sofreu o primeiro golo pouco depois de ter desperdiçado duas boas oportunidades, uma delas mesmo clamorosa, (aos 23') com Simão, desmarcado por Nuno Gomes (aproveitou um erro de Soldo), a ultrapassar o guarda-redes e a servir João Pereira, que rematou à figura.

No melhor momento dos encarnados veio o primeiro golo, resultado de alguma displicência e desconcentração. E, então, faltou uma reacção convincente, apesar de o próprio Luisão ter sido visto junto à bandeirola de canto.

Morte

O segundo golo, aos 8 minutos da segunda parte, assassinou as aspirações de Trapattoni que, gasta a substituição de Ricardo Rocha, não mexeu na equipa ao intervalo. Só depois do prejuízo maior lançou um Karadas apostado em rematar muito.

A saída de João Pereira implicou o desvio de Geovanni para a direita e libertou Manuel Fernandes para o comando das operações. Voltou a ver-se um pouco de Benfica e o jovem médio podia mesmo ter feito um golo fabuloso, que os muitos emigrantes e até os alemães gostavam de ter visto. O remate de 40 e tal metros embateu no poste mas foi aplaudido.

O problema desta mexida é que Amoreirinha passou a ser ainda mais massacrado, pelo que Trapattoni teve de voltar a retocar a ala direita (entrou Bruno Aguiar por sacrifício de Nuno Gomes), deslocando novamente Geovanni para o centro.

Com vantagem confortável, a boa organização do Estugarda fez o resto. O terceiro golo surgiu com naturalidade e novamente de cabeça. O que mais faltou ao Benfica (pode dizer-se) de recurso. Mais uma derrota das águias na Alemanha para o rol e a esperança de Trap em voltar a contar com Petit e Miguel. É imperioso.

Árbitro

Bertrand Layec (4). Boa arbitragem do francês, seguro nas decisões e a acompanhar bem os lances. Muito bem no capítulo disciplinar, apenas não foi rigoroso no lance em que Luisão dá um "chega-pra-lá". Mas até, esse perdão se aceita. Não foi, nem de longe nem de perto por causa da arbitragem que o Benfica fez uma das mais pálidas exibições da época.
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Liga Europa

Notícias

Notícias Mais Vistas

M