José Mourinho: «Senti logo que o jogo estava ganho»

Confidenciou a Record a primeira sensação e adivinhou desfecho diante do Ajax

• Foto: Reuters

Jorge Valdano cruzou a sala de conferências de Imprensa do Friends Arena poucos minutos antes da chegada de José Mourinho. Porque no ar ficou algum odor estranho ou por qualquer outra razão (e o mais certo é que Mou nem tenha tido conhecimento da presença do seu inimigo de estimação), o treinador português não tardou a criticar os poetas do futebol, em contraponto com a humildade que caracteriza o seu comportamento para chegar às vitórias, ao reconhecimento universal e aos títulos. Nos breves instantes em que esteve com Record, Mourinho não escondeu a felicidade que o percorria da cabeça aos pés. Disse então que "não deu para ter medo de que alguma coisa de anormal pudesse acontecer"; mais do que isso, "senti logo que o jogo estava ganho". Aliás, "mal cheguei ao banco e decorreram os primeiros instantes tive a certeza absoluta de que íamos vencer", especificou com um sorriso estampado no rosto. A superioridade do Man. United foi, de facto, muito clara – "uma vitória sem espinhas, diria até que fácil" na opinião do Special One. Não foi preciso escrever poemas magistrais ou recorrer a qualquer outra expressão de arte; bastou jogar futebol.

Nos primeiros dias de outubro de 2002, na Polónia, no arranque da Taça UEFA que havia de ganhar pelo FC Porto ao Celtic, em Sevilha, Mourinho desvalorizara o facto de, por vezes, ficar no banco e raramente se levantar para dar instruções. Explicou, então, que "isso acontece quando não sinto necessidade de intervir", referindo tratar-se "de um bom sinal". Ontem foi isso que aconteceu na maior parte do tempo, de tal modo que o primeiro golo o apanhou sentado no seu lugar e de sentado ter permanecido.

Adjunto cúmplice

Rui Faria não destoava do clima de festa, apesar de não entrar em euforias: "As sensações são iguais às do primeiro dia: tensão, ansiedade, vontade de ganhar, sentimento de dever cumprido." Para o adjunto de Mou, "o segredo da parceria é o trabalho, a capacidade para discutir e partilhar ideias acompanhada pela eterna ambição que nos move". O resto é "acreditar no processo e não pensarmos que, um dia, isto vai chegar ao fim".

A convivência entre ambos caminha para as duas décadas. Rui Faria explica: "Importante é conhecer o líder, a sua personalidade e o que ele pretende de cada um de nós. É muito fácil formarmos uma equipa coesa. Para isso, basta que tenhamos o mesmo nível de exigência do líder. Se o espírito se mantiver, continuaremos a fazer bem, mais e melhor ainda." Sobre a dificuldade do trabalho no Manchester United, começou por salientar que "a culpa é nossa, porque aceitamos grandes clubes em momentos delicados da sua história", embora isso sirva de motivação, até porque "oferecem-nos muita coisa mas nunca nos querem dar muito tempo para atingir os objetivos".

Silvino em cima do atentado

Quem não cabia em si de contente era Silvino Louro. O velho colaborador de José Mourinho foi dos que mais sentiram a tragédia de Manchester que ensombrou a final de Estocolmo, de tal modo que demorou um pouco a ultrapassar os efeitos seguintes ao atentado. Silvino mora a cerca de 200 metros da Arena de Manchester, na parte sul da cidade, e sentiu um estrondo monumental que lhe fez estremecer a casa. Sem ter percebido logo o que sucedera, tomou conta das dimensões pouco depois ao ouvir o barulho das dezenas e dezenas de ambulâncias e carros da polícia que se encaminharam para o local. O resto foi estar atento aos noticiários para perceber com precisão o que se passara. Um grande susto.

Por Rui Dias
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