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Quique Flores: «Repudiamos o que fizemos aqui»

CRITICA ATITUDE DA EQUIPA APÓS SOFRER O GOLO

– Assume as responsabilidades desta derrota e da imagem do Benfica na UEFA?
– Eu tenho toda responsabilidade. Responsabilizo-me por tudo. Fizemos uma competição muito fraca, nada parecido do que fizemos com o Nápoles que nos deu muito orgulho. Depois do Galatasaray nada do que fizemos nos transmitiu boas sensações. Não quero entrar em detalhes futebolísticos para não entrar em desculpas. Estou aqui para trabalhar e para dar a cara. Não vou esconder-me nos momentos difíceis.

– Que tipo de discurso vai ter agora para os seus jogadores?
– Na competição mais difícil, na que mais prémios pode dar ao Benfica, estamos bem. Mas, em todo o caso, o discurso para os jogadores é de que procuramos futebolistas desafiadores, que queiram reivindicar-se constantemente. Hoje não me conformo, não pelo resultado. Não me conformo com a situação depois do golo. Podemos ter mais ou menos intenção, falhar mais ou menos, agora não podemos é ficar conformados quando sofremos um golo. Os jogadores sabem qual é o meu discurso e podem segui-lo ou não. Encontramo-nos na posição de poder escolher os elementos que nos transmitam o que procuramos.

– Insatisfeito com jogadores?
– O que se passou nos últimos 10’ retrata a história recente do Benfica. Não estou aqui para a repetir. Vim para aqui para mudar o que aconteceu ultimamente, para dar alegria e combater a inércia. Não me quero conformar, nem estou com essa disposição, é impensável!

– Luís Filipe Vieira disse que o investimento requer retorno. Sente-se pressionado?
– Não é pressão. É a lógica. Quando se vê os últimos anos e se compara com a história do Benfica, temos que fazer melhor, aceitar o desafio e mudar a dinâmica. E estou aqui para isso. Não quero comodismo. Quero lembrar as pessoas de que estão aqui a trabalhar e para quem trabalham e que trabalham, também, para os adeptos. Ando de cabeça erguida, não gosto andar de cabeça baixa e pedir desculpa. Trabalho muito para ter a cabeça erguida.

– Há jogadores que perderam oportunidade de mostrar-se?
– Falo do colectivo. Temos uma análise mais colectiva e abrangente.

– Qual a causa para as oscilações do Benfica?
– Sinceramente, creio que na Liga há pouco a discutir. Na Taça de Portugal saímos de uma forma digna e a UEFA retrata a pior versão do Benfica. Não podemos deixar que esta campanha intoxique o que de melhor fizemos no Benfica. Esta Taça UEFA encarna tudo o que de pior se fez nos últimos anos. Sabemos que Benfica queremos e sabemos que Benfica repudiamos... E repudiamos este.

– Porque não fez alinhar a equipa mais forte?
– Sou realista. Temos que decidir e ter a melhor versão do Benfica para segunda-feira, para que dêem o máximo rendimento na competição em que estamos melhor, a que aspiramos. Sabíamos que a Taça UEFA estava praticamente perdida.

– Este é o pior momento desde que está no Benfica?
– Sim. Fiquei muito surpreendido com os últimos dez minutos. Temos que reivindicar perante a dificuldade. É essa a atitude que queremos. Mas isto resume o que foi a nossa competição. Não esperava os primeiros vinte minutos na Grécia e também não estava à espera dos últimos 30 com o Galatasaray. Foram momentos muito fracos. Não me conformo com a ideia “não se passa nada, amanhã é outro dia.” Claro que se passa! Somos privilegiados, temos uma excelente profissão, fazemos o que gostamos e temos obrigações de saber transmitir isso. Podemos fazer melhor ou pior, mas temos de transmitir vontade. Temos referências boas – Nápoles, Sporting, FC Porto, Académica ou Vitória de Guimarães – e não me conformo com passos atrás e estou aqui para impedi-los. Vamos para a frente e se tivermos que mudar a velocidade, mudaremos.

– Houve lenços brancos...
– Não os vi... Os adeptos que vieram são valentes e merecem todos os elogios. A aspiração de conseguir o objectivo era mínima. Peço-lhes desculpa pelo que aconteceu

– O que tem a dizer da ineficácia ofensiva?
– Desde o jogo com o Marítimo ficámos dois jogos sem marcar... É impensável ver o número de golos que os nossos avançados têm para depois ficarmos em branco em dois jogos. Mas prefiro não falar muito. E não quero dar a sensação que procuramos desculpas. Repudiamos o que fizemos.
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