"África está em grande festa. Inicia-se mais uma edição da Taça das Nações Africanas, que desta vez se disputa em Angola. 2010 marcará o ano de grande afirmação para África na estrutura do futebol mundial, uma vez que depois da CAN, será altura do Mundial FIFA se instalar também no território, mais especificamente na África do Sul, para um certame que se espera pleno da contagiante alegria a que os africanos nos habituaram e, de preferência, com uma demonstração cabal de que também eles são capazes de organizar as grandes provas, algo em que muitos não acreditaram durante muito tempo.
Luanda vai ser o palco do encontro inaugural de uma prova onde algumas das maiores estrelas do futebol mundial vão mostrar argumentos e digladiar-se pelo ceptro de campeão, atualmente pertença do Egito. Drogba, Eto'o, os irmãos Touré, Adebayor, Essien, Manucho, Eboué e Kalou são apenas alguns dos craques cintilantes que vão marcar presença no torneio, mostrando que, de facto, África é um dos continentes que mais ‘produz' no mercado do desporto-rei. Agora á altura de provar que, para além de criar talentos, os africanos também sabem estar do outro lado da barricada, nos bastidores, a organizar grandes eventos."
Estas eram as linhas que tinha preparadas para ocupar este espaço de lançamento da CAN'2010. Contudo, os acontecimentos ocorridos com a comitiva do Togo não permitem que, neste momento, as palavras sejam agradáveis ou de esperança no futuro. Um ataque bélico da envergadura daquele que manchou o dia de sexta-feira, com laivos claros de terrorismo, não pode acontecer num território que recebe um certame desta categoria. É necessário que os responsáveis pelo futebol mundial, neste caso a FIFA, façam deste acontecimento um exemplo de rigidez e pulso firme no que diz respeito às regras de segurança que devem basear uma Taça das Nações Africanas.
É certo que se tratou de algo inesperado e que não deve ser misturado com aqueles que durante anos estiveram a preparar Angola para receber a importante prova. Contudo, parece-me que apesar dos acessos, infraestruturas e toda uma série de aspectos determinantes para ao bom desenrolar do evento estarem concluídos da melhor forma, o cartão de visita nunca poderá ser feito com mortos e ataques terroristas. Dê por onde der, seja ou não anulada a competição, a verdade é que já pouco interessa quem vai erguer o ceptro de campeão, porque há vidas humanas a lamentar e um sentimento de intranquilidade que nunca, mas nunca, pode estar presente no fenómeno desportivo.
Por tudo isto, neste momento, não há muito mais a dizer, a não ser que se espera que toda a prova decorra sem problemas de maior. E, neste momento, com muita sinceridade, não acredito nisso... A CAN'2010 acabou antes de começar...
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