A retirada do título da Taça das Nações Africanas ao Senegal, que bateu na final Marrocos (1-0), anunciada na terça-feira pela Confederação Africana de Futebol (CAF), foi aplaudida pela federação marroquina.
"Na sequência da decisão proferida pela Comissão de Apelo da CAF, a Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) deseja saudar uma decisão que vai no sentido do respeito pelas regras e da estabilidade necessária ao bom desenrolar das competições internacionais", lê-se no comunicado de imprensa lançado pela entidade.
O jogo decisivo de 18 de janeiro, em Rabat, contou com muita polémica, devido aos incidentes que ocorreram, nomeadamente o facto de os jogadores senegaleses terem chegado a abandonar o relvado.
"Desde os primeiros incidentes que levaram à interrupção do jogo, a FRMF manifestou e reiterou constantemente o seu pedido: a aplicação rigorosa do regulamento que rege a competição. A iniciaitiva tomada nunca teve, portanto, como objetivo contestar o desempenho desportivo das equipas, mas apenas exigir o respeito pelas regras", vincou a federação marroquina.
Do lado de Marrocos, que sublinhou que esta sua posição surge na sequência de uma primeira decisão da qual a FRMF tinha interposto recurso, foi considerado que, com a recente decisão, a CAF reconhece atualmente que a regra, "conhecida por todos e aplicável a todos, não tinha sido respeitada" neste caso.
"A FRMF respeitou, em todas as circunstâncias, as regras específicas do regulamento de resolução de litígios relacionados com as competições em conformidade com a lei. Apresentou as suas alegações, participou nas audiências para as quais foi convidada e empenhou-se em respeitar os seus direitos e as regras que garantem o bom desenrolar das competições", assinalou a entidade.
E acrescentou: "Esta decisão contribui para esclarecer o regime aplicável a situações semelhantes e reforçar a coerência e a credibilidade das competições internacionais, em particular do futebol africano".
Além disso, a federação marroquina, afirmou que vai continuar "a defender a aplicação estrita e equitativa das regras que regem as competições em que participa, perante as instâncias continentais e internacionais", e que "tenciona olhar com serenidade para os próximos eventos, entre os quais se desctacam o Campeonato do Mundo e a CAN feminina, previstos para este verão".
A FRMF terminou o comunicado a "saudar, mais uma vez, todas as nações que participaram nesta edição da CAN, que constitui um momento marcante para o futebol africano".
Na final que opôs Marrocos e o Senegal, já nos descontos do tempo regulamentar, os jogadores senegaleses saíram para os balneários, em protesto pela marcação de uma grande penalidade a favorecer Marrocos, mas que o marroquino Brahim Díaz (que atua no Real Madrid) acabaria por falhar.
No prolongamento, foi o Senegal a adiantar-se no marcador, com Pape Gueye a marcar o único tento do encontro e a conseguir que os senegaleses alcançassem algo raro em 35 edições da prova, ao vencer a final frente ao anfitrião.
A CAF puniu agora o Senegal com uma derrota por 3-0, entregando o título a Marrocos, mas já tinha punido o selecionador senegalês Pape Thiaw com uma suspensão de cinco jogos e as duas federações com elevadas multas pecuniárias.
Perante toda a situação, a Federação do Senegal afirmou já hoje que vai recorrer para o Tribunal Arbitral do Desporto, em Lausana, e o governo quer uma investigação internacional, além de afirmar que também recorrerá para os tribunais internacionais.
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