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Hoje, é um dia histórico para o futebol lusófono. O confronto entre Angola e Cabo Verde na CAN’2013 torna a língua portuguesa como a mais falada na África do Sul, pelo menos durante 90 minutos.
Para apimentar o duelo, o embate é decisivo, já que as duas seleções ainda têm possibilidades de seguir em frente na prova. Ao contrários dos Tubarões Azuis, que se estreiam na competição, para os Palancas Negras a Taça das Nações Africanas não é propriamente uma novidade. Record voltou atrás no tempo e falou com Wilson. Afinal de contas, o defesa, nascido em Luanda há 43 anos, fez parte do grupo de Angola que, em 1996, participou pela primeira vez na CAN. Curiosamente, uma edição também realizada na África do Sul. Dessa vez, não passaram da 1.ª fase.
Dezassete anos depois, Wilson já não é jogador – virou treinador, tendo passado pelo Nazarenos –, mas continua a olhar com atenção para o percurso de Angola. E, naturalmente, acredita que o seu país pode ter um desfecho feliz. “Com todo o respeito por Cabo Verde, acredito que Angola, se for igual a si própria, pode passar aos quartos-de-final. Espero um bom jogo e, da minha parte, que vença Angola. É preciso estar alerta porque os cabo-verdianos mostram vontade de fazer história”, atirou.
Cautela
Todo o cuidado é pouco, até porque Cabo Verde não se atemorizou com a estreia: em dois jogos, somou dois empates, frente à anfitriã África do Sul e Marrocos. “Cabo Verde tem sido uma agradável surpresa”, constatou o agora treinador. Tem sido para muitos, mas não assim tanto para Wilson. “Não me espanta porque a maioria dos jogadores cabo-verdianos alinham fora do seu país, muitos deles em Portugal, o que faz com que tenham evoluído bastante”, explicou o o antigo defesa que se notabilizou ao serviço do Belenenses.
“São futebolistas de qualidade, humildes e trabalhadores, tais como os de Angola”, rematou Wilson, um pouco desiludido com a campanha dos Palancas Negras. “Esperava que, nesta altura, tivesse 3 ou 4 pontos”, frisou o ex-internacional angolano.
E entre estes países lusófonos existe espaço para a rivalidade? “Há do ponto de vista futebolístico, até porque Cabo Verde tem aparecido no panorama internacional”, concluiu.
Carlos acredita no triunfo dos Palancas Negras
Carlos, guarda-redes que defendeu a baliza de Angola na CAN’2010, tem acompanhado a competição e pede uma reação aos Palancas Negras depois da pobre exibição frente a África do Sul.
“Neste momento, estou um pouco triste com o resultado e desempenho de Angola no jogo com a África do Sul. No primeiro desafio, frente a Marrocos, podíamos ter ganho. Espero que Angola ganhe a Cabo Verde, embora esteja do outro lado uma boa equipa e estreante numa fase final. Mas, como é lógico, torço por Angola, que é o país que represento com muito orgulho”, afirmou o recente reforço do Feirense, da Liga de Honra. Carlos destacou ainda o interesse do jogo “por ter muitos jogadores que atuam em Portugal”.
O QUE É POSSÍVEL ESPERAR DO JOGO?
Há argumentos
Para o povo de Cabo Verde, é um orgulho a forma como a seleção está a competir. Temos dois empates e, em ambos os jogos, ficou a sensação que merecíamos vencer. Consideramos Angola um povo irmão e confraternizamos com eles, logo, queríamos que ambas as equipas passassem.
Entendemos que Angola tem algum favoritismo mas sabemos que somos capazes, temos uma equipa jovem e ambiciosa, que tem argumentos para contrariarmos a força do nosso adversário de hoje.
Simão Rodrigues - Jornalista da Inforpress (Cabo Verde)
Mais esperança
Depois do empate que Cabo Verde impôs à África do Sul, as esperanças de Angola aumentaram. Curiosamente, as duas nações estiveram sempre bem uma contra a outra. Pensa-se que Cabo Verde, como estreante, não terá grandes hipóteses de se apurar, de fazer tremer o adversário seguinte.
Acredito que errar uma vez e, até, uma segunda pode ser normal. Mas não acredito que Angola falhe uma terceira. Mas, terá de melhorar para conseguir bater Cabo Verde.
Geraldo Quiala - Jornalista do Angola Press