João Pinto: «Estou arrependido do que fiz»
"Obviamente que estou arrependido do que fiz". A confissão é de João Pinto e foi prestada em entrevista concedida ontem à Sport TV. Foi a primeira vez que o dianteiro abordou a agressão ao árbitro Angel Sanchez no decorrer do Portugal-Coreia da fase final do Mundial de 2002.
Apesar disso, recusa dizer "se foi agressão ou não", preferindo deixar para o público uma opinião. "As pessoas são livres de pensar o que quiserem. Arrependi-me do acto, mas não vou morrer por aí."
Desde o castigo aplicado ao sportinguista até hoje decorreu um longo processo, que culminou nas recentes declarações do próprio João Pinto de que alguém devia ter assumido o seu afastamento. O médio leonino não se escusou a abordar o referido processo.
Começando pelo período imediatamente a seguir ao Mundial, que antecedeu a sentença que determinou o seu afastamento dos relvados durante quatro meses, João Pinto referiu: "Quando cheguei ao tribunal da FIFA, a primeira coisa que me fizeram foi colocarem-me uma carta do presidente do Conselho de Arbitragem, creio eu, a pedir um castigo exemplar. Foi isso que me magoou mais, dando a entender que queriam que eu deixasse de jogar futebol", afirmou para, de seguida, lembrar quem esteve do seu lado. "Sei o que o Sporting fez. Esteve do meu lado, tal como a FPF através de João Rodrigues, que foi incansável. Não posso deixar de agradecer, ainda, ao major [Valentim Loureiro] pela atitude que teve e pela forma como me defendeu. Foi fundamental, lutando contra tudo e todos."
As informações de Figo
Recentemente, Figo disse possuir informações que visavam o seu próprio afastamento da Selecção e o de outros elementos, entre os quais João Pinto. Este não coloca em causa as afirmações do colega. "O Figo é muito sério e grande profissional e foi também criticado no Mundial. Se o disse é porque possui essas informações. Nós temos a nossa opinião, mas por vezes não a podemos dizer e muito menos quando se aproxima o Europeu e a Selecção necessita de estabilidade", frisa.
Concretamente acerca do seu afastamento, João Pinto deixa claro nada ter "contra Scolari", sublinhando a concluir: "Não quero fazer disto um cavalo de batalha. Preferia que alguém assumisse e me dissesse que não tinha condições para representar o País a partir do momento em que fui expulso. Fui um jogador que estive 15 anos na Selecção e conto 81 internacionalizações. Por isso, o processo devia ter decorrido de outra forma, mas a vida continua."
«Gostava de ser chamado à selecção»
João Pinto mostra tristeza pela forma como foi afastado da Selecção, chegando a dizer que "deu a sensação de ter perdido o valor". E se fosse convocado? "Não sei se recusaria ou não, mas obviamente que gostava de ser chamado de novo. Não me passa pela cabeça, até pelo ambiente que se criou em meu redor, tal como aconteceu com Vítor Baía. As pessoas estariam à espera de uma falha para comentar. No entanto, somos experientes e teríamos de ultrapassar a situação."
«Gostava de acabar no Sporting»
João Vieira Pinto disse, ainda na entrevista concedida à Sport TV sentir-se "muito bem" em Alvalade e manifestou a vontade de terminar a carreira ao serviço do seu actual clube. Falta, porém, ultrapassar todo um processo tendente à renovação, o qual está, por enquanto, em estado embrionário.
"Gostava e penso terminar a minha carreira no Sporting", sublinha o jogador leonino que, quando questionado em relação à prorrogação do vínculo contratual bem como a cedência em relação a algumas regalias que possui actualmente, faz depender a sua continuidade das negociações que vão, com certeza, ocorrer lá mais para o final da época.
"Tudo tem a ver com o rendimento de cada jogador, factor que é fundamental no meio disto tudo. Se o Sporting considerar que o meu rendimento é o mesmo de há dois anos, não tem de entrar por aí. Caso contrário, irá falar comigo. Podem acontecer imensas coisas e ninguém me diz que não faço uma boa época no próximo ano."
De qualquer forma, João Pinto frisa que não está "minimamente preocupado", prevendo, inclusivamente, que o processo negocial vai decorrer sem problemas, sustentando a sua opinião no bom relacionamento que tem com a administração da SAD. "Creio que tudo vai correr bem, porque o meu relacionamento com o clube tem sido transparente e honesto. Estivemos sempre em sintonia. Tenho 32 anos e não sei o que pensa o Sporting. Já tivemos alguns contactos no início da época e entendemo-nos bem."