S. Conceição: «Ganhar espaço na selecção foi a minha grande vitória»
Há meia dúzia de anos jogava no Felgueiras, etapa de um percurso que já tinha deixado rasto em Coimbra, Penafiel e Leça. Agora ao serviço de um dos maiores clubes do Mundo, na grande constelação do "calcio", Sérgio saboreia o presente sem perder o hábito de olhar para trás. E na hora de reunir a família, para cumprir o que falta rumo ao Mundial de 2002, define aquela que é afinal a sua grande paixão futebolística
Milão – Traz consigo, permanentemente, todas as recordações de uma vida, como se os dados pertencessem ao disco rígido de um computador imaginário que o acompanha para toda a parte. Porque nem sempre viveu num mar de rosas, sabe dar valor ao que o futebol lhe deu, naquele percurso ascendente que o trouxe de Coimbra até Milão, com passagens por Penafiel, Leça, Porto, Roma e Parma. Sérgio Conceição representa hoje um dos maiores clubes do Mundo, onde chegou com o currículo bem preenchido, mas com a ilusão de desenvolver e cimentar a história que desenhou em tempos e já começou a escrever.
Com a arte de saborear intensamente as grandes vitórias e de valorizar os pequenos detalhes, aprendendo sempre com os erros e às vezes excessos próprios da juventude, Sérgio Conceição cresceu bem e transformou-se num dos melhores extremos da Europa, com a curiosidade de jogar num campeonato que não estimula o nascimento de gente para actuar nas faixas laterais – e os que lá habitam são quase todos estrangeiros. Aos 26 anos, e apesar de ser uma figura do "calcio" desde 1998, entende hoje que a sua maior vitória futebolística foi conquistar o seu espaço na selecção nacional.
Pode não ter a magia de Figo ou os dotes de organizador genial de Rui Costa; a riqueza do currículo ainda não chega à sumptuosidade dos de Paulo Sousa e Fernando Couto; pode não ter deixado no campeonato português, por falta de tempo, as marcas de João Pinto, Pedro Barbosa ou até Capucho e em absoluto faz menos golos que Pauleta e Nuno Gomes. Mas Sérgio Conceição transformou-se em referência absoluta para a geração que prepara o assalto ao Mundial 2002. É um extremo extraordinário, fisicamente poderoso, com velocidade, potência e resistência, hábil no um-para-um, exímio na arte de cruzar. E tem uma vantagem deliciosa: sabe jogar com os dois pés, facto que aproveita para alimentar os companheiros do ataque e de também ele rematar com êxito à baliza – não marca por época menos de dez golos, contabilizando todas as provas em que participa.
Sérgio Conceição mantém hoje o pressuposto de sempre: é preciso ter paixão pelo jogo. E nesse contexto de viver intensamente o que faz, a selecção a que hoje à tarde se junta, na esperança de estar apto a defrontar a Estónia, é assumida como o ponto mais alto de uma carreira cada vez mais e melhor preenchida:
– Tenho esperança de jogar, sinto-me bem, vamos ver... Mas este é um caso pontual, que tem a ver apenas com um jogador. O caso é muito mais amplo e envolve muito mais gente: a partida frente à Estónia é aliciante, porque é o último troço de uma caminhada bonita para a qual muita gente contribuiu e que espero tenha o resultado esperado no próximo sábado, isto é, com os festejos do apuramento para o Mundial.
– Não obstante o valor indiscutível desta selecção e o talento individual dos seus componentes, o Campeonato do Mundo de 2002 será o primeiro das vossas carreiras...
– Como geração, esta equipa desperdiçou 1994 e 1998. Esperamos rectificar isso agora. O valor desta selecção não permite pensar de outra maneira: estar em todos os grandes palcos tem de ser um hábito e nunca mais poderá funcionar como novidade. Creio que esse é, de resto, um sentimento generalizado em Portugal e até na Europa.
– Há quanto tempo sonha com esta partida com a Estónia?
– Desde que vencemos em Chipre. Depois não se esqueça de que apesar do adversário ser a Estónia, a situação permite adivinhar estádio cheio, ambiente fantástico, enfim, uma grande festa num dia inesquecível para nós. É um orgulho para nós, jogadores, podermos contribuir para esse momento.
– Como analisa a previsível presença no Japão/Coreia do próximo ano, tendo em conta que surge imediatamente a seguir à excelente campanha no Euro-2000?
– Vejo isso com normalidade, atendendo ao que já falámos. A análise pode ser a de estarmos, por fim, a dar continuidade ao trabalho e a expressar em campo o nosso valor. Olho para trás e acho que é bom termos chegado às meias-finais do Europeu e de tudo indicar que iremos estar no próximo Mundial, mas não vou dar saltos de alegria por isso. Queremos mais e ninguém nos pode levar a mal por isso.
– O que mudou para este ciclo só agora ser uma realidade?
– É uma pergunta à qual não sei responder. Temos o nosso valor, o grupo é espectacular, conhecemo-nos há muitos anos... Esperamos conseguir demonstrar agora tudo aquilo que podemos fazer.
– Que importância atribui ao facto de a maior parte dos jogadores actuarem no estrangeiro, em campeonatos mais exigentes?
– É muito importante. Decisivo mesmo. O contacto com outras culturas, com alguns dos melhores treinadores do Mundo e com um futebol que tem graus de exigência superiores, fez de nós melhores futebolistas. Eu, por exemplo, vou na quarta época a jogar em Itália e não tenho qualquer dúvida em reconhecer que evoluí muito, que sou hoje muito melhor jogador do que era quando aqui cheguei. E se com todos os outros acontecer a mesma coisa, como eu penso que acontece, pode estar aí uma resposta para a pergunta que me fez anteriormente.
– O conceito de espectáculo obriga o futebolista a ser mais profissional e a ter ainda mais responsabilidades...
– Isto aqui não tem limites. O campeonato italiano é o mais competitivo do Mundo e não permite o menor deslize. Se o objectivo hoje é ganhar o título, amanhã é defendê-lo dando melhores espectáculos. E por aí fora, com a insatisfação sempre presente.
– Há quem diga que os italianos são mestres na forma como vendem antes e depois partidas que não são bem jogadas...
– Parece-me exagerado, mas a ideia tem algum fundamento. Há muitos jogos de grande qualidade em Itália, embora reconheça que o futebol é vivido de outra maneira, com muito maior intensidade.
– Olhando para trás, que recordações lhe trazem os seus primeiros tempos na selecção?
– Foram os tempos felizes de quem sentiu estar a ganhar uma etapa importantíssima na carreira.
– Nessa altura recordo-me de não ficar muito satisfeito por ser assim uma espécie de 12º jogador...
– É verdade, toda a gente achava que eu devia jogar mas quando se faziam as contas havia doze em campo. E quem saía naquelas conjecturas feitas antes dos jogos? Era sempre eu, mesmo que depois acabasse por actuar de início. Vejo isso como uma etapa curiosa até da minha carreira. Mas, atenção, entrar naquela selecção não era fácil.
– Do meio-campo para a frente havia muitas soluções, de facto...
– Se estivessem todos em condições e a atravessar um bom momento, Figo, Rui Costa e João Pinto jogavam nas costas de um avançado. Era muito difícil tirar dali um deles, reconheço-o e sempre assim pensei, mesmo que ficasse triste por não jogar. Ao fim de cinco anos conquistei aos poucos o meu estatuto, fiz a minha progressão como jogador e cá estou, sempre pronto para jogar e sempre disponível para respeitar o técnico se a sua opção não passar pela minha chamada. Tudo isto para além de ter sido prejudicado com a tal história de que já falámos muitas vezes, de haver quem admitisse que podia desenrascar a defesa-direito.
– Sofreu muito com esse processo de afirmação?
– Não. Vivi-o intensamente, é um facto, mas não sofri com ele. Isto apesar de estarmos a falar daquela que penso ser a grande vitória da minha carreira: ter ganho o meu espaço na selecção. Mais importante ainda que tudo quanto consegui a nível de clube, os títulos no FC Porto e na Lazio, e a integração hoje num dos grandes clubes mundiais.
«O futebol sem paixão não faz qualquer sentido»
Sérgio Conceição sabe dar valor a todos os passos que o trouxeram da infância até ao topo do Mundo, reconhecido como um dos melhores da Europa naquilo que faz.
– Será verdade que o futebol se dá melhor com as dificuldades da vida do que com a riqueza?
– Eu acho que sim. E basta a origem da maior parte dos bons jogadores da actualidade para percebermos que aqueles que têm origens modestas são mais que os outros. Eu não fugi a essa regra, passei por dificuldades e tive sempre grande força de vontade para chegar ao topo, que ao princípio era a Académica, depois a I Divisão, depois o FC Porto, a selecção e por aí fora.
– Encarou o futebol como uma saída para essas dificuldades?
– Percebi cedo que o talento só não chegava para ser alguém e como tal comecei a trabalhar cada vez mais. Percebi que não seria fácil e sempre desconfiei da sorte. Ou seja, quando ouvia alguém dizer que não tinha sido bafejado pela sorte comecei a duvidar se ela podia fugir quando quisesse, ou se cada um de nós pode evitar que ela desapareça das nossas vidas.
– E você pegou na sorte, agarrou-a e não a deixou escapar...
– Privei-me de muita coisa e tenho todos esses passos na memória. Tinha 14 anos, jogava na Académica e dava um valor enorme aos 15 contos que me davam por mês, mais ao dinheiro para a gasolina da motorizada do meu pai que me levava ao Santa Cruz todos os dias. Eram 20 contos que funcionavam como ajuda importante para a família. Mas sei hoje que só esse instinto de sobrevivência não chega para fazer um jogador de futebol.
– Falta o talento?
– O talento e não só. O futebol sem paixão não faz qualquer sentido. Veja uma coisa: sem paixão não teria chegado onde cheguei, porque a minha vida se endireitou aos poucos e as dificuldades foram ultrapassadas. Hoje vivo tranquilo e sem paixão seria, seguramente, muito pior jogador. Se me perguntassem antes de um jogo se queria o ordenado ou entrar em campo, primeiro ia lá para dentro e logo se via o resto.
– Está feliz no Inter?
– Muito feliz, é um clube de grande dimensão, com muito peso histórico, que tem orgulho no seu percurso e apela às suas origens. Estive na Lazio e no Parma, dois grandes clubes, mas como instituição o Inter não se lhes compara.
«Tinha nove anos e já era extremo»
Sérgio Conceição é um extremo como não há muitos, hoje em dia, no futebol europeu, porque os treinadores teimam em considerar que eles não são precisos e porque para o ser é preciso um esquema mental, condições físicas e jeito. É preciso, no fim de contas, vocação.
– Há quanto tempo se sente extremo de alma e coração?
– Há quanto tempo? Acho que desde sempre. Quando cheguei à Académica tinha nove anos e já era extremo. É verdade... Foi um processo natural, sem outras motivações para lá daquilo que me dava jeito fazer em campo. Por exemplo, não tinha um ídolo que fosse extremo e eu quisesse imitar, nem fui empurrado para ali por algum treinador.
– Quer dizer, era miúdo e os responsáveis perceberam logo que o seu jeito era o de jogar bem pelos flancos...
– Perceberam seguramente. Recordo-me que nesses primeiros treinos em Coimbra formavam duas equipas de onze ou treze e diziam-nos para cada um jogar onde quisesse. Quando a bola começava a saltar ninguém queria saber mais de posições em campo, mas eu sempre tive a tendência de me desviar para as faixas laterais.
– Disse agora talvez até sem lhe atribuir significado, "faixas laterais", no plural. Essa é uma das suas características, jogar
nos dois lados...
– Percebi o essencial: o meu lugar era nos flancos. Depois verifiquei que me sentia mais confortável sobre a direita, mas no desenvolvimento como futebolista concluí que jogar na esquerda não me traz dificuldades, apesar de preferir o lado contrário e de achar que em continuidade, isto é, jogando uma época inteira na esquerda, dificilmente poderia atingir o mesmo nível. Agora durante um jogo, por exemplo, trocar de flanco? Encantado da vida e até pode suceder que renda mais na esquerda.
– O seu valor está acrescido em Itália por uma razão que tem tanto de simples como de preocupante para o futebol: já reparou que não existem extremos italianos?
– Não há muitos, é verdade. Extremos de raiz, tal como eu os entendo, há para aí dois ou três. E como não há muitos os esquemas tácticos das equipas têm em atenção esse facto e adaptam-se às necessidades.
– Quando falou de dois ou três estava a pensar em quem concretamente?
– Em ninguém em concreto, mas posso dar como exemplos o Zambrotta (Juventus) e o Marchionni (Parma). O Milan tem o Gatuso, que não é extremo, a Roma tem o Cafu, que é brasileiro, a fazer todo o corredor, a Lazio tem o Poborsky, que é checo... Não há muitos, tem razão... Não estou a ver assim mais ninguém.
«Isso do dinheiro é muito relativo»
Para Sérgio Conceição, o tema dos salários dos jogadores de futebol constitui um bom tema de conversa.
– Os futebolistas ganham dinheiro a mais?
– Para começar é preciso saber de que futebolistas falamos, de que país, de que escalão. Isto apenas para alertar que nem todos jogam em grandes clubes e nem todos são milionários, muito pelo contrário. Isso do dinheiro é muito relativo, porque depende de qual é o ponto de comparação que estabelecemos. Por exemplo: é muito se estivermos a falar do trabalhador comum, mas não chega para cobrir as verbas ganhas no ténis, no golfe e na Formula 1, por exemplo.
– A julgar pelas suas palavras não se sente incomodado perante o ar crítico de muitos quando falam das verbas auferidas pelos jogadores de topo...
– Não, incomodado não me sinto. De todo. Se me disser que o futebol está cheio de exorbitâncias, concordo em pleno. Mas parece-me normal que tal suceda numa altura em que o futebol está transformado num enorme negócio, no qual se compra, vende e empresta. Agora também lhe digo: não compreendo a preocupação relativa aos nossos salários, nós que damos o espectáculo e provocamos as emoções. Se calhar neste circuito que nos tem como figuras centrais há muita gente que merece menos a ganhar ainda mais que nós. E isso é que é injusto, não lhe parece?
«Como defesa apenas desenrasco...»
Não é virgem a ideia de colocar Sérgio Conceição como lateral-direito, embora a sugestão tenha caído em desuso na mesma medida em que se tem afirmado como extremo.
– Como reagia à tendência de sugerirem o seu nome como potencial defesa-direito?
– Reagia com alguma apreensão. A verdade é que não me estou a ver a mudar de vida em campo. Há extremos que a partir de certa altura, quando perdem velocidade, por exemplo, desejam passar, e às vezes passam, para uma zona mais central, procurando outro tipo de intervenção no jogo. E também há quem recue, é um facto...
– Não se está a ver em qualquer dessas situações?
– Sinceramente não. Se calhar porque ainda sou novo, mas não me parece. Isto não quer dizer que se durante um jogo o treinador me pedir para cumprir determinada tarefa fora do meu domínio preferido não a desempenhe e bem. Não tenho qualquer problema nisso e já o demonstrei ao longo da minha carreira.
– Há uma diferença grande entre ir para dentro de campo assumindo que vai jogar como defesa e a meio de um jogo ter de desenrascar por qualquer razão...
– É isso mesmo, não vá mais longe: como defesa apenas desenrasco. Não mais que isso.
«Mais perto de Portugal»
Vive em Itália há mais de três anos, tempo para (ele próprio) definir que tipo de emigrante é. E nada muda pelo facto de estar bem na vida, a ganhar bom dinheiro fazendo aquilo que mais gosta. Já não é suficiente para influir com o rendimento em campo, como sucedeu tantas vezes nos passados anos 70 e 80, mas continua a deixar as suas marcas:
– Sou muito agarrado às referências fundamentais da minha vida, à família, aos amigos, até a coisas de uma maneira geral. Sempre fui, mas a verdade é que a distância me aproximou de tudo isso e, por paradoxal que possa parecer, do próprio País. Reajo agora mais emotivamente quando ouço falar de Portugal, quando algum compatriota comete alguma proeza, quando o País é palco de algum evento. E até lhe dou um exemplo: como tenho acesso aos canais portugueses, sempre que posso vejo jogos em que entram as equipas do meu País. Ainda há dias jogavam à mesma hora a Juventus, que me interessava observar por todas as razões, e o FC Porto. Será preciso dizer-lhe qual o jogo que vi de uma ponta à outra?
«Regressar é uma festa»
A recuperar de problema muscular que o afastou da equipa do Inter durante algum tempo, Sérgio Conceição apresenta-se hoje no estágio da selecção praticamente reabilitado e em condições de jogar a partida decisiva com a Estónia. Mas seguindo o seu raciocínio, o mais importante nestes momentos é mesmo responder à chamada:
– As pessoas podem não acreditar, mas podemos até representar o melhor clube do Mundo, que vir à selecção é algo solene, um momento de grande felicidade aguardado com muita antecedência. Regressar é uma festa, porque revemos os amigos, a família e nos juntamos aos restantes companheiros, independentemente de as coisas nos correrem bem onde quer que estejamos. Essa é, afinal, uma das grandes vitórias deste grupo e uma forma de explicar os bons resultados conseguidos de há alguns anos para cá: darmo-nos bem e sentirmos prazer em estar juntos.
«Contacto com Sacchi soube-me a pouco»
"Sacchi rendeu Malesani e fiquei entusiasmado, pois trata-se de um nome de referência. Esteve em Parma um mês e abandonou a conselho do médico. Não posso dizer muita coisa sobre ele, apenas que o contacto me soube a pouco. O tempo não deu para mais, mas sempre poderei dizer que fui dirigido por um dos mais galardoados treinadores do do século."
«Malesani impressiona pelo trabalho táctico»
"Com Malesani fiz sete jogos e era na altura o melhor marcador do Parma. A partir de certa altura baixámos, os adeptos mostraram-se impacientes e como ele estava em Parma há três anos a saturação mútua ditou o seu afastamento. Um treinador que me ensinou imenso, sobretudo nos aspectos tácticos, em cujo trabalho é impressionante."
«Eriksson é um marco na minha carreira»
"Sobre Eriksson terei de dizer que é um marco na minha carreira. Atenuou os efeitos do choque com outra realidade, apoiou-me sempre, ensinou-me muita coisa e com ele comecei a jogar na série A. Um grande treinador e uma pessoa excepcional. que apostou tudo em mim e sobre quem tenho a máxima consideração."
«Cúper é um disciplinador cheio de grandes ideias»
"Cúper é um disciplinador cheio de grandes ideias. Há três anos que joga finais europeias e bastou trabalhar com ele uma/duas semanas para concluir que não complica as coisas fáceis, opta por um esquema de assimilação rápida (4x4x2) e estimula o rigor. Apesar das referências que já trazia estou muito surpreendido com ele."
«Com Renzo Uliveri nem tudo correu bem»
"ComUliveri nem tudo correu bem, mas as divergências não tiveram a carga dramática alimentada de fora. De qualquer modo ele é um homem brusco, de poucas palavras e chocámos algumas vezes. Agora, quando fui a Parma ao serviço do Inter, cumprimentámo-nos e no fim do jogo pediu-me a camisola, prova de que a nossa relação não ficou assim tão deteriorada."
Portugal, 1-Irl. do Norte, 0 – 11 de Outubro de 1997
"Elejo este jogo como importante e confesso que desperta uma série de sensações contraditórias. Vencemos e marquei o meu primeiro golo, mas é verdade que foi apenas o fim de uma qualificação falhada. Não sei explicar direito, mas houve sinais claros de que era o fim de um ciclo doloroso mas a transição para outro mais feliz."
Portugal, 1-Ucrânia, 0 – 9 de Novembro de 1996
"Um jogo que me traz boas recordações porque me estreei na selecção, porque vencemos e porque o jogo foi nas Antas. Vinha de uma excelente temporada no Felgueiras e estava a jogar no FC Porto desde o início da época. A chegada à selecção constituiu um momento inesquecível, pela possibilidade de subir mais um degrau e o início de uma paixão que dura até hoje."
Portugal, 3-Alemanha, 0 – 20 de Junho de 2000
"Era o terceiro jogo do Euro-2000. Já estávamos nos quartos-de-final. Entrei em campo, eu e todos os companheiros chamados ao onze, dispostos a mostrar que não éramos a equipa B de Portugal. Tudo saiu bem. A mim em particular, que apontei os três golos de uma vitória histórica e por isso mesmo inesquecível para o futebol português.