Inglaterra-Portugal, 0-1: Candidato sem dúvida
Seleção sub-21 não ganhava à Inglaterra desde 2003. Ontem acabou-se a seca...
Onze vitórias consecutivas em jogos oficiais – a Seleção Nacional sub-21 prolonga um trajeto a que ainda não se conhecem os limites e tem como primeira fronteira os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016. Ontem, na estreia no Europeu, a cliente da equipa de eleição chefiada por Rui Jorge foi a Inglaterra, um adversário que Portugal não vencia neste escalão desde 2003, já lá vão pois 12 longos anos.
Confira o direto do encontro.
Falar em título europeu tem sido tema tabu por estes dias e compreende-se porquê: apesar do perfil de sucesso da equipa portuguesa, haverá projetos futebolísticos mais completos e o concebido por Rui Jorge precisará de maiores desafios ainda. Portugal joga agora num modelo único, e se a equipa principal não tem, nos jogos a pontuar, um avançado de referência, os Sub-21 já há algum tempo exploram essa via de utilizar dois extremos – Ricardo Pereira e Ivan Cavaleiro – que aparecem em zonas interiores, de frente para a baliza, a criar desequilíbrios que provocam mossa no adversário.
A ideia de Portugal está radicada na utilidade dos resultados e o conseguido frente aos ingleses comandados por uma das estrelas da Premier League, o ponta-de-lança do Tottenham, Harry Kane, foi preciosíssimo para atingir o objetivo olímpico, que é conseguido automaticamente com a presença nas meias-finais.
No onze desenhado num 4x4x2 losango, com William Carvalho na posição 6 e Bernardo Silva como 10, declaradamente na zona central, a mostrar superior qualidade na articulação do jogo ofensivo, muito ligado aos movimentos de Ricardo Pereira e Ivan Cavaleiro, as maiores dificuldades foram colocadas aos médios interiores, João Mário e Sérgio Oliveira, com pouco espaço num meio-campo povoado de ingleses. Viram-se muito a defender, mas perderam-se a atacar.
O 4x2x3x1 concebido por Gareth Southgate privilegiava a recuperação rápida da bola, a utilização agressiva dos extremos e lançamentos que pudessem explorar a fiabilidade de Kane. Não era mau, o plano inglês, só que Portugal estava mais do que preparado – os laterais, Esgaio e Guerreiro, não subiram muito; e os centrais foram potentíssimos no trabalho sobre o adversário.
Nas poucas vezes que Kane dispôs de espaço conseguiu duas grandes ocasiões (34’ e 35’), mas José Sá esteve à altura, só que antes disso já Portugal dispusera também das suas oportunidades, uma por Bernardo Silva, outra da autoria de João Mário, tendo o guarda-redes Butland sido obrigado também a evitar um autogolo de Moore.
A perdição dos ingleses foi terem sido tentados a pressionar mais Portugal, concedendo espaços atrás. É verdade que tiveram duas excelentes oportunidades a abrir a segunda parte, por Redmond e Ward-Prowse, mas na primeira vez que Portugal conseguiu ganhar espaço na área adversária foi logo mortífero. Depois de um cruzamento de Sérgio Oliveira, Bernardo Silva rematou ao poste e João Mário, na recarga, não falhou. A partir daí, Portugal entrou numa sessão de controlo de jogo que não deu grandes possibilidades aos ingleses e, quando as houve, esteve lá o guarda-redes José Sá, que contribuiu para o resultado com meia dúzia de defesas.
Rui Jorge manteve o sistema, fazendo trocas diretas; Southgate mudou o desenho, fez entrar o ponta-de-lança Ings para apoiar diretamente Kane e ficou com uma linha de quatro médios, sendo dois eles alas, sempre muito rápidos, mas Portugal não se desconcentrou e conservou o resultado. Aos 90’+3, a Inglaterra dispôs de uma derradeira oportunidade e, como sempre, lá estava José Sá a confirmar que sim, que há candidato ao título europeu.
Minuto 57
João Mário não tremeu, quando a bola, vinda do poste, depois de um remate de Bernardo Silva, lhe apareceu à frente – com Butland atrasado a tentar reposicionar-se, o médio do Sporting encostou-lhe o pé direito e mandou-a "lá para dentro". Golo de Portugal e somatório de três pontos preciosos para o apuramento.
ÁRBITRO: Danny Makkelie
Arbitragem de muito bom nível do árbitro holandês. Poupou-se em termos disciplinares, na primeira parte, mas não condescendeu quando o jogo começou a ficar mais "picado" e teve sempre tudo sob controlo. Tecnicamente, mostrou-se criterioso, sem dar espaço a excessos, nem se deixar iludir com encenações.