O pensamento "em grande" de Ronaldo, o "único objetivo" para a estreia e as boas memórias da Rep. Checa: tudo o que disse Dalot
Internacional português falou este sábado aos jornalistas antes do segundo treino da Seleção Nacional na Alemanha
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Diogo Dalot esteve na manhã deste sábado na sala de imprensa a falar aos jornalistas antes do segundo treino da Seleção Nacional na Alemanha, onde Portugal prepara o Euro'2024. A estreia das quinas na competição, recorde-se, está marcada para terça-feira, pelas 20 horas, diante da Rep. Checa.
O Diogo foi titular em dois dos três jogos antes do Europeu. Derrota com a Croácia pode ter marcado um antes e um depois? O que aconteceu nesse jogo criou algum tipo de dúvida? "Marca apenas e só uma experiência, um jogo que acho que foi importante para nós para melhorar alguns aspetos antes de uma grande competição. Apesar de termos tido uma fase de apuramento imaculada, às vezes precisamos de testes contra equipas mais experientes para testar algumas coisas que não conseguimos testar durante o apuramento. Foi bastante importante e também já houve colegas que disseram isso depois do jogo, foi uma oportunidade para testarmos algumas coisas que teriam de ser testadas. Olhamos para isso de forma bastante positiva, para sabermos estar em desvantagem, como devemos reagir em momentos como esse. Olhamos para isso de forma positiva e foi bom passarmos por isso".
A Alemanha entrou com uma goleada ontem sobre a Escócia, por 5-1. Qual seria a estreia de sonho para Portugal? "Ganhar. Acho que é o grande e único objetivo. Sabemos que numa competição destas é importante vencer o primeiro jogo. Obviamente que se fizermos mais golos melhor, mas o objetivo passa por ganhar".
Uma das grandes dúvidas é o sistema tática que Portugal vai apresentar. Como se sente mais confortável? "Depende, durante o apuramento fomos jogando em diferentes sistemas, depende também de como o adversário irá jogar. Confesso que me sinto confortável tanto numa linha de quatro como de cinco, consigo dar o meu melhor nos dois. Depois caberá ao mister decidir qual a melhor tática para irmos a jogo. Acho que já demonstrámos que conseguimos ser fortes a atacar e defender em ambas as táticas e isso é o mais importante".
Foi eleito o jogador do ano pelos adeptos do Manchester United. Ficou surpreedido? Até que ponto será um fator de motivação?
"Esses troféus individuais acabam sempre por ser positivos e, no meu caso, dá-me mais confiança e motivação. Sei o que fui dando durante a temporada e por isso foi ótimo ter esse reconhecimento de quem me vê trabalhar todos os dias, as pessoas com quem sofro e celebro. Foi positivo para mim e especial, dá-me mais motivação e confiança para estar aqui na Seleção".
Esta temporada participou em 50 jogos, o maior número da sua carreira. Há muita qualidade nas laterais de Portugal, com jogadores que podem jogar à direita e à esquerda. Isto dá-lhe ainda mais armas e ferramentas para ser titular?
"É um pouco relativo. O que fazemos durante a época pode ter um papel fundamental para estarmos aqui, mas a partir desse momento isso não é suficiente para jogarmos sempre. Dá-nos motivação e confiança, mas a partir do momento em que cá estamos temos de mostrar que queremos jogar. Dá-me prazer poder esse tipo de competição saudável quando estamos rodeados de jogadores de grande qualidade, faz-nos sair da zona de conforto e isso dá-me motivação para continuar a trabalhar. Acredito que muitos dos meus colegas sintam o mesmo. Acho que isso só ajuda Portugal e é bastante positivo para nós".
Foi campeão em Sub-17, acredita que pode fazê-lo enquanto senior? "Seria espetacular, não vou mentir. Sentir esse momento no Azerbaijão, em 2016, pelos sub-17, foi especial. Vencer pelo nosso país é sempre especial, acho que não há melhor. Mas pela Seleção A seria sempre um sonho, espero que seja possível e vamos fazer de tudo para isso".
As estatísticas valem o que valem, mas o Diogo acha que está no melhor momento de forma da carreira? "Acho que sim, em termos individuais a minha carreira tem sido progressiva e é assim que gosto de trabalhar. Não escondo que é um bom momento, talvez o melhor da minha carreira, mas vale o que vale. Se não continuar a demonstrar que mereço jogar... O trabalho continua, continuo a pensar da mesma maneira para poder continuar ao nível que tenho vindo a demonstrar".
O forte apoio e o facto de serem apontados como um dos favoritos coloca maior pressão ou dá maior motivação? "Olho para isso como uma responsabilidade acrescida, e olho para ela como motivação. Não queremos deixar que esta euforia que se criou estes dias se exceda também em nós próprios. É hora de trabalhar e estarmos focados em vencer o primeiro jogo, e isso traz-nos mais motivação. Creio que o grupo está bastante focado em entrar no Europeu com o pé direito".
Fez um bis frente à Rep. Checa na Liga das Nações há cerca de dois anos. Isso dá-lhe motivação para voltar a marcar? "Acho que é impossível, pelo menos para mim, esquecer quando marcas pela Seleção, ainda para mais com dois golos. É um jogo que vai estar sempre na minha memória. Isso deixa-me contente, traz-me boas memórias e deixa-me mais motivado. Estão feitas as condições para poder estar motivado para trabalhar e se, o mister assim decidir, estar lá dentro e poder marcar também".
Portugal fez qualificação imaculada, nos jogos de preparação conseguiu três vitórias. Esta Seleção ainda não foi verdadeiramente testada? "Não concordo, acho que já fomos testados em todos os aspetos. Pode não ter acontecido num só jogo, mas em vários jogos fomos estados em todos os aspetos do jogo em si. Acredito que vamos para o primeiro jogo a saber que estamos preparados e estamos confortáveis em relação a isso".
Seleção tem sido 'engolida' por uma onda de euforia. De que forma é que tentam gerir as emoções para não cair no erro de haver demasiada descontração? "Isso tem de ser um trabalho primeiro individual, de saber que para além da euforia existe o trabalho com seriedade e profissionalismo, mas depois também temos um grupo bastante experiente, que consegue passar isso para os mais novos. Há jogadores com bastantes competições, torneios, e outros que estão a fazer o primeiro. Há essa simbiose que eu acho que é importante para podermos ir longe. Mas sabemos que Portugal será sempre uma seleção que toda a gente quer e gosta de ver, e temos de saber que existe sempre essa responsabilidade. Sempre olhando para ela de forma tranquila e como motivação extra para podermos participar na competição".
Cristiano Ronaldo disse que o ideal seria superar o que foi feito em 2006, onde Portugal chegou às meias-finais. Vitinha disse que era necessário moderar expectativas. De que lado está o Diogo? "O Diogo está no lado de focar principalmente neste primeiro jogo, e acredito que vocês e nós, conhecendo o Cristiano, saibam que ele vai pensar sempre em grande. Queremos acompanhá-lo, é o nosso capitão, a pessoa que mais venceu entre nós e o pensamento será sempre esse. Mas acredito que ele também saiba que, para lá chegar, temos de ir jogo a jogo. Se tivermos essa capacidade de perceber que para chegarmos longe temos de ir passo a passo, podemos ir longe. Estou confiante para isso".
Tem-se falado na qualidade deste grupo. Esta geração está no ponto certo para conseguir algo importante? "Sinto que existe essa expectativa, as pessoas querem acreditar que a nossa Seleção pode ser das melhores que Portugal já teve. Mas será sempre lembrada a que ganha, não acredito que haja uma pessoa aqui que não se lembre de quem ganhou em 2016. Queremos ficar na história de Portugal e temos de trabalhar para isso, fazendo com que sejamos lembrados. Podemos ter muita qualidade, uma geração com grande potencial, mas o que conta é no fim e quem vencer é que ficará para a história".
Tenta ver os jogos dos adversários? "Vemos os jogos, sim. Ontem estivemos todos juntos a ver o jogo da Alemanha. Claro que a ansiedade é maior porque queremos começar e jogar, mas estávamos calmos. Acho que foi muito bom ver esse primeiro jogo, o ambiente estava muito bom. Quando chegar a altura, estaremos prontos".