Fernando Santos e o recorde de Ronaldo: «Se marcasse 10 golos amanhã ficava já despachado disto»

Selecionador nacional aborda a 'fome de golos' do capitão da Seleção Nacional

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Fernando Santos: «No meu tempo era jogar às cartas de dia e de noite...»

Fernando Santos fez a antevisão do jogo de amanhã com Andorra, um particular que antecede os encontros diante da França e da Croácia, a contar para a Liga das Nações. O selecionador nacional falou da preparação da equipa, do estado físico e mental dos seus jogadores e da gestão do cansaço.

Como é que se prepara um jogo destes, tendo em conta os jogos seguintes?
"Prepara-se da mesma forma. Há 10 anos que estou habituado a preparar equipas para jogar, sem treino ou com treino muito curto. Amanhã de manhã podemos fazer alguma coisa ao nível de bolas paradas, até porque desta vez só tivemos este treino. Logo à tarde vamos conversar sobre a equipa de Andorra e preparar o jogo de amanhã. A França fica para depois. Com estas condições físicas, não traz nenhum benefício. Seria preferível descansar, ter treino normal, o que permitia recuperar e ter os jogadores mais soltos. Temos de procurar encontrar algum benefício, senão não servia. Podemos entrosar os jogadores que não têm estado tanto aqui na Seleção e eles também em campo ver como se estão a adaptar. É muito importante para os jogadores sentirem da parte do selecionador que não há jogos particulares. Os jogadores sabem disso. A gestão que se fará passará pela utilização de jogadores e depois tirá-los. Há jogadores que desde que saíram da Seleção jogaram muito poucos minutos e outros que jogaram muitos. É uma gestão de equilíbrio até para aqueles que tiveram menos tempo dar-lhes algum ritmo. Há algo que sabem. Estes 25 são todos muito importantes e todos podem em qualquer momento e em qualquer jogo responder ao que eu quero. Estão cá pela enorme confiança que tenho neles."

Como é que se enquadra o jogo com Andorra e como está Cristiano?
Ronaldo esteve lá o treino todo. Podia ser para vos enganar, mas ele não apresentou nenhuma queixa. Desde domingo que sabia que não tinha nada que o impedisse de treinar normalmente. Se eu entender, estará apto para qualquer um dos três jogos. Em relação à outra questão, não vejo grande vantagem nestes jogos. Se estivesse no lado dos clubes muito menos vantagem havia. Por isso é que há dois ou três anos se alterou um pouco. Vai haver jogos de playoff, portanto a UEFA entendeu que havendo equipas que vão jogar os três jogos, as outras também deviam disputar um jogo mesmo que fosse particular. A nós compete gerir e não discutir se sim ou se não. Seria estar a falar para o deserto. Temos estes jogos, vamos realizá-los e vamos procurar que os jogadores tenham física e mentalmente uma motivação grande. Para além do estado físico, há outra questão: eles não têm tempo neste momento para estar com as famílias. Isso é importante, pensar fora da caixa. Há uma sobrecarga muito grande nesse aspeto. Desde o primeiro momento em que cheguei sempre dei momento de lazer para desanuviarem, para me poderem ouvir porque sou um chato às vezes, mas não se pode fazer muito porque estamos aqui em bolha. Têm de fazer um esforço muito grande por não poderem estar fora da caixa. Os que estão na elite têm essa dificuldade e exige uma disponibilidade mental muito grande."

Cristiano Ronaldo está com fome de marcar?
"Se me dissessem que amanhã marcava 10 golos, se calhar até dava o jeito, ele ficava já despachado disto, batia já o recorde, mas isto não é assim. Não se põe lá, vais lá marcar 5 ou 6 golos, não funciona assim. Cristiano é expoente máximo, e os outros jogadores vão atrás dele, e quer jogar todos os jogos, minutos e segundos. Nunca quer sair. Os jogadores vêm para aqui com alegria enorme, com essa responsabilidade de saberem que estão aqui porque o treinador confia neles. Portanto se tiverem de jogar jogam, se não jogarem, não jogam, se estiverem na bancada, estão na bancada. Mas todos, e tenho a certeza, às vezes têm de comer umas iscas porque a vontade de jogar é tão grande, que mesmo respeitando, de vez em quando ficam um bocadinho… Se decidisse por aí, jogavam os 25 e não os podia tirar do campo porque não há um que quisesse sair!

Há um respeito extra de França por Portugal?
"Respeito extra não. Revela é reconhecimento mas é de há muitos anos. Já lá vão 20 ou 30 anos em que se falava dessa forma. Toda a gente sabe que quem vai estar em campo é o campeão da Europa e vencedor da Liga das Nações contra o campeão do Mundo. Hoje todos sabem e isso é natural. Antigamente, Portugal era outsider, mas já não é. Toda a gente tem respeito por Portugal, da mesma forma que Portugal respeita todos, sabendo que pode vencer todos. A partir de quinta-feira, eu e os meus jogadores lá estaremos a preparar esse grande conforto com França com respeito, mas sem subserviência."

O que espera de Andorra?
"Em relação a Andorra, vimos alguns vídeos dos últimos jogos, mas não pareceu nada de diferente do que encontrámos. É uma equipa organizada, que defende muito, que enquanto puder vai tentar evitar que Portugal marque golos. No jogo lá com eles, estava 0-0 ao intervalo, mas num piso diferente e num campo mais pequeno. Vai dar algumas situações diferentes, mas vai ser bom para mostrar o nosso jogo e versatilidade. É um adversário que vai oferecer a resistência que nós permitirmos que ofereça. Tem essa capacidade e contra Portugal, com jogadores de descendência portuguesa que querem mostrar a sua valia, como é normal. É importante evitarmos os contactos, obrigar a equipa de Andorra a correr atrás da bola, não entrar muito em contacto físicos. Teremos de gerir tudo isso. É o que temos de fazer, praticando o que é habitual e o nosso futebol.

Como se faz a gestão mental?
"A nível da Seleção, contratar mais gente não porque são campos que dependem mais dos clubes. No trabalho, é procurar desanuviar o ambiente, procurar que os jogadores emocionalmente estejam bem, mais frescos, porque se a cabeça estiver pesada parece que estão mal fisicamente e no fundo não é isso. Se a cabeça está pesada tudo funciona ao contrário, portanto é importante que estejam alegres. No meu tempo era jogar às cartas de dia e de noite, hoje em dia são melhores do que nós e fazem-no só de dia. São um grupo excelente e encontram as suas formas de resolver esta questão. A nível de treino, compete-nos fazer treinos menos rigorosos. Num clube, o treino é mais rigoroso, entre aspas, porque se pára muito o treino e são treinos que cansam mais. Aqui o que procuramos é fazer um treino curto, à volta de 50 ou 55 minutos e torná-lo mais alegre, mais divertido, sem perder o rigor do que queremos que façam. Depois temos as palestras e compete-nos ser um bocadinho criativo. Às vezes posso ser um bocadinho mais cansativo, mas há ali uma parte que é mais para rir.

Muitos jogadores estão em grande forma. É perfeito chegarem assim já?
"É sempre positivo quando todos os jogadores se apresentam em alto momento de forma, mas nem sempre isso depois pode ser realidade. A primeira fase desta operação rumo à reconquista da Liga das Nações começou quando os jogadores vinham literalmente de férias, sem forma, não havia golos, remates, nada. Não havia estatística. De repente fizeram dois jogos brutais na Croácia e Suécia. É fruto da qualidade enorme que têm, do que podem fazer como conjunto e da sua qualidade individual. O que importa é que possam repetir o que têm feito nos últimos jogos."

Por Pedro Gonçalo Pinto
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