Há algo estranho no reino da Dinamarca

Equipa nórdica vai a jogo com formação composta por amadores e membros da seleção de... futsal

• Foto: Reuters

A seleção da Dinamarca parece estar fadada para histórias bizarras. Se em 1992 a formação nórdica substituiu a Jugoslávia, devido ao conflito armado naquele país, e saiu do Europeu com o cetro de campeão, agora a situação é mais intrincada. A federação dinamarquesa está em guerra com os jogadores da seleção devido às verbas resultantes dos direitos de imagem, e as principais estrelas, como Christian Eriksen (Tottenham), Andreas Christensen (Chelsea) ou Kasper Schmeichel (Leicester), recusaram a mais recente proposta do organismo. Como resposta, a federação decidiu suspender os jogadores que habitualmente são chamados à equipa, assim como o selecionador Age Hareide. Até aqui tudo poderia ser encarado como uma situação minimamente normal. Mas piorou. E de que maneira...

Com o duplo compromisso contra Eslováquia (jogo de preparação) e País de Gales (1ª jornada da Liga das Nações) ao virar da esquina, a federação colocou John Jensen, antigo médio do Arsenal e campeão europeu no tal triunfo de 1992, como treinador interino e convocou jogadores amadores das divisões secundárias e até jogadores da seleção de... futsal! Sim, está a ler bem – a Dinamarca vai arrancar a prestação na Liga das Nações com jogadores do 4º escalão daquele país e outros provenientes de uma modalidade diferente, como Christopher Haagh, Victor Hansen ou Adam Fogt.

Uma tremenda confusão e que obrigou o selecionador interino a comentar: "Neste conflito só vejo derrotados. Todos ficam a perder, especialmente o futebol. Estou aqui porque me pediram ajuda. Esperemos que após estes jogos possa haver entendimento."

Eslovacos ficam a perder... dinheiro

A pesar de não ter culpa nenhuma, a federação eslovaca vai pagar a fatura desta rocambolesca história. E é mesmo de dinheiro que se fala. Confrontados com a chegada de uma comitiva com jogadores que não estão habituados a estas andanças, os eslovacos baixaram os preços dos bilhetes e apresentaram queixa na UEFA. "Qual é a lógica de viajar com uma equipa assim? Desportivamente, não vamos tirar nada do jogo", frisou o selecionador Jan Kozak.

Equipa feminina também já sofreu

Apesar de estarmos perante a seleção de um país pouco habituado a problemas financeiros, a verdade é que este é um caso recorrente na Dinamarca. Há menos de um ano a seleção feminina boicotou o jogo de qualificação para o Mundial, frente à Suécia, devido às condições de trabalho que tinham. A federação foi multada em 25 mil euros e a Suécia venceu por 3-0. Apesar disso, a Dinamarca esteve no Mundial, tendo pena suspensa – se voltar a falhar um jogo nos próximos quatro anos fica fora dos torneios UEFA.

Eriksen no papel de negociador

Cristian Eriksen, capitão e principal figura da seleção dinamarquesa, está a ser a ponte entre as duas partes deste conflito. Em comunicado, o médio do Tottenham mostra vontade de resolver a situação, mas sem abdicar daquelas que considera serem aspirações legítimas por parte dos internacionais dinamarqueses.

"Estamos a tentar resolver o conflito e não a abrir mais trincheiras nesta guerra. A nossa proposta é renovar o contrato anterior por um mês e depois teremos tempo para negociar e encontrar soluções. Não tem lógica que a federação não aceite esta proposta. Se o fizer, vamos imediatamente para o avião e jogamos", garantiu ontem Eriksen.

Confrontado com as muitas críticas por parte dos adeptos, que consideram que esta atitude faz dos jogadores uma espécie de mercenários, Eriksen é direto e explica que há muito mais do que o dinheiro quando se enverga a camisola da seleção. "Podíamos estar em casa com as nossas mulheres e os nossos filhos. São os clubes que nos pagam os salários. Há uma razão para virmos à seleção e essa razão não é definitivamente o dinheiro. Estamos aqui porque gostamos de jogar pela Dinamarca, mas temos de ser respeitados", rematou.

Por João Seixas
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