Infantino faz ultimato às federações: ou aceitam vender Mundial a privados ou ficam sem receitas extra

'The Times' revela mais detalhes da proposta do presidente da FIFA, que acena com 35 milhões de euros

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Donald Trump e Infantino
Donald Trump e Infantino • Foto: AP
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A intenção de Gianni Infantino em vender participações do Mundial de futebol a investidores privados teve um novo - e importante - desenvolvimento, com o 'The Times' a revelar que o presidente da FIFA indicou 19 de setembro como data limite para as 211 federações que integram o organismo darem luz verde ao seu novo plano, conforme explicou em carta. Se o fizerem, poderão arrecadar até 35 milhões de euros (40 milhões de dólares) como incentivo; caso contrário, essa verba, relativa a programas de desenvolvimento local, descerá para cerca de 8,7 M€ (10 milhões de dólares).

Numa carta a que o jornal britânico teve acesso, o responsável pela organização que rege o futebol mundial deixa bem claro. "Se aceitarem, este pacote de 10 mil milhões de dólares estará disponível a partir de 1 de janeiro de 2027, dando início à próxima fase da nossa caminhada em conjunto. Em troca, apenas pedimos que mantenham a vossa confiança - o resto é igual. Caso decidam manter o staqus quo e optem por rejeitar esta proposta, permanecerá em atividade o nosso plano de expansão com o programa 'Forward' no valor de 2,7 mil milhões de dólares, como estava previsto. No total, cada federação terá a possibilidade de aceer a 40 milhões de dólares cada uma no âmbito desta proposta a partir do próximo 1 de janeiro", pode ler-se.

Num dos pontos da missiva, é referindo ainda que, neste novo programa, cada federação recebe já 20 milhões de dólares caso aceitem participar no mesmo, mas terão de tomar uma decisão até ao tal prazo de 19 de setembro. Depois, como foi dito em cima, encaixará 40 milhões de dólares por cada ciclo, a começar a 1 de janeiro. Quanto ao programa ainda em vigor, Infantino recorda que o mesmo se limita a 20 milhões de dólares por ciclo para cada associação, com possibilidade de subida para 22 milhões (2031-34) e posteriormente 24 milhões (2035-38).

Como funcionará a nova 'FIFA Forward Enterprise'

Para que a criação da 'FIFA Forward Enterprise' possa avançar, é necessário que mais de 50% dos membros aceitem o plano, além do "apoio expresso" do Conselho da FIFA. Esta empresa, conforme foi ontem revelado, passará  a ser liderada por Infantino em 2031 (depois do final do atual mandato) e concentrará os principais ativos comerciais, como os direitos de transmissão televisiva e de patrocínio, das competições da FIFA, incluindo o Mundial. A ideia passa por vender cerca de 20% do capital a investidores privados e captar mais de 4 mil milhões de dólares. A FIFA está a trabalhar com o banco JPMorgan para estruturar a operação e o fundo Thrive Eternal de Joshua Kushner - irmão do genro de Donald Trump - é um dos principais potenciais investidores, conforme a própria organização confirmou ao 'The Times'.

Se assumir a liderança desta nova empresa em 2031, Infantino poderá receber legalmente uma remuneração milionária, beneficiando da entidade comercial cuja criação está a ser promovida pela FIFA durante o seu próprio mandato.

UEFA pondera boicote ao Mundial após anúncio do plano

Na sequência da intenção de Infantino em privatizar o Mundial, as seleções europeias que compõem a UEFA estão a discutir a possibilidade de boicotar o Campeonato do Mundo, segundo a Sky Sports. Os responsáveis pelas federações devem fazer uma reunião de emergência, virtualmente e ainda esta semana, para discutir a melhor forma de fazer oposição à organização que tutela o futebol mundial.

Mas entretanto, a própria UEFA já tinha reagido em comunicado, com duras críticas: "Isto ultrapassa uma linha que as instituições que governam o futebol nunca deveriam ultrapassar. A UEFA leva esta questão extremamente a sério. Todas as federações nacionais deveriam fazer o mesmo. Todos os intervenientes deveriam fazer o mesmo: ligas, clubes, jogadores, adeptos, governos e todos aqueles que se preocupam com o futuro do futebol. (...) A alma e a governação do futebol não são ativos para negociar — especialmente quando não existe qualquer transparência sobre quem beneficia financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. O futebol não pertence à FIFA para ser vendido", está escrito na nota do organismo.

Com: J.F.M

(em atualização)

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