A força do coletivo no Mundial inovador

A força do coletivo no Mundial inovador
A força do coletivo no Mundial inovador • Foto: EPA
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Quem esperava um Mundial com uma marca inequívoca de Ronaldo, Messi ou Neymar ficou certamente desiludido. As cortinas já se fecharam e, apesar de o segundo ter tido, aqui e ali, alguns lampejos que foram guiando a Argentina a uma final volvidos 24 anos, acabou mesmo por ser a força do coletivo alemão a fazer a diferença. E este elemento serve tanto para destacar os heróis e as surpresas como para lamentar as desilusões de um Mundial que também ficou marcado pela inovação – tecnologia da linha de golo e paragens técnicas a meio de cada parte de alguns jogos –, pelo fim de um mito e outros momentos caricatos.

Desilusões

Vista como a favorita à entrada para a competição, a ex-campeã do Mundo Espanha acabou por tornar-se na grande desilusão do Mundial’2014. Se é verdade que o grupo B, com Holanda, Chile e Austrália, era visto como acessível, a goleada sofrida na estreia frente aos holandeses (1-5) deixou antever o desastre. Que se confirmou com a derrota frente ao Chile. O triunfo de honra frente à Austrália já não apagou a imagem de uma equipa perdida e a precisar da renovação.

Já a Itália e a Inglaterra – por não terem sequer ficado perto da qualificação no grupo D – e o Brasil – principalmente pelo fraco futebol produzido e pela goleada histórica sofrida frente à Alemanha (1-7) nas meias-finais – compõem o lote das desilusões, no qual ainda se deve incluir as eliminações prematuras de Portugal e Rússia em grupos “acessíveis”.

Surpresas

Neste lote, destaque para três seleções: Costa Rica, Colômbia e Argélia. A primeira foi mesmo uma das inesquecíveis do Mundial’2014, pois era apontada como o bombo da festa no grupo D – com Inglaterra, Itália e Uruguai – e acabou por ganhá-lo com o melhor ataque (a par dos uruguaios), melhor defesa e sem derrotas. Depois eliminou a Grécia nos penáltis dos “oitavos” e acabaria por cair desta forma nos “quartos” frente à... Holanda. A Colômbia surpreendeu, principalmente pela descrença que havia por Falcão não participar. Mas surgiu um (grande) James a embalá-la até aos “quartos”. E a Argélia qualificou-se no grupo da Rússia, vendendo depois muito cara a derrota à... nova campeã mundial.

Surpresas à parte, a Alemanha foi a primeira seleção europeia a ganhar um Mundial na América do Sul e ainda houve tempo para momentos caricatos: a exigência financeira do Gana para defrontar Portugal e o desentendimento no relvado entre camaroneses (Assou-Ekotto e Moukandjo).

“Injusto”

No fim, a FIFA atribuiu a Bola de Ouro do Mundial a Messi e nem Maradona concordou: “Se pudesse, dava o céu a Messi. Mas não é correto. É injusto quando alguém ganha algo em vez dos que merecem só por causa de um plano de marketing. Foi o que aconteceu.”

Mascote sem relevo

O Brasil escolheu para mascote do Mundial’2014 o Tatu “Fuleco”, animal em vias de extinção no país e que se esconde numa carapaça esférica, que faz lembrar uma bola de futebol. Mas o “Fuleco” – conjugação das palavras Futebol e Ecologia – esteve bastante... escondido ao longo da prova. As curtas aparições na abertura e no fecho não sensibilizaram os espectadores.

Mundial das selfies

A competição em que as pessoas tiraram mais fotografias a si próprias, sozinhas ou acompanhadas – Ronaldo, por exemplo, tirou uma com Cavaco Silva e demais companheiros antes da partida –, ficou na memória dos portugueses. No fim, foi a vez da seleção alemã fazer o mesmo com a sua chanceler Angela Merkel.

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