Akwá: «Podem contar com Ronaldo»
Ponta-de-lança angolano destaca o papel de CR7 na seleção que vai apoiar no Mundial do Brasil...
Fabrice Maeico, vulgo Akwá, criou grande expectativa quando, em 1994, surgiu com a camisola do Benfica. O ponta-de-lança angolano não conseguiu pegar de estaca e ainda passou pela Académica antes de partir para as arábias, onde acabaria por brilhar no Qatar. Hoje, com 36 anos, e já retirado do futebol, o antigo goleador abre aqui algumas páginas do seu caderno de memórias.
RECORD – O que espera da participação da seleção portuguesa no Mundial do Brasil?
AKWÁ – Portugal tem tudo para fazer um bom campeonato, embora esteja num grupo complicado. A seleção portuguesa tem bons jogadores e tem o melhor jogador do Mundo, que se chama Cristiano Ronaldo. No playoff, ele mostrou isso mesmo e a forma como festejou, ao dizer “eu estou aqui”, é mesmo de alguém com quem se pode contar em todos os momentos. Nós, angolanos, vamos estar todos a apoiar Portugal e esperamos uma boa participação.
R – Angola só conseguiu estar presente no Mundial de 2006, na Alemanha. O que fez com que falhasse o Mundial de 2010 e este?
A – Bem, acho que acabámos por nos acomodar. Quando se atinge o topo é preciso que haja sustentabilidade para que as coisas voltem a acontecer. Tem faltado sobretudo uma grande aposta, e as pessoas que estão por dentro não têm conseguido levar o barco a bom porto. Não basta ter infraestruturas e um orçamento muito acima das outras seleções. O dinheiro não é tudo. Ajuda, mas não é tudo. Se pensarmos que temos dinheiro, só assim, não vamos lá.
R – Nesse Mundial de 2006, Angola começou com uma derrota (frente a Portugal) e somou depois dois empates (México e Irão). Não foi mau para um estreante...
A – Nada mau mesmo. Cada jogo tem a sua história e o jogo com Portugal teve a sua história no golo que Portugal conseguiu marcar muito cedo. Apesar disso, conseguimos fazer um jogo aberto, fomos atrás dos nossos golos mas não aconteceu. A verdade é que no jogo anterior que havíamos realizado com Portugal, em Alvalade, tínhamos perdido com por 7-1 e muitas pessoas pensavam que ia voltar a ser um descalabro. No fundo, a seleção angolana acabou por ter um desempenho positivo. Sabíamos que ia ser muito difícil passar a fase de grupos mas estivemos quase lá. Representámos bem o nosso país e saímos da competição de cabeça bem erguida e com o dever cumprido.
R – O Akwá acabou por ser sempre titular, mesmo tendo na equipa o Mantorras e o Love Cabungula, que era na altura o melhor marcador do Girabola...
A – Sempre fui titular na seleção de Angola! É verdade que na altura estava sem clube, mas o professor Oliveira Gonçalves acreditou em mim, pois conhecia as minhas qualidades e também as de todos os meus companheiros. Cumprimos perfeitamente o nosso papel e a participação no Mundial da Alemanha acabou por ser um dos pontos mais altos da minha carreira, um momento que jamais esquecerei.
«Benfica não apostou em mim»
R – Podia ter feito mais na sua carreira em Portugal e, sobretudo, no Benfica?
A – Agora é fácil falar. As coisas aconteceram assim e não conforme eu sonhava. Queria ter sido um jogador decisivo para o Benfica, mas a verdade é que nunca houve uma grande aposta em mim. Mas também posso dizer que tive a minha dose de culpa, principalmente no meu primeiro ano no clube, que tem uma dimensão enorme, como todos sabem. Nesse ano fui muitas vezes chamado à seleção e esse foi um facto que acabou por me prejudicar. Assumo o meu fracasso, mas a minha vida continuou noutros clubes e no Qatar acabei por fazer história.