Argentina-Irão, 1-0: Genialidade deita por terra sonho islâmico

Segunda parte sensacional dos pupilos de Carlos Queiroz merecia outra sorte. Sul-americanos estão nos "oitavos"

Argentina-Irão, 1-0: Genialidade deita por terra sonho islâmico
Argentina-Irão, 1-0: Genialidade deita por terra sonho islâmico • Foto: REUTERS
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Quem, antes da partida, afirmasse que a toda-poderosa Argentina teria dificuldades para superar o Irão arriscava-se a ouvir comentários pouco abonatórios em relação aos seus conhecimentos futebolísticos. Pois bem, após o duelo de Belo Horizonte, há que começar logo por dizer que os sul-americanos venceram – e asseguraram, desde já, a qualificação para os “oitavos” – mas não mereceram.

Os argentinos dominaram o encontro, tiveram a bola quase sempre em seu poder (70%), remataram mais vezes mas, tendo em conta a valia dos seus artistas, ficaram bastante aquém do rendimento esperado. Já a formação islâmica, taticamente muito bem disposta no campo – reduzindo os espaços que o opositor tanto gosta para explanar o respetivo virtuosismo técnico – e com uma entreajuda impressionante entre todos os elementos, esteve a escassos segundos de conseguir o maior feito da sua história. E a coisa, sem um erro grosseiro do juiz, até podia ter sido ainda mais espetacular. Mas, no fim, tudo ruiu...

Controlar e surpreender. Os pupilos de Carlos Queiroz, depois de uma primeira parte na expectativa – procurando, essencialmente, manter a sua baliza inviolada – surgiram mais rápidos, desinibidos e perigosos na segunda. E isso baralhou o adversário que, se por um lado precisava de atacar para marcar e poder ganhar, por outro começou a perceber que, a qualquer altura, podia cair-lhe em cima um tremendo balde de água gelada. E, de facto, os momentos de inspiração do ataque do Irão apareceram. A sorte (e não só) é que, decididamente, nada quis com o conjunto asiático que, objetivamente, esteve muito perto de protagonizar mais uma enorme surpresa neste Campeonato do Mundo.

Os iranianos, que não mereciam sair de mãos a abanar pelo esforço feito ao longo de todo o jogo, foram traídos pelas boas defesas de Romero, por um “tiro” certeiro de Messi – já no período de compensação – e pelo árbitro que se “esqueceu” de marcar um penálti claro de Zabaleta sobre Dejagah aos 54 minutos.

Pelo meio, o que se viu foi uma Argentina aos soluços, com Messi intermitente, Higuaín perdido, Aguero pouco inspirado, os laterais a desequilibrar pouco (Rojo melhorou imenso na segunda parte) e dois médios defensivos sem muito para fazer (Enzo Pérez teria sido uma aposta mais lógica). Di Maria foi o melhor até aparecer, como tantas vezes, o génio de Messi a resolver um problema que, inesperadamente e perante a surpresa geral, se tornou bem bicudo.

ÁRBITRO
O sérvio Mazic já tinha deixado perceber no Alemanha-Portugal que não é um juiz de topo. A confirmação chegou agora, com nova arbitragem com pouco (ou nenhum) critério disciplinar e um erro gigantesco que – e isto é o pior – mexeu com o desfecho. Se tivesse assinalado o penálti de Zabaleta o jogo poderia ter tido outro final.

MOMENTO
O empate parecia um mal menor para os argentinos quando, já na compensação, se soltou o génio de Messi. O prodígio do Barcelona tirou um adversário da frente e, ainda fora da área, assinou um remate cruzado que não deu chances ao guarda-redes iraniano. Um golo de belo efeito, típico da estrela sul-americana. Quem tem esta qualidade pode dar-se ao luxo de só aparecer em jogo às vezes.

NÚMERO

70 A percentagem de posse de bola por parte do argentinos foi avassaladora e, durante a primeira parte, chegou a ser ainda maior. Mas, como tantas vezes sucede no futebol, isso pode não significar um bom desempenho, nem sequer uma chuva de oportunidades de golo. Esta temporada, ao serviço do Barcelona, Messi constatou alguma vezes. Eontem esteve prestes a confirmar a tese.

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