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Carlos Manuel: «Saltillo teve tudo a ver com pessoas»

Carlos Manuel: "No Euro'84 havia divisões no grupo mas os resultados disfarçaram. Em Saltillo, o grupo estava unido"...

Carlos Manuel: «Saltillo teve tudo a ver com pessoas»
Carlos Manuel: «Saltillo teve tudo a ver com pessoas» • Foto: DR RECORD

Chegou ao Benfica no verão de 1979 depois de um ano fulgurante no Barreirense. Tinha ao lado gente como Toni, Shéu ou Chalana e depressa ganhou a confiança de todos. Nove épocas depois, deixou a Luz para a única experiência no estrangeiro, no Sion. Não gostou e voltou a Portugal, cumprindo duas épocas no Sporting. Andou por Boavista e Estoril, onde pendurou as botas e iniciou a carreira de treinador. Fez mais de 530 jogos e marcou 83 golos. Na Seleção foram 42 jogos e 8 golos...

RECORD – Que imagem gostava que ficasse da Seleção Nacional que esteve no México em 1986 – a dos rebeldes de Saltillo ou da equipa que levou Portugal a uma nova fase final do Mundial, 20 anos depois dos Magriços de Inglaterra?

CARLOS MANUEL – Fala-se sempre mais das coisas negativas. Mas é evidente que gostava muito mais da segunda imagem. Fomos uma geração que virou o futebol português. Os anos 80 foram fantásticos para o futebol português – e não teve apenas a ver com a Seleção, teve a ver com o Benfica numa final europeia, com o FC Porto a ser campeão europeu. Mesmo assim, tenho a certeza que as pessoas aceitam mais pelo lado positivo, porque nós fomos uma Seleção fortíssima.

R – É com aquela Seleção que Portugal dá um passo em frente e passa a olhar os adversários de frente?

CM – Sim, sem dúvida. Havia qualidade de jogadores em abundância – mais do que hoje. Era fácil formar uma seleção, mas era mais complicado escolher um onze. Havia jogadores marcantes... basta olhar para avançados como Nené, Fernando Gomes, Manuel Fernandes ou Jordão. A geração de 70 acho que ainda tinha mais qualidade do que a nossa. Oliveira, Humberto Coelho, Toni, Shéu, João Alves... Claro que tivemos problemas, na altura havia ainda muita divisão causada pelos clubes. O que acontece no México tem a ver com o Europeu de 1984 em França, onde conseguimos um lugar fantástico, mas havia problemas dentro do grupo, que os resultados disfarçaram. Em Saltillo, o grupo estava unido.

R – Antes do jogo com a Polónia há a lesão de Bento. Abalou o grupo?

CM – Sim, mexeu muito connosco e não tem a ver com a qualidade de quem o substituiu, o Vítor Damas. O Bento, para a maior parte daqueles jogadores, era o capitão, o pai, o amigo, um homem extraordinário. Mas também não podemos dizer que foi só por isso que perdemos com a Polónia. Não conseguimos. Eles foram melhores. Se ganhássemos, podem ter a certeza que a Federação caía.

R – Por que é que Saltillo foi um ponto de viragem no futebol português?

CM – Em termos de organização, de início do diálogo, porque antes de Saltillo o diálogo não existiu. Quando se fala em Saltillo, fala-se só em termos monetários. Saltillo não teve apenas a ver com isso, teve a ver, acima de tudo, com pessoas e com respeito. As pessoas da Federação que deviam dialogar com os jogadores, como hoje fazem, desapareceram. O presidente, Silva Resende, só apareceu em Guadalajara antes do último jogo com Marrocos. Apareceu com o cônsul de Portugal a entrar no balneário antes do jogo. Coitado do cônsul, que nunca esperou ouvir o que ouviu.

O médio dos golos letais

Carlos Manuel trotou meio Mundo atrás do futebol, mas quem o quiser encontrar, o melhor é ir à sua Moita natal, com um braço do Tejo a deixar ver Lisboa lá longe. A mesma Lisboa, do Benfica, que passou a ser a sua casa a partir de 1979, tinha apenas 21 anos, depois de se ter notabilizado na CUF e no Barreirense como médio de pulmão inesgotável – daí a “Locomotiva do Barreiro”.

No Benfica e na Seleção Nacional tornou-se no motor ofensivo do meio-campo, e para quem só se lembra dos golos de Estugarda, à Alemanha, e de Monterrey, à Inglaterra, antes e durante o Mundial do México de 1986, ele próprio gosta de recordar um outro, a 28 de outubro de 1983, frente à Polónia, em Wroclaw, que também valeu uma preciosa e decisiva vitória por 1-0. Sem esse triunfo na Polónia, de nada teria valido, depois, o famoso penálti sobre Chalana e transformado por Jordão frente à URSS.

O golo à Inglaterra, em Monterrey, foi o último dos oito que marcou em 42 jogos pela Seleção Nacional. Depois de Saltillo não mais voltou.

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