Deuses nos relvados

DA relevância Do guarda-redes NEUER AOS GOLOS DE JAMES rodríguez PASSANDO PELO TALENTO DE ROBBEN, MESSI e da armada alemã com MÜLLER, kroos, HUMMELS, lahm...

Deuses nos relvados
Deuses nos relvados • Foto: EPA

Chegou ao fim o Mundial’2014, com vencedor esperado e um rasto de talento cujo balanço agora se faz, com o sentimento de nostalgia provocado por um mês em que, como sintetizou Jorge Valdano noutra altura, foi domingo todos os dias. Definir um onze entre dezenas de grandes jogadores e eloquentes manifestações de talento, umas parciais outras mais insistentes, não é simples. Mas podemos sempre fazer este exercício que procura cometer o menor número possível de injustiças.

Neuer

Vistas as coisas à luz do futebol atual, foi ele o melhor jogador do Mundial, o mais regular, o mais decisivo, que sustentou a inovação de vermos um elemento só conhecido por jogar com as mãos, servir agora de arma tática também pela qualidade do jogo com os pés. Ao contrário de outros, Neuer não precisou de um desempate da marca de grande penalidade para se assumir como grande protagonista da competição.

Lahm

O capitão alemão começou integrado na linha média, no seguimento do que tem feito no Bayern Munique. Contingências várias, a principal das quais os problemas físicos de Mustafi, recuou para a direita da defesa, onde ainda foi a tempo de mostrar que é, a larga distância, o melhor lateral da atualidade. Numa função ou noutra, a verdade é que fez um Mundial de grande qualidade.

Hummels

Dois golos marcados (um a Portugal) e a confirmação da qualidade que lhe confere o estatuto de um dos grandes centrais do futebol mundial. O defesa do Borussia Dortmund chegou ao Brasil com algumas limitações físicas que geriu com competência, razão pela qual surgiu sempre em grande plano. Nem ele sonhava que, na meia-final com o Brasil, podia sair ao intervalo já com 5-0 no marcador.

Garay

Sete jogos de ouro do central que trocou o Benfica pelo Zenit. Garay passou pelo grande palco assumindo sempre o seu papel, sem fugir aos duelos, sem cometer um erro. Não foi brilhante porque também não quis sê-lo mas foi perfeito a defender e ainda conseguiu ser excelente iniciador do processo ofensivo, entregando a bola sempre redonda aos companheiros mais adiantados.

Rojo

Jogador que os portugueses conhecem bem como central do Sporting, atuou como lateral-esquerdo na seleção argentina. No cômputo geral foi o melhor do Mundial na função que desempenhou, apesar das boas indicações do suíço Ricardo Rodríguez. Pelo caminho falhou um jogo por acumulação de amarelos mas manteve a bitola elevada até ao jogo decisivo com a Alemanha.

Mascherano

No final de uma temporada em que atuou normalmente a central no Barcelona, regressou ao habitat natural no meio-campo e logo para assinar uma prestação notável, que lhe vale o estatuto de melhor pivô defensivo da competição. Em boa verdade foi o melhor da Argentina, o mais regular, o que durou mais tempo. Um guerreiro que nunca falhou, do primeiro ao último jogo.

Kroos

Mesmo que não tenha confirmado na final a preponderância na equipa e o futebol sublime que jogou durante todo o Mundial, o que fez antes confere-lhe o estatuto de uma das estrelas mais brilhantes da companhia. A final, de resto, se lhe tivesse corrido bem tê-lo-ia colocado como potencial melhor jogador da prova e até forte candidato a ganhar, no fim do ano, a Bola de Ouro.

Messi

É sempre figura, porque é um génio, porque tem o perfil dos deuses e não sabe jogar mal. Na fase de grupos rebocou a equipa apontando quatro golos sem os quais a Argentina teria sido eliminada. Posto isto, importa reconhecer que esteve uns furos abaixo do que costuma fazer, em qualidade e em quantidade. O prémio de melhor jogador do Mundial não faz qualquer sentido. Até ele se surpreendeu.

James

O colombiano foi uma figura incontornável do Brasil’2014. Jogou cinco jogos, 399 minutos, marcou seis golos e espalhou pelos relvados brasileiros o perfume intenso de um futebol deslumbrante e avassalador. Os números, de resto, fizeram-lhe justiça: foi o melhor marcador da competição. Isto para lá de ter marcado, ao Uruguai, aquele que bem pode considerar-se o melhor golo do Mundial.

Thomas Müller

O alemão teve um início deslumbrante, para mal dos pecados da Seleção Nacional: nos 4-0 a Portugal apontou três golos. Desde então oscilou entre ser ponta-de-lança e atuar junto à linha no flanco direito, tarefa que desempenhou até abrir caminho a Miroslav Klose. Müller tornou-se referência da Alemanha e figura do Mundial. Aos 24 anos já tem 10 golos no grande palco. Se nada lhe acontecer de anormal, tem na mira o recorde de 16 tentos.

Robben

Um Mundial deslumbrante, no qual concentrou o infinito potencial como talento explosivo, vibrante, desequilibrador... Dono de um pé esquerdo só comparável a Messi e James, o holandês assumiu quase por inteiro a despesa criativa de uma Laranja Mecânica menos atrevida, que deixou os seus avançados mais entregues à sua sorte. Um dos três jogadores em maior destaque na competição.

O grande méritode Joachim Löw

Não tem o suporte de uma grande carreira como treinador mas é o rosto da grande conquista germânica no Brasil. Joachim Löw merece, por isso mesmo, o título de melhor selecionador entre todos quantos marcaram presença no Mundial. Porque foi fiel aos princípios de sempre; porque ninguém jogou mais e melhor do que a Alemanha; porque teve sempre soluções para ultrapassar os obstáculos que lhe surgiram pela frente. Menção honrosa para Jorge Luis Pinto, o colombiano que dirigiu a Costa Rica; para José Pékerman, o argentino que comandou a Colômbia e para Didier Deschamps, responsável por uma França que apresentou futebol e equipa para chegar muito mais longe.

Grandes guarda-redes

Este foi, sem dúvida, um Mundial de guarda-redes: Neuer, Navas, Ochoa, Romero e Tim Howard exibiram-se a um nível altíssimo, com destaque para os três primeiros e ainda para o norte-americano que, no jogo dos “oitavos” com a Bélgica, estabeleceu um novo recorde de defesas num jogo do Mundial: 16. Nas balizas, também houve quem brilhasse. Neuer, Navas e Ochoa deram espetáculo.

Inovação na arbitragem

As arbitragens começaram tremidas, com vários erros, mas melhoraram com o decorrer da competição. A destacar neste campo, a aposta na tecnologia da linha de golo, para tirar as dúvidas, e ainda as famosas marcações com uma espuma que chegou a ser criticada por alguns jogadores. Mas percebeu-se que se trata de um utensílio importante para respeitar distâncias nos lances de bola parada.

Recorde de Klose

Foi precisamente no Brasil que o alemão Miroslav Klose destronou o... brasileiro Ronaldo Fenómeno do topo dos melhores marcadores em Mundiais. Um golo ao Gana e um ao Brasil permitiram-lhe chegar aos 16, mais um que o Fenómeno. E, assim, este Mundial igualou o de 1998, em França, como o mais profícuo: 171 golos.

Dentada de Suárez. Aos 80 minutos do Itália-Uruguai, Luis Suárez invadiu a área italiana, encostou-se a Chiellini e mordeu o defesa no ombro. Era a repetição de um ato que passou algo despercebido no jogo – Chiellini bem se queixou, mostrando a marca dos dentes – mas que, no final, motivou um castigo pesado: 4 meses suspenso de toda a atividade desportiva e 9 jogos de castigo na seleção. A FIFA foi contundente.

Paragens técnicas

O EUA-Portugal foi o primeiro jogo interrompido durante uma parte para os jogadores ingerirem líquidos, devido às altas temperaturas em Manaus. A experiência foi repetida nos jogos com mais calor e humidade.

Lesão de Neymar

Foi ele quem ainda deu, durante o Mundial, alguma confiança à seleção brasileira e aos adeptos em relação à conquista do título. Mas a lesão sofrida nos quartos-de-final, após entrada dura do colombiano Zuñiga, tirou-lhe a oportunidade de ajudar a equipa no momento crucial e o Brasil ressentiu-se em demasia. O novo ídolo do escrete disse adeus e a única chama que a equipa de Scolari ainda tinha... apagou-se.

Choro dos brasileiros

Os primeiros sinais de desequilíbrio emocional dos internacionais brasileiros apareceram logo após o triunfo sobre o Chile nos oitavos-de-final, em penáltis. Vários jogadores não evitaram as lágrimas, com destaque para o antigo benfiquista David Luiz e o guarda-redes Júlio César no flash interview. Devido às críticas dos adeptos, a equipa técnica liderada por Scolari chegou mesmo a contratar uma psicóloga mas as lágrimas regressaram após o triunfo suado frente à Colômbia, incluindo as de Neymar, que se viu privado da meia-final e final.

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