Rússia: Reorganizar e italianizar com 2018 no horizonte

FORMAÇÃO DE CAPELLO SONHA CHEGAR AOS "QUARTOS"

Reorganizar e italianizar com 2018 no horizonte
Reorganizar e italianizar com 2018 no horizonte • Foto: REUTERS

O futebol da seleção russa, com Capello ao leme, perdeu espetacularidade e ganhou consistência defensiva, fruto de um aparente incremento tático e mental. O Brasil será o palco ideal para comprovar a metamorfose italo-russa e recuperar, a quatro anos do seu Mundial, o prestígio perdido.

“A cabeça é o motor da vitória, e não as pernas.” Foi esta a frase-chave da apresentação de Fabio Capello, em julho de 2012, como selecionador russo. A eliminação na fase de grupos do Euro’2012, onde a aposta do holandês Dick Advocaat num futebol de cariz ofensivo redundou num fracasso, tornava premente a necessidade de efetuar um intenso trabalho psicológico com um grupo de jogadores que acasala virtuosismo técnico com inconsistência tática e volubilidade mental.

Ausente de um Mundial desde a dececionante prestação em 2002, a Rússia, que apenas por uma vez – no Euro’2008 com Guus Hiddink – ultrapassou a 1.ª fase de uma grande competição internacional desde o desmembramento da União Soviética, iniciou um processo de reorganização e italianização, tornando-se menos espetacular e mais pragmática, o que se revelou determinante para afiançar a qualificação direta para o Brasil num grupo em que foi mais regular do que Portugal.

A base do sucesso foi o aproveitamento do fator casa, onde somou vitórias em todos os jogos, e o render da exuberância ofensiva face a uma crescente consistência defensiva – 5 golos sofridos em 10 jogos –, comprovando a sagacidade de Capello, que viu o seu vínculo contratual ser prolongado até 2018. O estratega italiano tem erigido, de forma pacífica e sem ímpetos revolucionários, um rejuvenescimento gradual da equipa, ainda muito presa à geração semifinalista no Euro’2008, apostando em jovens oriundos da seleção sub-23 – entre os quais se destacam Kokorin, Shatov, Smolov, Schennikov e Belyaev –, que deverão formar parte do núcleo duro no Mundial’2018, onde a Rússia, como anfitriã, pretende chegar longe. No Brasil, Capello aponta para os “quartos”, mas a passagem à 2.ª fase já será um sucesso.

TREINADOR: Fabio Capello

Alcançou o objetivo que lhe pediam: guiar a Rússia, doze anos depois, a uma fase final de um Mundial. Reforçou-o com a qualificação direta e a italianização do jogo de uma seleção mais jovem e menos anárquica. Já renovou até 2018.

A ESTRELA: Roman Shirokov

Protagonista de uma excelente primeira metade de época no Zenit, com 10 golos e 7 assistências em 19 jogos, incompatibilizou-se com Spalletti e rumou, em fevereiro, ao Krasnodar. Dotado de uma ótima visão de jogo e qualidade no passe, sobressai pela mobilidade e sagacidade na desmarcação, aparecendo com grande engenho em zona de finalização, onde explora o remate cirúrgico com o pé direito.

Compactos e agressivos

O 4x3x3 é o sistema preferencial de Fabio Capello, ainda que parta de um 4x1x4x1, já que os médios-alas são obrigados a trabalho defensivo, até porque com o treinador italiano a seleção russa tornou-se mais compacta, agressiva, pressionante e reativa à perda da bola.

Muito cómoda a praticar um futebol apoiado, ainda que com maior tendência para procurar progressões interiores, muitas vezes a um-dois toques, do que exteriores, o que conduz a um certo afunilamento do jogo, resolvido com a capacidade nos passes de rutura dos médios e os movimentos em diagonal dos extremos, perspicazes a aproveitar o trabalho de Kerzhakov a arrastar marcações, a seleção russa revela uma maior tendência para procurar os corredores em contragolpe, surgindo sempre um dos médios – Shirokov ou Faizulin – em zona de finalização.

A explorar, as debilidades do sector defensivo nos duelos aéreos em bola corrida e parada, e o espaço que se cria entre as linhas média e defensiva, tanto em organização como em transição defensiva.

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