Seleção ao pé coxinho

cristiano ronaldo a meio-gás e muita gente em deficientes condições físicas

Seleção ao pé coxinho
Seleção ao pé coxinho • Foto: Pedro Ferreira

Portugal teve no Mundial do Brasil um desempenho medíocre, num contraste gritante com o que havia feito apenas dois anos antes, no Europeu da Polónia e da Ucrânia. O sentimento geral de desilusão é maior se considerarmos que a base da equipa foi precisamente a mesma que esteve à beira de ganhar à Espanha nas meias-finais do Euro’2012. Agora, no Brasil, a Seleção Nacional esteve demasiado dependente do joelho esquerdo de Cristiano Ronaldo e refém do “desaparecimento” de quase todos os demais habituais protagonistas. Foi, se quisermos, uma equipa presa por arames que jogou um futebol ao pé-coxinho.

As razões do insucesso são várias e Paulo Bento já terá lido críticas suficientes em relação às suas escolhas – das logísticas às humanas –, mas importa sempre deixar claro dois temas: que lições podem ser tiradas para o futuro imediato? E que consequências daí advirão para a Seleção Nacional e a próxima campanha para o Europeu de 2016?

Sem Ronaldo e sem equipa

Se é verdade que com um Cristiano Ronaldo a 100% da sua condição talvez as coisas pudessem ter sido um pouco melhores, também convém questionar se homens como Moutinho ou Meireles também estivessem ao seu melhor a equipa não sairia igualmente beneficiada. A conclusão é simples: no Mundial, Portugal não teve Ronaldo e não teve equipa que colmatasse a baixa.

“A posteriori” é sempre fácil criticar as escolhas – do estágio nos Estados Unidos e de Campinas como base no Mundial – mas isso é o mesmo que jogar no Euromilhões depois de se saber a chave. O motivo da má prestação global foi simples: a equipa não teve capacidade para se bater com um dos seus “carrascos” históricos, a Alemanha, e depois quebrou em termos psicológicos com um efeito de dominó de uma sucessão de lesões que mudaram o jogo diante dos Estados Unidos.

Em Salvador, mais do que eventuais erros de arbitragem, Portugal deu o primeiro tiro no pé quando Pepe se fez expulsar num lance sem nexo. Depois, em Manaus, o calor e a humidade soaram a desculpa esfarrapada. A Seleção Nacional fez o mais difícil, marcar cedo e primeiro, mas depois duas lesões mudaram tudo e lançaram uma tempestade de dúvidas sobre toda a gente.

No jogo de desespero, frente ao Gana, houve o pequeno mérito de nunca se ter deixado de lutar e procurar os golos que, afinal, até podiam ter remediado a situação. Mas um Ronaldo a meio-gás falhou três ou quatro oportunidades que normalmente não perdoa e Portugal regressou a casa mais cedo do que podia ter acontecido. E quanto às escolhas de Paulo Bento, pergunta-se: ficou alguém em casa que no Brasil teria, realmente, feito a diferença?

Nani teve finalmente o seu Mundial

Com Cristiano Ronaldo longe da melhor forma, foi Nani quem assumiu o papel de protagonista da Seleção Nacional no Brasil. O extremo foi um dos 4 totalistas (Paulo Bento só não usou Luís Neto e Rafa) e marcou o primeiro golo frente aos Estados Unidos, que abriu uma janela de esperança. Ao longo dos três jogos, foi o mais equilibrado no ataque de Portugal, mas faltou-lhe companhia para outros voos.

Varela voltou a ser uma espécie de arma secreta a sair do banco, marcando o golo do empate diante dos Estados Unidos que adiou a eliminação, mas Éder, por outro lado, não confirmou estatuto e qualidades para ser opção séria na frente do ataque, apesar de, por força das circunstâncias, ter sido o mais utilizado dos três pontas-de-lança que Paulo Bento levou.

Referência ainda para Beto, que confirmou ser, hoje em dia, o melhor guarda-redes português e a reclamar a titularidade no começo da campanha do Europeu.

Sete jogadores lesionados

Foram nada menos que sete os jogadores que se lesionaram, com mais ou menos gravidade, ao longo do Mundial. Fábio Coentrão foi o mais significativo de todos, tendo mesmo regressado a casa logo após o jogo com a Alemanha, mas desse encontro restaram mais duas baixas definitivas na prova: Rui Patrício e Hugo Almeida.

No segundo jogo, com os Estados Unidos, mais dois lesionados: André Almeida e Hélder Postiga. Este, ao contrário do que se especulou, havia sido o jogador que “treinou mais à vontade e sem limitações” de todo o grupo, segundo informações recolhidas por Record. Bruno Alves e Ricardo Costa, mesmo nunca deixando de ser opções para Paulo Bento, estiveram dois dias cada sem treinar antes dos jogos com o Gana e Estados Unidos, respetivamente.

E por fim, Beto também teve de sair lesionado já perto do fim do jogo com o Gana. E sem falar em Cristiano Ronaldo, claro. O departamento médico da FPF ouviu críticas, mas a verdade é que, como Record também escreveu na devida altura, não foram os médicos e fisioterapeutas os culpados da onda de lesões.

Bento com meta em Paris

Paulo Bento deixou o Brasil com muito para pensar em relação ao futuro da Seleção e na nova meta, em Paris. A questão principal estará na relação de confiança com os jogadores que não se apresentaram em condições, restando saber de quem foi a “culpa” de terem ido ao Mundial.

Antecipando a qualificação para o Europeu de França, Paulo Bento, e Fernando Gomes, fizeram bem em assumir que a demissão não fazia sentido. Mas agora está obrigado a fazer as mudanças que se adivinhavam antes do Mundial. É verdade que as alternativas de qualidade são poucas, mas está aí a geração dos novos sub-21 para aproveitar. Quem sabe se com Rui Jorge agora como adjunto.

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