Aliou Cissé empunha a bandeira de África

É o único selecionador negro no Mundial e quer mudar mentalidades... a começar pelo penteado

• Foto: EPA

O penteado à cantor de reggae é uma das imagens de marca de Aliou Cissé, o homem nascido há 42 anos em Ziguinchor que dirige a seleção do Senegal desde 2015. É sobre ele que recai grande parte da esperança de um povo que não esquece o fantástico percurso do país no Mundial de 2002.

Capitaneado por Aliou Cissé, espécie de ‘adjunto no terreno de jogo’ do então selecionador Bruno Metsu (entretanto falecido, vítima de cancro), o Senegal atingiu os ‘quartos’ no certame organizado pela Coreia do Sul e Japão. O país regressa agora pela segunda vez ao Mundial, após um jejum de 16 anos. Com o carismático Aliou Cissé ao leme, claro! O antigo médio-defensivo é o único senegalês que se pode gabar de ter participado nestes dois certames! Pode igualmente gabar-se de ser o selecionador mais jovem de todos quantos se encontram a competir na Rússia. Ou de ser o único treinador de raça negra neste Mundial, algo que prefere desvalorizar. "A cor da pele não tem qualquer importância no futebol", justifica Aliou Cissé, reclamando, isso sim, maior protagonismo para os treinadores nascidos em África. "Há muitos jogadores africanos na elite do futebol mundial. O próximo passo é alargar essa situação aos treinadores", explica Aliou Cissé, cujo desempenho no Mundial pode ajudar a abrir muitas portas aos técnicos nascidos naquele continente. A Polónia já conhece o seu veneno, vamos ver se também consegue ‘enganar’ o Japão. Aqui também tem a palavra... Sadio Mané!

Um guia espiritual ‘baratucho’

Aliou Cissé não pode sair à rua no Senegal sem quem lhe peçam, pelo menos, um autógrafo. É um ídolo, uma espécie de guia espiritual de uma nação sedenta de glória. "Tenho a certeza que um dia uma equipa africana vai ganhar o Mundial", vaticina o antigo jogador do Lille, Paris SG, Montpellier, Birmingham e Portsmouth, entre outros.

A forma como gesticula no banco não passa despercebida. Há quem o acuse de fazer teatro para esconder as lacunas técnicas. "Tretas! Sempre fui assim. É pena que não me vejam a almoçar com os amigos (risos)", diz Aliou Cissé, que tem o ordenado mais baixo de todos os selecionadores do Mundial. Leva para casa 200 mil euros por ano...

Por Nuno Pombo
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