Artur Soares Dias e Tiago Martins para fazer vingar o videoárbitro

Árbitros portugueses querem evitar erros como a 'mão de deus' de Maradona

Artur Soares Dias e Tiago Martins
Artur Soares Dias e Tiago Martins • Foto: Ricardo Jr

A 'mão de Deus' de Maradona, em 1986, é um dos múltiplos erros graves de arbitragem que Artur Soares Dias e Tiago Martins pretendem ajudar a evitar na estreia do videoárbitro em mundiais.

"Não é admissível que em 2018 todo o mundo, no estádio ou fora dele, saiba numa questão de segundos se o árbitro cometeu um erro grave, e que o próprio não saiba, não porque não queira saber, mas porque o impedem de o fazer", justificou o presidente da FIFA, Gianni Infantino.

A história dos mundiais está repleta de decisões equivocadas e controversas com impacto em jogos mais ou menos importantes, decisivos, sendo que a FIFA pretende, com o recurso ao VAR (árbitro assistente de vídeo), "aumentar a integridade e justiça" das competições.

Portugal é campeão da Europa, mas não está representado no quadro de 36 árbitros principais e 63 assistentes selecionados para o Mundial'2018: Artur Soares Dias e Tiago Martins vão, contudo, estar entre os 13 designados para a função de videoárbitro (VAR).

Foi a 3 de março que a 132.ª assembleia geral do International Board (IFAB) aprovou, por unanimidade, a introdução do vídeoárbitro nas leis do jogo, tecnologia que o futebol há muito começava a reclamar.

Como fundamentou Infantino, o VAR será para rever "erros claros dos árbitros, envolvendo golos, grandes penalidades, cartões vermelhos e identidades trocadas" e terá a primeira experiência em mundiais precisamente na Rússia, de 14 de junho a 15 de julho.

Raro é o grande evento internacional de seleções sem grandes questões de arbitragem, sendo os danos mais ou menos importantes mediante a fase da prova e a sua ação direta no resultado.

Dos inúmeros erros de arbitragem que o videoarbitro poderia evitar o mais célebre será quando Diego Armando Maradona marcou, com a mão, um golo decisivo para a Argentina afastar a Inglaterra de Bobby Robson das meias-finais de 1986, ano do segundo e último título mundial dos sul-americanos.

"Apresento-te as minhas desculpas senhor Ben Nasser, esse golo marquei-o graças à mão de Deus", disse Maradona, quando, 29 anos depois, visitou o árbitro tunisino Ben Nasser, que validou o tento, ao não se aperceber da infração do argentino.

O VAR teve a estreia oficial em agosto de 2016 num jogo da Liga norte-americana, um mês antes das seleções de França e Itália o testarem num desafio particular.

Austrália e Estados Unidos foram os primeiros países a adotarem o VAR nas suas provas, em 2017, ano em que Alemanha e Itália foram pioneiras na Europa.

O sistema foi introduzido em Portugal na final da Taça de Portugal de 2016/17 e na Supertaça de 2017, tendo também marcado o campeonato agora findo.

Em Inglaterra o sistema vai continuar a ser testado em 2018/19, ano em que a Espanha vai aderir.

A FIFA já tinha utilizado esta tecnologia em 2017 no Mundial sub-20, no Mundial de clubes e na Taça das Confederações - a UEFA está, para já, na fase de admitir o seu uso na Liga dos Campeões 2019/2020 e na fase final do Euro'2020.

O International Board garante que a aprovação do VAR "representa uma nova era no futebol" e que a sua utilização durante os jogos permitirá "aumentar a integridade e justiça" das competições, seguindo a lógica de "mínima interferência-máximo benefício".

A decisão foi tomada depois de ter sido analisado um estudo independente que apontou para um acerto de 98,9% das decisões do VAR desde março de 2016, para menos de 1% de tempo de jogo perdido, tendo optado por manter o protocolo em vigor.

Infantino já admitiu algumas lacunas no sistema, como "melhorar a forma como as decisões são comunicadas ao público nos estádios e aos espetadores", mas o VAR parece ser irreversível no futuro do futebol, a menos que comprometa a verdade desportiva na Rússia.

Artur Soares Dias, da associação do Porto, de 38 anos e internacional desde 2010, e Tiago Martins, de 37 anos, de Lisboa, e internacional desde 2015, integram a lista de nove árbitros europeus designados para a Rússia.

Além dos dois lusos, a lista conta ainda com os alemães Bastian Dankert e Felix Zwayer, os italianos Massimiliano Irrati, Daniele Orsato e Paolo Valeri, o polaco Pawel Gil e o holandês Danny Makkelie, além do qatari Abdulrahman Al Jassim, do brasileiro Wilton Sampaio, o boliviano Gery Vargas e o argentino Mauro Vigliano.

Soares Dias já esteve como VAR na Taça das Confederações de futebol de 2017 e no Mundial de Clubes de 2017.

Estes 13 juízes vão desempenhar apenas funções de VAR, em equipas de quatro, das quais podem ainda fazer parte os 36 árbitros e os 63 assistentes nomeados anteriormente para dirigir jogos, explicou a FIFA.

A seleção dos VAR decorreu da experiência destes árbitros nas competições nacionais e internacionais, assim como da frequência nos cursos de preparação e nas provas da FIFA, nos quais "ampliaram os seus conhecimentos teóricos e práticos sobre o sistema".

O Mundial'2018 realiza-se na Rússia, de 14 de junho a 15 de julho, com a participação da seleção portuguesa, que se apresenta como campeã europeia em título.

Por Lusa
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Mundial 2018

Notícias

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.