A Croácia está pela primeira vez na final de um Mundial, algo que o ex-guarda-redes Tomislav Ivkovic nunca conseguiu viver, ao representar apenas a antiga Jugoslávia, mas que vê com orgulho e confiança.

Depois de afastar a Inglaterra nas meias-finais do Mundial e marcar lugar na final de domingo contra a França, a seleção croata carrega a esperança de um país com pouco mais de quatro milhões de pessoas. E, se no currículo já estava um terceiro lugar em 1998, agora a vontade do antigo guardião do Sporting é de ver a surpresa chegar ainda mais longe.

"Para nós todos é uma surpresa muito grande. É um milagre e não é, porque a equipa mereceu e fez tudo para chegar à final. Mostraram futebol, caráter, personalidade e mostraram como se luta por um país. Claro que com uma pontinha de sorte. Merecemos tudo para chegar nessa grande final com a França", afirmou, em declarações à agência Lusa.

Pelo caminho, além dos ingleses, a Croácia deixou também a Rússia, a Dinamarca e superou com nota máxima um grupo em que figuravam Argentina, Nigéria e Islândia. O último obstáculo ao sonho de um triunfo inédito é a França, o mesmo adversário que colocou um travão na ilusão de 1998, então nas meias-finais, com dois golos do 'herói improvável' Lilian Thuram.

"É difícil encontrar pontos fracos numa equipa que chega à final, mas todos têm. A França joga um futebol disciplinado e é uma fotografia do treinador: Didier Deschamps. Era um homem de meio-campo, que defendia muito bem e organizava a equipa. Não arrisca muito, só um pouco em contra-ataque, com a velocidade de Griezmann e Mbappé. Vamos ver como vai acabar", disse.

Na ótica do ex-futebolista, que passou também por Estrela da Amadora, Belenenses, Vitória de Setúbal e Estoril Praia, "a motivação é grande" e nem o peso de três prolongamentos consecutivos vai prejudicar a equipa comandada pelo selecionador Zlatko Dalic, rejeitando qualquer cansaço perante "o jogo que qualquer jogador sonha jogar" na carreira.

Ivkovic enumera o meio-campo croata como o ponto forte da seleção e coloca em destaque o capitão Luka Modric, para quem 'reclama' a distinção de melhor do Mundial e a Bola de Ouro.

"Penso que já ganhou o prémio de melhor jogador do Mundial. Agora, ganhou a Liga dos Campeões, sabemos da sua importância no Real Madrid, mas também me lembro de que o Xavi e o Iniesta ficaram sempre em terceiro ou quarto [na Bola de Ouro]. Talvez desta vez possa mudar", frisa, sem aludir aos 'suspeitos do costume', Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.

Com a França como adversária na final, a Croácia encontra paralelismo na última grande competição internacional com Portugal. No Euro'2016, foi a seleção portuguesa a sorrir na final, já depois de ter também afastado a congénere croata nos 'oitavos' com um golo de Ricardo Quaresma no prolongamento. Na comparação, Ivkovic inclina-se para a Croácia.

"Portugal fez um jogo disciplinado, taticamente perfeito, ainda por cima com Cristiano Ronaldo lesionado e com o golo do Éder, aliado a uma dose de sorte. Penso que a Croácia, neste momento, tem uma equipa melhor do que Portugal naquela altura", finaliza.

A final do Campeonato do Mundo de futebol entre a França e a Croácia está agendada para este domingo, às 16h, no Estádio Luzhniki, em Moscovo (Rússia).

Autor: Lusa