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Muito menos 'papel' e cada vez mais digital

Pela primeira vez, os lucros da organização não devem aumentar em relação à edição anterior

• Foto: Reuters
Terminado o Mundial, é altura de fazer o balanço. Bem, há contas que a organização já tinha feito ainda antes de a prova arrancar. "Os dados oficiais só vão ser divulgados nos próximos meses, mas a FIFA estima que as suas receitas serão de 400 mil milhões de euros, um valor inferior ao do Mundial do Brasil há quatro anos. E, a confirmar-se, será a primeira vez que acontece, porque as receitas aumentam de edição para edição", revelou, a Record, Daniel Sá, diretor executivo do Instituto Português de Administração e Marketing (IPAM) e especialista em markteting desportivo.

"A principal justificação é a ausência da Itália e dos Estados Unidos, que têm muito impacto. O não apuramento destas seleções significou uma perda de 400 milhões de euros em receitas. A Itália pelo que representa no Mundo do futebol; os Estados Unidos pelo mercado que são. Falamos de menos patrocinadores e menos telespectadores, entre outros aspetos. E também convém não esquecer que, pelos recentes escândalos da FIFA, parceiros como Coca-Cola, Vista e McDonald’s apertaram o cerco e a entidade teve de encontrar novos", acrescentou.

No entanto, nem tudo foi negativo. "Este foi o Mundial mais visto de sempre. Só que, antes, a audiência era baseada na televisão e, atualmente, este é apenas um dos meios. De 1966 e a 2002 assistimos ao reinado da televisão, rádio e imprensa escrita. A partir do Mundial’2002 entra a internet; chegamos a 2018 e a FIFA tem 8 canais digitais diferentes, entre Facebook e Twitter, entre outros, em 8 línguas diferentes. O número de horas e as diferentes plataformas a que a informação chega faz com que tenhamos assistido ao maior evento digital do Mundo. Quantas mais pessoas alcançamos, mais valor tem o produto e mais dinheiro se ganha", apontou Daniel Sá, dando um exemplo prático: "Nos primeiros 9 dias do Mundial, os canais oficiais do Ronaldo nas redes sociais geraram 40 milhões de interações, entre gostos, partilhas e comentários. É revelador de como o futebol também se tornou multiplataforma. E a FIFA sabe-o." 

Portugal com impacto de 400 M€

Antes do início do Campeonato do Mundo, o IPAM divulgou um estudo em que estimava o impacto de cerca de 700 milhões de euros na economia portuguesa em caso da vitória de Portugal no Mundial. O cenário acabou por não se concretizar e, nesta entrevista a Record, Daniel Sá atualizou o valor com a saída da Seleção Nacional nos oitavos-de-final.

"Quatro jogos traduziram-se em 394 milhões de euros em 39 dias porque o impacto é calculado desde que começou o estágio em Portugal até ao adeus da prova. A maioria do impacto é indireto. O único direto é a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que o recebe, com ‘prize-money’ e direitos televisivos. Depois há impactos indiretos através de atividades que não vivem do futebol mas que beneficiam com ele: restauração, associada aos momentos em que assistimos aos jogos, seja o consumo em casa ou em restaurantes; a fatia da publicidade, em que os principais patrocinadores da Seleção, e não só, fizeram reforços de comunicação. E estamos a falar de investimentos avultados. O efeito do ‘merchandising’ também é relevante. Os portugueses que contrataram agências de viagens para ir à Rússia, as apostas online, por exemplo. São áreas que fazem com que economia mexa num sentido positivo", atirou Daniel Sá, comparando-o com o estudo feito antes do Euro’2016: "A vitória no Europeu teve um impacto de 609 milhões de euros, seguindo os mesmos parâmetros. Estamos a falar de mais 3 jogos que Portugal fez do que agora no Mundial."
Por David Novo
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