Foi num 4x4x2 no seu momento de organização defensiva que Portugal se apresentou, preparando já a entrada no Mundial.

Juntou Gonçalo Guedes a Cristiano Ronaldo na linha mais ofensiva no momento sem bola, enquanto que Bernardo e Bruno Fernandes foram os alas do sector médio. As duas linhas de quatro mantiveram-se próximas e com isso retiraram espaço ao ataque da seleção da Argélia, limitando as ações dos muito talentosos Brahimi e Mahrez. (2)

Com bola, a ordem foi para, na organização ofensiva, não expor demasiado a equipa, antevendo os momentos de uma possível perda. Guerreiro mais ofensivo no corredor esquerdo, que beneficiou da interpretação do jogo de Bruno Fernandes, que percebeu sempre o momento para se mover para dentro e receber entre linhas, e quando ficar no corredor lateral. Importante para o caudal ofensivo português foi também a forma como Cristiano e Guedes se revezaram nos apoios frontais e desmarcações de rutura. Enquanto quem estava no lado da bola aproximava, o avançado do lado oposto procurou o espaço que o movimento de apoio libertou. (1)

Foi nos momentos que se seguiram após cada recuperação da posse que a Seleção portuguesa mais investiu, deixando perceber que a fórmula para derrotar a Espanha poderá estar de alguma forma relacionada com as opções táticas tomadas na noite de ontem. Na sua transição ofensiva, emergiu a forma veloz como Ronaldo e Gonçalo Guedes chegaram ao último terço, mas também a importância dos movimentos de Bernardo Silva e Bruno Fernandes, que complementaram sempre as saídas dos dois da frente para o corredor central, aparecendo no espaço interior. Foram estas trocas constantes entre os quatro mais adiantados em cada ataque rápido português que baralhou os posicionamentos defensivos da Argélia, e permitiram a Bruno Fernandes finalizar a preceito bem no centro da área, a solicitação de Ronaldo, no 2.º golo de Portugal (3).

Em suma, partiu e deverá partir na entrada no Campeonato do Mundo de um 4x4x2 de linhas juntas e bem desenhadas sem bola para sair em ataque rápido, aproveitando a tremenda velocidade e capacidade de finalização dos seus dois avançados, enquanto guarda nos alas traços de inteligência e boa decisão, que lhes permitem solicitar os jogadores mais adiantados.


Autor: Pedro Bouças