Jornalista norte-americano morre no Qatar e o irmão fala em assassinato

Grant Wahl colapsou durante a primeira parte do prolongamento do Argentina-Holanda de ontem

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• Foto: Getty Images
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Grant Wahl, jornalista norte-americano de 48 anos, morreu ontem na bancada do estádio Lusail, durante a primeira parte do prolongamento do Argentina-Holanda, e o irmão fala em assassinato.

Wahl desmaiou na tribuna de imprensa, foi assistido - segundo o jornalista da 'Marca' que se encontrava por perto, foram realizadas compressões torácicas no local durante 20 minutos - e retirado do local pelas equipas médicas. Pouco depois surgiu a notícia de que tinha morrido.

"Toda a família do futebol dos Estados Unidos está de coração partido por saber que perdemos o Grant Wahl", escreveu a federação dos EUA nas redes sociais. "A convicção de Grant no poder do jogo para conseguir avanços nos direitos humanos ficará como uma inspiração para todos. Grant converteu o futebol num trabalho da sua vida e sentímo-nos devastados por ele, e a sua escrita brilhante, não estarem entre nós."

Wahl, que era muito crítico do regime do Qatar, queixou-se há dias que estava com problemas respiratórios. Esteve na clínica médica do centro de imprensa, onde lhe foram prescritos antibióticos. "O meu corpo finalmente cedeu. Três semanas de pouco sono, muito stress e muito trabalho podem fazer isto. O que parecia um resfriado nos últimos 10 dias converteu-se em algo mais sério e na noite do jogo entre os Estados Unidos e a Holanda senti que a parte superior do meu peito adquiria um novo nível de pressão e incómodo. Não tinha covid, mas fui à clínica do centro de imprensa e disseram-me que provavelmente tinha bronquite. Deram-me antibióticos, um xarope para a tosse forte e já me sinto um pouco melhor."

Wahl tinha tentado entrar no jogo dos Estados Unidos com o País de Gales com uma camisola arco-íris, em defesa da diversidade sexual. "Um segurança disse que a camisola era 'política' e que não era permitida. Outro recusou-se a devolver-me o telemóvel. Um terceiro gritava que eu tinha de tirar a camisola", contou.

Embora a morte pareça ser de causas naturais, o irmão de Wahl, Eric, suspeita que o jornalista tenha sido assassinado. "Usou a camisola por mim, porque sou gay. Era um homem saudável e penso que foi assassinado. Não quero acreditar que morreu."

Um jornalista norte-americana contou que Wahl estava sob grande pressão e a trabalhar muito. "Não andava a dormir bem. Perguntei-lhe se tinha experimentado melatonina [medicamento para regular o ciclo do sono] ou algo do género. Ele disse 'apenas preciso de relaxar um pouco'."

Uma carreira de sucesso com trabalho também publicado em Record

A mulher do jornalista, Celine Gounder, uma famosa especialista em doenças infecciosas que apareceu na televisão várias vezes durante a pandemia de covid-19, escreveu no Twitter que estava "completamente em choque".

Por seu lado, o porta-voz do Departamento de Estado Ned Price tweetou pouco depois: "Entristece-nos profundamente saber da morte de Grant Wahl".

"Grant fez do futebol o trabalho da sua vida e nós estamos devastados por ele e a sua brilhante caneta já não estarem connosco", escreveu a Federação de Futebol dos Estados Unidos através de uma declaração.

Antes do jogo EUA-Wales de 21 de novembro, Wahl foi detido pelo pessoal de segurança no estádio Ahmad Bin Ali por usar uma T-shirt arco-íris, escreveu no Twitter. Ser homossexual constitui crime no pequeno emirado do Golfo.

Wahl, de 48 anos, cobriu oito campeonatos do mundo masculinos consecutivos, trabalhou para a famosa revista Sports Illustrated, de 1996 a 2020, antes de se juntar à CBS Sports, em 2021 e escreveu igualmente um livro sobre David Beckham.

Em fevereiro deste ano, Record publicou um trabalho exclusivo do jornalista sobre o FC Sherrif, que pode ler aqui:

FC Sheriff: A mais louca história do desporto

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