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Uma maior intensidade de processos ajudará Portugal a crescer em dinamismo ofensivo frente ao estreante Uzbequistão na terça-feira, na segunda jornada do Grupo K do Mundial'2026, assume o treinador luso Pedro Moreira, com passado no futebol uzbeque.
"Portugal vai ter de ser [mais] capaz em situações nas quais não conseguiu ser no último encontro, seja no ataque à profundidade ou na velocidade na recuperação da bola. Esses são os pontos-chave para criar dificuldades ao Uzbequistão, que estará perto da sua área e com muitos jogadores [à frente da baliza]", disse à agência Lusa o técnico, de 51 anos, que orientou em 2024/25 o Pakhtakor, recordista de títulos de campeão uzbeque (16).
Portugal, detentor da Liga das Nações, enfrenta o Uzbequistão na terça-feira, às 12h00 locais (18h00 em Lisboa), no Estádio NRG, em Houston, nos Estados Unidos, para a segunda ronda do Grupo K da primeira fase do Mundial'2026, que tem ainda um duelo entre a vice-campeã sul-americana Colômbia e a República Democrática do Congo em Zapopan, no México.
"Há diferenças de ranking e de experiência muito grandes. É a primeira vez que a maioria destes jogadores do Uzbequistão atua em competições com estas características. Portugal tem muito mais valor para ultrapassar isso e não estar a pensar nesta fase se vai passar ou não [aos 16 avos de final]. Penso claramente que conseguirá o apuramento", reconheceu o antigo técnico de Torreense e Casa Pia, sobre um objetivo destinado aos dois primeiros classificados das 12 poules e aos oito melhores terceiros.
Num grupo liderado pela Colômbia, com três pontos, após a vitória sobre o Uzbequistão (3-1), ainda a zeros, República Democrática do Congo e Portugal têm um cada, face ao empate em Houston (1-1), na quarta-feira.
"Portugal assumiu e controlou o jogo, mas nunca conseguiu elevar muito o ritmo nem preencher os espaços de forma a fazer mossa no adversário. Mesmo assim, esteve sempre muito mais perto de poder ganhar. Agora, há uma preocupação sobre a capacidade de criar mais oportunidades contra blocos baixos. Houve momentos em Portugal teve pouco espaço e nunca circulou a bola com velocidade suficiente para criar dificuldades", avaliou.
Antigo adjunto de Paulo Fonseca, Pedro Moreira continua a ver a Seleção Nacional a "jogar por algo grande e a querer atingir um patamar muito alto" no Mundial'2026, apesar de "não ter sido consistente" frente aos africanos, numa partida em que marcar cedo gerou o efeito contrário do expectável.
"Nesta fase, há que ser capaz de assumir o jogo com a qualidade individual e coletiva que temos, corrigir os erros e dar crédito a estes atletas, que nos deram tantas alegrias e coisas boas nos últimos anos. Foi uma exibição pouco conseguida, mas com controlo e os atletas nem sempre se esconderam. Isso é um fator importante", direcionou o treinador, atualmente sem clube.
Portugal falhou a vitória em rondas inaugurais de Mundiais pela quinta vez em nove presenças - sete das quais seguidas -, enquanto o Uzbequistão, 84.º país a atuar em fases finais e um dos quatro debutantes nesta edição, perdeu na estreia, mesmo tendo "jogado bem e reforçado a capacidade" para atuar perante uma seleção teoricamente mais forte como a Colômbia.
"Foi uma equipa consistente, que defendeu baixo, tal como se previa, mas que alterou alguns comportamentos da linha defensiva na segunda parte, ganhou confiança e criou oportunidades. Esteve bastante melhor na fase final e, curiosamente, foi aí que perdeu o jogo. Apesar de ter chegado ao 1-1, tentou fazer algo mais e perder frente à Colômbia com um golo em contra-ataque não é uma situação muito normal", contextualizou.
Vencedor da Taça do Uzbequistão no ano passado, Pedro Moreira prevê que uma ocupação assertiva do espaço entre os cinco elementos da linha defensiva e os dois médios poderá ajudar Portugal, além do jogo exterior.
"Com a entrada do [selecionador] Fabio Cannavaro, pensava que haveria logo algumas alterações maiores, mas eles estiveram invictos cerca de um ano e só agora, com a subida da competitividade nos encontros de preparação, é que começaram a perder mais. Possivelmente, são mais dominadores dentro do futebol asiático. Mesmo assim, gostam de estar na expectativa e usar as transições ofensivas", pontuou.
O central Abdukodir Khusanov, do Manchester City, e o avançado e capitão Eldor Shomurodov, recordista de golos da história do Uzbequistão (44), encabeçam as opções de Fabio Cannavaro, campeão do mundo como futebolista pela Itália em 2006 e último defesa a conquistar a Bola de Ouro.
"Há um projeto de base com muitos miúdos a crescer e algum sucesso nas seleções de base, que está a ser rentabilizado. Agora, chegando a esta prova, vê-se uma equipa experiente e com poucos atletas de baixa idade. Perto dos 23 ou 24 anos, há alguns que até se evidenciaram mais contra a Colômbia: o lateral direito Bekhruz Karimov, o Akmal Mozgovoy no meio-campo e o Abbosbek Fayzullaev, que fez o golo", concluiu Pedro Moreira.
Por Lusa