"Um mês que passou. Um mês daquela final. Um mês da mentira": é assim que Claudio Tapia, presidente da Associação de Futebol Argentina (AFA), inicia um comunicado muito duro, no dia em que assinala um mês da derrota da seleção do país frente à Espanha na final do Mundial'2026.
O dirigente argentino denuncia que foi instalada uma "campanha miserável" contra os jogadores, que foram acusados pela opinião pública de terem traído o país por não darem tudo o que tinham.
"Como voltam para casa depois de terem feito tudo isto? Como olham nos olhos dos seus filhos e lhes falam de honestidade, de respeito, de dignidade? Como lhes ensinam que há valores que devem ser defendidos, se quando tiveram a oportunidade de o fazer escolheram mentir, apontar o dedo e esconder-se?", perguntou Tapia aos críticos, numa extensa mensagem.
"Passou um mês. Um mês daquela final. Um mês da mentira, da operação e de uma campanha miserável para instaurar a ideia de que esta seleção se tinha entregado. E o mais impressionante é que, passado um mês, nenhum deles pediu desculpas. Nenhum veio dizer: "Equivocamo-nos". Nenhum teve a honestidade, a dignidade ou simplesmente os tomates para se chegar à frente e assumir a responsabilidade.
Porque errar acontece. O que não pode acontecer é mentir, instaurar uma narrativa, alimentar uma suspeita durante dias e, quando o tempo demonstra que tudo não passava de fumaça, esconder-se e fingir que nunca aconteceu nada. Enquanto os nossos jogadores davam tudo dentro de campo, alguns fora dele faziam exatamente o contrário: semeavam ódio, dividiam, sujavam e procuravam manchar a imagem de uma seleção que conquistou o respeito de milhões. A todos eles: assumam a responsabilidade. Não basta ficar em silêncio. Não basta esperar que o tempo passe. Não basta mudar de assunto e fingir que nunca fizeram nada.
E embora agora queiram evitar os comentários, as reclamações ou os reparos das pessoas por todas as mentiras que disseram, não vão conseguir apagar o que fizeram. Porque há palavras que têm consequências e acusações que deixam marcas. De chamar traidores aos jogadores da seleção não se volta atrás. Não se volta atrás de colocar sob suspeita quem defendeu esta camisola. Não se volta atrás de os acusar de se terem entregado. E muito menos se volta atrás de o fazer sem uma única prova para depois, quando a mentira fica exposta, escolher o silêncio.
Pediram explicações quando não tinham uma única prova. Apointaram o dedo a jogadores que estavam a dar a vida. Alimentaram uma mentira e instauraram-na como verdade. Agora deem vocês as explicações. Porque a grandeza também está em reconhecer um erro. E quando se acusa, se mente e se magoa publicamente quem deu tudo por esta camisola, pedir desculpas não é um favor. É uma obrigação.
E há mais uma coisa: como voltam para casa depois de terem feito tudo isto? Como olham nos olhos dos seus filhos e lhes falam de honestidade, de respeito, de dignidade? Como lhes ensinam que há valores que devem ser defendidos, se quando tiveram a oportunidade de o fazer escolheram mentir, apontar o dedo e esconder-se? Os valores não se negociam. Passou um mês e ainda não ouvimos uma desculpa. Enquanto isso, os jogadores, a equipa técnica e todos os colaboradores continuam de cabeça erguida.
Porque eles sabem o que fizeram naquele dia. Sabem o quanto deixaram naquele relvado. E sabem que, quando a final terminou, não deviam nada a ninguém.
Os que deram a alma não têm nada a explicar. Os que mentiram, sim."
Por André Teixeira