Abidal e a luta contra o cancro: «Dani Alves quis dar-me parte do seu fígado»

Antigo jogador francês não esquece gesto do brasileiro, seu companheiro no Barcelona

O antigo futebolista francês Eric Abidal contou numa entrevista a uma radio espanhola alguns dos momentos por que passou na sua luta contra um tumor no fígado. A doença foi diagnosticada em março de 2011, o defesa recuperou, mas o cancro voltou um ano depois. Quando regressou aos relvados, no Barcelona, Abidal envergava o número 22. "O número da esquerda representa as vezes que tive cancro, o da direita as vezes que o venci", explicou na altura.

O apoio que teve dos companheiros foi inexcedível e de alguns até surpreendente. "Naqueles momentos todos os jogadores fizeram parte da minha família, mas a mensagem mais forte que tive foi do Dani Alves, ele queria dar-me parte do seu fígado e unir-se a mim nesta luta! Disse-lhe que não podia aceitar. Sabia o que significava o seu gesto e o quão complicado poderia ser para ele continuar depois com a sua vida de futebolista. Creio que entendeu o meu ponto de vista e vou ficar-lhe eternamente agradecido por este gesto", contou, com emoção. 

Depois do diagnóstico veio a luta. "Todos os dias tenho bem presente o quão difícil é viver com um cancro. Aprendi muito com tudo isto, sobre mim e sobre as pessoas que me rodeiam. A cada seis meses tenho de me submeter a uma revisão médica e agora desfruto mais de algumas coisas que antes não dava muito valor. O futebol era a minha paixão, a minha prioridade e nunca tive tempo para sequer imaginar o que é uma doença destas. Depois, tudo foi diferente. Pensas no futebol, mas a prioridade é ajudar outras pessoas que estão a passar pelo mesmo."

Abidal conta que fez muitas perguntas para as quais ainda não encontrou respostas. "As respostas é Deus quem as tem, é Ele quem manda neste Mundo. Primeiro acreditei em Deus e depois fui positivo. As pessoas que nos apoiam mais são a família e isso é muito importante. No meu caso, a minha força quando não me sentia bem vinha dos meus filhos, da minha mulher e dos meus pais."

A luta foi muito dura e o futebol até acabou por ser uma ajuda. "Entre 2011 e 2012 aconteceu-me de tudo. Lembro-me quando disseram 'tens um tumor no fígado que seguramente vai crescer. Não sabemos quando mas tens de estar preparado porque a próxima etapa é um transplante'. A partir daí, quando te dizem a verdade, tens de ter tempo para pensar como vais encarar tudo isto, como a luta vai ser complicada. É nessa fase que o futebol começa a ajudar-me. No futebol cometi erros, falhei penáltis, perdi campeonatos ou uma finais, mas quando isso acontece no dia seguinte tens de te levantar. E isso ajudou-me a ultrapassar a minha doença. Houve dias em que estive muito cansado, mas pensava que amanhã seria outro dia e dizia para mim 'luta hoje para continuares a lutar amanhã'. Foi isso que fiz durante largos meses."  

O fígado recebeu-o de um primo, a quem fez questão de agradecer depois, em campo.

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