Tal como Record noticiou, Paulo Fonseca acertou a renovação de contrato com o Shakhtar Donetsk por mais duas temporadas. Estende-se assim uma ligação iniciada em 2016 e que já resultou na conquista de cinco troféus: dois campeonatos, duas taças e uma supertaça.

O treinador e os outros portugueses da equipa técnica – Nuno Campos, Pedro Moreira, António Ferreira e Tiago Leal – viveram duas temporadas recheadas de sucesso, mas a verdade é que nem sempre tudo foi perfeito. Por exemplo, o jogo da última jornada com o Veres, que resultou na conquista do campeonato, ficou marcado por uma situação insólita denunciada por Paulo Fonseca na conferência de imprensa e investigada pelo Record. "Esta época, todos tentaram que o Shakhtar Donetsk não fosse campeão. O episódio à volta desde jogo prova do que estou a falar. Há uma equipa que quer fazer do campeonato ucraniano um circo", atirou o treinador. Mas afinal, de que falava Paulo Fonseca? Esta é a história completa.

No sábado, véspera do jogo, o Veres solicitou o adiamento da partida à federação ucraniana. A justificação apresentada foi a de que 9 jogadores estavam com uma infeção alimentar e que, por isso, o clube não tinha condições para se se apresentar em campo. Mais: a comitiva do Veres, que já estava em Kharkiv, o palco do jogo, regressou a casa, fazendo nova viagem de autocarro de cerca de 8 horas – havia feito o caminho inverso na sexta-feira.

A federação recusou o pedido do Veres e, para garantir que havia mesmo jogo, até disponibilizou um avião para garantir o regresso a tempo e horas. Essa viagem foi feita no domingo, dia… do jogo. Certo é que os 9 jogadores que, supostamente, estariam com uma infeção alimentar, entraram todos em campo e jogaram sem quaisquer limitações. Apesar de tudo, o Shakhtar Donetsk venceu por 1-0 e sagrou-se campeão.

As notícias veiculadas na Ucrânia não são totalmente esclarecedoras, mas Record apurou que o Shakhtar Donetsk suspeita que toda esta situação foi orquestrada pelo Dínamo Kiev, o adversário direto na luta pelo campeonato. Segundo as fontes contactadas, o campeão ucraniano entende que a ideia do rival era conseguir o adiamento do jogo entre o Shakhtar Donetsk e o Veres. Isto porque a última jornada reserva um confronto entre Dínamo Kiev e… Shakhtar Donetsk. Com as equipas separadas por 5 pontos, alegadamente a intenção do clube da capital seria vencer o Zorya – como viria a acontecer – e receber a turma orientada por Paulo Fonseca com apenas dois pontos de vantagem. E se a vitória sorrisse ao Dínamo Kiev nessa ronda final, passaria para a liderança e o tal jogo entre Shakhtar Donetsk e Veres tornar-se-ia absolutamente decisivo.

As expulsões e os castigos

Este é um dos vários episódios que deixaram o Shakhtar Donetsk desconfiado, entre outros ao longo de todo campeonato. Por exemplo, em dezembro, num jogo com o Zorya, a equipa de Paulo Fonseca estava a vencer por 1-0 e, nos últimos 10 minutos, teve três jogadores expulsos – acabou derrotado por 2-1.

E por falar em castigos, houve outra situação insólita a 3 jornadas do final do campeonato (numa altura em que o Shakhtar Donetsk liderava com apenas 3 pontos de vantagem) que gerou grande revolta: pela primeira vez na história do campeonato ucraniano, um jogador (Marlos, 2.º melhor marcador e jogador com mais assistências do campeonato) foi suspenso em dois jogos por atingir a sequência de 8 cartões amarelos, quando as regras contemplam apenas um jogo de castigo -  esta sanção impossibilitou o brasileiro de defrontar o Zorya, considerada uma das melhores equipas da liga ucraniana. Apesar de todas as suspeitas, o Shakhtar Donetsk nunca conseguiu encontrar provas, pelo que as suspeitas não passam disso mesmo. Seja como for, o Shakhtar Donetsk conseguiu o triplete em 2017/2018: campeonato, taça e supertaça.

Autor: David Novo