Apagou-se a estrela maior da história do futebol

Epicentro de equipas eternas (Ajax e Holanda), ainda criou o Dream Team do Barcelona

"Não deixa de ser curioso que de quatro em quatro anos, desde 1974, todos os jornalistas me coloquem a mesma questão. É como uma tradição, um rito que se repete às portas de cada Mundial: haverá alguma seleção capaz de praticar o futebol total? E eu tenho a impressão de que por detrás dessa interrogação há uma espécie de necessidade de acreditar que existe uma seleção capaz de entusiasmar os amantes do futebol. É como se os especialistas, os adeptos, o mundo do futebol em geral, desejem redescobrir uma filosofia de jogo que me parece quase impossível de pôr em prática ao nível de seleção." Johan Cruyff escrevia assim no ‘L’Équipe Magazine’ de 6 de junho de 1998, em vésperas do Mundial em França. O legado do maior chefe de orquestra que o jogo conheceu, o génio que, suportado por qualidades individuais sublimes, preferiu sempre associar-se aos outros para marcar diferenças e ser feliz, parte de um conceito nobre, que respeita o futebol, o espectador, a bola e aglutina as vontades de quem vive do mesmo lado da barricada.

Golpe no catenaccio

O futebol total do início década de 70 declarou guerra ao catenaccio dos anos 60 e deu-lhe um golpe quase fatal. O Ajax e a Holanda dinamizados por Cruyff na qualidade de maestro de uma orquestra sumptuosa que marcou o futebol para sempre, definiram uma estética e viraram o jogo do avesso. Se a ideia era defender, agora era atacar; se o melhor era não ter bola e chegar à frente com pontapés para a frente, o paradigma passou a ser a bola e chegar com ela à baliza adversária.

Números de Cruyff

Cruyff oleava as ideias de Michels e Kovacs e, no dia em que pendurou as botas, estava preparado para dar o passo seguinte ao que aprendeu no longo percurso iniciado nas ruas de Amesterdão, paredes meias com o velho e mítico estádio De Meer, onde havia de conhecer as principais glórias como jogador.

Ainda mais atrevido

Como treinador, Cruyff agarrou-se aos alicerces do futebol total convicto de que podia ir ainda mais longe. Começou por desenvolver a ideia no Ajax, convencido de que o guarda-redes podia ser líbero, que quatro defesas eram de mais e que, abdicando de um, ganharia unidade no ataque. O Barcelona que começou a desenhar em 1988 tornou-se uma equipa eterna. Quando juntou estrelas como Koeman, Guardiola, Michael Laudrup, Bakero, Stoichkov e Romário construiu o Dream Team. Em 1996 deixou o comando da equipa mas não perdeu a voz que o manteve figura imaculada em Camp Nou para a eternidade. 

A final perdida com a Alemanha

A Laranja Mecânica foi um dos mais extraordinários fenómenos que o jogo conheceu. No Mundial de 1974, a Holanda de Michels (no banco) e Cruyff (no campo) encantou o planeta, revolucionou o futebol e acedeu à história. A força da inovação não chegou para conquistar o título. Na final de Munique, a Holanda perdeu para a Alemanha de Franz Beckenbauer e Gerd Müller. Ainda hoje custa admitir que assim tenha sido.

Rui Costa foi sonho não cumprido

Antes de abandonar o Barcelona, Cruyff tinha feito escolhas para operar uma revolução no plantel blaugrana. O jornal ‘Sport’ dá conta da última revolução que o treinador idealizou para o Barça. Para a publicação de Barcelona, Cruyff pensou em Rui Costa para o meio-campo do clube, assumindo que foi um erro não o contratar. Na lista figuram ainda os nomes de Molina, Winter, Zidane, Giggs, Batistuta e Ginola.

Por Rui Dias
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