Bonano recorda Enke: «Partilhámos o quarto várias vezes e não sabia dos seus problemas»
Guarda-redes jogou no Barcelona com o alemão (ex-Benfica), que se suicidou em 2009
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Apesar de já terem passado quase 15 anos da morte trágica de Robert Enke, o antigo guarda-redes do Benfica (cumpriu 3 épocas de águia ao peito, entre 1999 e 2002, somando 93 jogos) continua a ser recordado em vários locais. Desta feita é o argentino Roberto Bonano, que foi companheiro de equipa do alemão no Barcelona, a mostrar que não esqueceu o antigo colega, que se suicidou a 10 de novembro de 2009.
"Para mim foi muito amargo receber a notícia da morte do Enke. Foi estranho porque partilhámos um ano juntos no Barcelona. Eu sabia que ele estava a passar por um mau momento, mas pensava que era devido a um problema desportivo. Ele chegou como uma estrela em Portugal, pensou que viria para ser titular e não foi. Depois, quando chegou a sua vez de jogar na Taça do Rei, com um resultado adverso [derrota por 2-3 com o modesto Novelda], não teve um bom desempenho. A equipa perdeu e ele sofreu muito", recorda Bonano, agora com 54 anos, em entrevista ao 'Relevo'. O argentino era o titular na baliza dos catalães, relegando Enke para o banco. "Achei que era o seu carácter, que era difícil para o alemão comunicar, num país novo, e ele não falava muito bem a língua. Nenhum de nós sabia dos seus problemas pessoais e isso irritava-me porque muitas vezes partilhava o quarto com ele nos estágios e nunca falámos de modo a que ele me contasse alguma coisa. Talvez não houvesse muito que pudesse fazer, mas podia recomendar-lhe que falasse com alguém", lamenta o antigo guardião, que se retirou em 2008, no Alavés.
Olhando para trás, Bonano ainda não consegue compreender como foi possível ninguém ter reparado na depressão que dominou Robert Enke. "Surpreende-me que o seu empresário também não soubesse, que a sua mulher não o tivesse tornado público mais cedo para o podermos ajudar. Mas bem, é sempre difícil transferir as fraquezas para os outros quando se está num ambiente em que é preciso mostrar-se sempre forte e não vulnerável. Decidiu suicidar-se no melhor momento da sua carreira, era a estrela do Hannover, havia rumores de que ia regressar à seleção alemã. Foi muito estranho e todos os anos, quando chega a data da sua morte, há sempre pessoas que me fazem lembrar dele. Lembro-me sempre da sua mulher, que criou uma fundação para ajudar pessoas que possam estar a passar pelo mesmo", afirma, emocionado, o argentino que integra a equipa técnica liderada por Eduardo Berizzo, com quem trabalhou nas seleções do Paraguai e do Chile, estando parado desde 2023.