Confederação Asiática feliz com retirada da proposta da FIFA sobre comercialização dos Mundiais

Gianni Infantino comunicou que já não irá avançar com a venda de parte da participação a investidores privados

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Confederação Asiática feliz com retirada da proposta da FIFA sobre comercialização dos Mundiais
Confederação Asiática feliz com retirada da proposta da FIFA sobre comercialização dos Mundiais • Foto: AP
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A Confederação Asiática de Futebol (AFC) saudou este sábado a retirada da proposta por parte da FIFA para a criação de uma empresa de comercialização dos Mundiais aberta a privados, apelando ao diálogo coletivo.

O presidente da AFC, Salman Al Khalifa, defendeu que qualquer iniciativa com potencial para afetar o futebol mundial seja apresentada e discutida de forma "oportuna, transparente e significativa".

"O futuro do futebol mundial deve ser sempre moldado através de consultas adequadas, diálogo coletivo e respeito pelas estruturas de governação estabelecidas do nosso desporto", afirmou o responsável.

Na madrugada de hoje, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, anunciou que desistiu do projeto de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma empresa aberta a investidores privados que geriria as atividades comerciais e de eventos da entidade máxima do futebol mundial, ideia fortemente criticada.

A AFC frisa que está pronta para apoiar "qualquer iniciativa que reforce a unidade da família do futebol" e agradeceu às associações-membro da confederação pela sua "paciência e unidade".

"Orgulho-me de que todas as nossas associações-membro se tenham mantido unidas e tenham confiado à AFC a tarefa de procurar respostas em seu nome relativamente a uma questão de imensa importância para a futura governação do futebol mundial. Agradeço-lhes pela sua paciência, solidariedade e unidade, e garanto-lhes que a AFC agirá sempre no seu melhor interesse", concluiu.

Conhecido na terça-feira, o plano da FIFA, que visava elevar para dez mil milhões de dólares (8,67 mil milhões de euros) o financiamento do desenvolvimento do futebol nos próximos quatro anos, foi fortemente criticado tanto no conteúdo como na forma, o que levou Infantino a recuar.

"Depois de ter ouvido atentamente todos os pontos de vista, tornou-se claro que o projeto criou divisões (...), que já não servem o objetivo inicial. O nosso objetivo sempre foi, e sempre será, unir e progredir. A proposta não irá, portanto, avançar", referiu o líder do organismo que tutela o futebol mundial numa mensagem divulgada.

A ideia suscitou uma onda de protestos, do mundo do futebol e não só, sobretudo por parte da UEFA, que reúne 55 federações europeias e conta nas suas fileiras sete dos últimos dez campeões do mundo.

Na quinta-feira, a UEFA ameaçou, "por unanimidade", não participar nas próximas competições da FIFA, incluindo o Mundial, caso a FIFA não abandonasse o projeto.

A CONCACAF, composta por 41 federações da América do Norte, América Central e Caraíbas, também "rejeitou a proposta" e a homóloga asiática, AFC, seguiu o mesmo caminho, considerando que o plano "não poderia alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar".

As confederações africana e da Oceânia mostraram-se menos críticas, apelando às respetivas federações-membro para que "analisassem" e "avaliassem" o projeto, enquanto a CONMEBOL sul-americana solicitou esclarecimentos, apelando a que "se colocasse sempre o futebol acima de qualquer outro interesse".

A FIFA pretendia angariar até 4,2 mil milhões de dólares através da cessão de participações da FFE a investidores privados, que, segundo a organização, iriam manter uma participação minoritária, até 20%.

Entre os potenciais investidores, os críticos tinham identificado o fundo de investimento Thrive Eternal, criado por Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump, Jared Kushner, uma "coincidência" que associaram à afetividade demonstrada por Gianni Infantino para com o Presidente norte-americano antes e durante o Mundial de 2026.

Se o projeto tivesse avançado, cada uma das 211 federações membros da FIFA poderia ter recebido um montante excecional de 20 milhões de dólares no início de 2027 e ver a sua dotação para o período de 2027 a 2030 passar de 8 para 20 milhões de dólares (de 6,93 para 17,3 milhões de euros).

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