Siga o nosso canal de WhatsApp e fique a par das principais notícias. Seguir

Enzo Fernández: «Ser campeão do Mundo mudou a minha vida completamente»

Médio conta em documentário sobre o aniversário do título que nem conseguia dormir nos dias antes da convocatória de Scaloni

• Foto: Reuters
Enzo Fernández admite que todos os dias pensa no Mundial do Qatar, em que ajudou a Argentina a levantar o troféu. O médio do Chelsea, que foi campeão do Mundo como jogador do Benfica, é um dos protagonistas do documentário "Campeões, um ano depois", que estreou este sábado na Star+. "Uma vez por dia penso no Mundial. Há sempre alguma lembrança que aparece", afirma Enzo, que recuou um pouco mais no desfiar de memórias. "Lembro-me da convocatória para a Seleção. Estava a dormir pela tarde, em Lisboa, quando recebi uma mensagem de um elemento da comissão técnica a dizer-me que estava na convocatória. Eu sabia que a lista estava prestes a sair e sentia muita ansiedade, nem conseguia dormir bem de noite. Era uma mensagem de voz e uma escrita. Era a noticia que tanto esperava. O engraçado é que tentei reenviar a mensagem, mas tinha uma configuração que apagava as mensagens. Então depois pensei se tinha sido verdade ou não [risos]. Fiquei nervoso e esperei bastante ansioso pela divulgação da lista porque só aí vi que era mesmo verdade."

Questionado sobre o que sente quando veste a camisola da seleção da Argentina, Enzo Fernández emociona-se. "É muito orgulho pois onde quer que vás sabes que estás a representar milhões de pessoas. Desde pequeno o meu sonho sempre foi jogar na seleção. Portanto, poder estar na lista já me enchia de orgulho", sublinha o jogador, de 22 anos, que passou em revista os jogos no Qatar, a começar logo pela derrota (1-2) com a Arábia Saudita. "Foi um golpe anímico muito forte porque sabíamos que é importante começar o Mundial a ganhar. Essa semana depois do jogo foi difícil pois não esperávamos essa derrota, mas aí viu-se a força do grupo. Felizmente depois começámos a ganhar e já eram todas finais para nós", frisou. Seguiu-se o embate com o México, que foi especial para Enzo. "Era um jogo muito complicado porque dependíamos muito desse resultado para continuar no Mundial. Felizmente ganhámos! Apareceu a esquerda mágica do Messi e depois entrei e marquei o meu golo", recorda, com um sorriso rasgado. "Além do meu golo, viver esses momentos não tem preço", acrescenta o jovem, que foi titular no último jogo da fase de grupos, com a Polónia, tendo feito uma assistência para Julián Álvarez.

Após o triunfo (2-1) sobre a Austrália nos 'oitavos', a Argentina apanhou a Holanda nos quartos-de-final. "Foi um jogo de muito desgaste físico e uma das partidas em que mais corri no relvado. Jogar numa posição diferente exige muito mais esforço", explica, admitindo que o grupo festejou a queda do Brasil aos pés da Croácia quando já todos esperavam um duelo de titãs sul-americanos nas meias-finais. "Quando vimos a eliminação do Brasil todos começámos a comemorar no balneário. Então chegou Scaloni e disse para acabarmos com aquilo pois tínhamos de disputar o jogo com a Holanda. Foi um grande 'boost' anímico para nós quando o Brasil foi eliminado porque eram rivais diretos e jogam muito bem", admite. E Scaloni tinha razão para acabar com o excesso de euforias pois a Argentina só eliminou a Holanda no desempate por penáltis. 

Seguiu-se a final com a França, durante a qual Enzo se envolveu numa confusão com Mbappé. "São coisas do jogo. Houve alguns lances onde comemorávamos alguma bola dividida e ele fazia-nos sinais como que nos iria matar. Ele zangou-se comigo, não sei o motivo e Romero, um autêntico soldado, defendeu-me e gritou um golo mesmo na cara dele", elogiou, recordando mais pormenores da final. "Quando Messi estava prestes a bater o penálti, os franceses não me deixaram ver. Estava no meio de Giroud e Tchouameni e eles juntaram-se e empurraram-me para trás", referiu, acrescentando: "As comemorações no balneário são momentos que tenho vontade de voltar a viver. Estar com os meus companheiros, trocar abraços, todos a chorar, a comemorar, foi uma loucura."

No entanto, a verdadeira loucura deu-se na receção em Buenos Aires. "Ver os adeptos a chorar de emoção, todas aquelas crianças... ainda fico com pele de galinha só de me lembrar", admite, prosseguindo. "Ser campeão do Mundo mudou a minha vida completamente! Deu-me a oportunidade de assinar pelo Chelsea e o carinho na Argentina é muito diferente. Mudou-me a vida por completo. Enche-me a alma ser campeão do Mundo com a Argentina", sublinha, revelando alguns planos para o futuro imediato. "Tenho pensado fazer uma tatuagem do troféu. Já tenho o desenho e vou fazer na minha perna. Estou apenas a esperar pelo momento certo para não jogar com dores", explicou Enzo Fernández, cujo telemóvel ia bloqueando. "Tinha umas 500 mensagens quando fomos campeões do Mundo", diz, bem disposto.

A finalizar, o médio que se mostrou à Europa com a camisola do Benfica, mostrou gratidão a quem o ajudou no percurso ascendente. "Na pandemia estava nas reservas do River e não sabia ainda o que ia ser da minha carreira, até receber o telefonema do Marcelo Gallardo a dizer que tinha uma oportunidade para eu ir para o Defensa y Justicia. E eu pensei 'é uma grande oportunidade para mim'. Os meus amigos disseram-me que ficasse no River Plate, mas eu sentia que era uma oportunidade para jogar e mostrar-me numa equipa da 1.ª Divisão", recorda, sem esquecer um dos seus pilares: "Lembro-me bem quando o meu pai ia trabalhar na bicicleta às 6 da manhã. Agora eu ajudo-os e podem contar comigo em todos os momentos."
Por Alejandro Panfil. Buenos Aires. Argentina
1
Deixe o seu comentário
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Internacional

Notícias

Notícias Mais Vistas