FIFA: Cinco candidatos para uma vassoura

Futuro presidente terá de limpar imagem de corrupção

• Foto: EPA

Serão 207 das 209 federações filiadas na FIFA (as do Kuwait e Indonésia estão momentaneamente suspensas) a eleger hoje, em congresso extraordinário, em Zurique, aquele que será o nono presidente em quase 112 anos de existência da entidade máxima do futebol mundial. É um momento histórico porque a organização, que reúne mais membros do que as Nações Unidas, vive um dos períodos mais negros da sua existência.

Os sucessivos escândalos de corrupção que abalaram o futebol nos últimos anos e tiveram o expoente máximo em maio de 2015 com a prisão de vários dirigentes, obrigaram os adeptos e responsáveis de todo o Mundo a chegar a uma conclusão: é tempo de varrer em definitivo as teias em que a modalidade (e os negócios que gere) se viu envolvida.

É assim que os cinco homens que hoje se apresentam à sucessão do suíço Joseph Blatter assumem um papel que vai mais além do que a cadeira de presidente da FIFA: o que for eleito será, acima de tudo, o homem que assumirá a responsabilidade de pegar na vassoura e limpar o nome da organização sedeada em Zurique.

Promessas

Todos prometem mudanças mais ou menos radicais: na gestão, na organização, na composição do Comité Executivo, órgão máximo responsável pela FIFA, e, acima de tudo, na transparência a que a entidade deverá estar sujeita. Todos dizem estar dispostos a ‘cortar a direito’, mas a verdade é que ninguém consegue dar garantias de vir a ser capaz de o cumprir.

Uma das questões principais tem a ver com quem elege e, em última instância, é corresponsável por tudo quanto se passou ou poderá vir a passar-se. Em relação a maio de 2015 praticamente nada mudou no que diz respeiro às 209 federações com direito a voto. Apenas em alguns casos pontuais de dirigentes presos ou que perderam os mandatos em sequência das ações do FBI e da Polícia Federal da Suíça, quase todos os demais presidentes de federações voltarão hoje a Zurique para escolher o sucessor de Joseph Blatter. Por isso, só o tempo dirá até que ponto este 26 de fevereiro de 2016 será, como diz a canção de Sérgio Godinho, o primeiro dia do resto da vida da FIFA.

Infantino e Salman são os favoritos

Entre os cinco pretendentes há dois claros favoritos à vitória: o suíço Gianni Infantino, atual secretário-geral da UEFA, e o sheik Salman Bin Ebrahim Al Khalifa, do Bahrain, que é presidente da Confederação Asiática de Futebol. Infantino consegue quase o pleno da Europa e da América do Sul, e tem apoios da Concacaf e de África, ao passo que Al Khalifa terá os votos da Ásia e de boa parte de África. O papel de Ali Bin Al Hussein, príncipe de Jordânia, poderá ser decisivo no desempate. Jérôme Champagne e Tokyo Sexwale terão papéis secundários.

O processo de votação

Cinco candidatos apresentam-se à eleição para o cargo de presidente da FIFA. Votam os presidentes de 207 federações porque duas estão suspensas. África tem 54 votos, a Europa 53, a Ásia 46, a Concacaf (América do Norte, Central e Caraíbas) 35, a Oceânia 11 e a Conmebol (América do Sul) 10.
São necessários dois terços dos votos para um candidato ser eleito à primeira volta. Caso isso não aconteça, passam à segunda volta os dois mais votados e será eleito quem tiver então maioria simples.

O voto é livre e secreto, mas o candidato Ali Al-Hussein pediu que se criassem cabinas de vidro transparente onde os votantes depositariam o seu voto. A FIFA recusou a proposta, admitindo, no entanto, que antes de se deslocarem à urna para depositar o voto, os eleitores deixem o seu telemóvel com outra pessoa.

Por José Carlos Freitas
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