Índia: O herói Sereno de Calcutá

Central foi determinante na final da Superliga, ao marcar golo que levou At. Kolkata ao título

"Fomos campeões e marquei um golo na final, não podia pedir mais." Henrique Sereno ainda está, de certa forma, nas nuvens com o que alcançou na Índia e não é para menos. Depois de um ano constantemente parado devido a lesões que evitaram a sua afirmação nos alemães do Mainz, o central rumou à Superliga da Índia com o intuito de competir para encontrar um novo destino e veio de lá... herói. Um herói Sereno, sem vedetismos, aquele que conquistou Calcutá e o próprio Atlético Kolkata, marcando na final do campeonato – 1-1 nos 120’ frente ao Kerala Blasters e 4-3 nos penáltis – e ajudando o clube a ganhá-lo pela segunda vez.

"Não estava nada à espera disto. Estive quase um ano lesionado e precisava de treinar com regularidade. O Atlético Kolkata queria um central e aceitei. Vi de tudo. O que mais guardo é a pureza das pessoas que, apesar de nada terem, são sempre bondosas. Muitas trabalham 18 horas por dia e nunca se queixam, nada parecido com Portugal. Nós, por cá, não temos noção das dificuldades por que algumas pessoas passam", explica o central, assumindo que os jogadores são tratados como reis: "Vivíamos num hotel e tínhamos um polícia connosco 24 sobre 24 horas. Podíamos sair mas sempre acompanhados por seguranças."

Logo atrás da NBA e da NFL

O futebol e a força financeira dos clubes também contribui para que o desporto-rei esteja a evoluir de forma meteórica na Índia.

"Não imaginam a loucura à volta da final. Estavam 75 mil no estádio e o jogo foi visto por 250 milhões de pessoas! Se continua assim, não sei onde é que isto vai parar... Os orçamentos dos clubes para três meses são gigantescos, bem mais elevados do que, por exemplo, os dos três grandes em Portugal. É a terceira liga desportiva mais bem paga do Mundo, a seguir à NBA e à NFL. A verdade é que, se antes os clubes apostavam em internacionais retirados, a estratégia mudou e já chegam à Índia mais novos para elevar a competitividade da liga", explicou o central português, de 31 anos.

Futuro na... Ásia

Após a experiência na Índia e de ter-se ligado a um clube ‘franchise’ do espanhol Atlético Madrid, Sereno até pode rumar a outro clube com ligação umbilical aos colchoneros: "Há sondagens do mercado asiático e interesse de alguns em Portugal. Mas agora que estou ligado a este ‘franchise’..."

Postiga convenceu-me

No Atlético Kolkata, Sereno encontrou Hélder Postiga, elemento crucial na tarefa de convencer o central a rumar à Índia. "Foi o Postiga que me convenceu e eu fui só na ideia de treinar e poder eventualmente regressar à competição. Correu muito melhor do que ele e eu esperávamos", disse o central, que reencontrou amigos de outras paragens.

"Sabia que estavam lá o Dani Mallo e o Borja Fernández. O primeiro só o havia defrontado mas já tinha falado várias vezes com ele quando joguei em Espanha. E o segundo foi meu companheiro de equipa no Valladolid. Por isso, nunca me senti perdido no clube até porque os responsáveis nunca nos deixavam desamparados. Além disso, sempre estava lá o Postiga", explicou o defesa.

Sereno acabou por fazer 10 jogos no eixo da defesa do Atlético Kolkata, sendo uma pedra chave na equipa orientada pelo espanhol José Molina.
Por Hugo Neves
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