Jornalista obrigada a usar 'hijab' na Áustria para entrevistar Queiroz e jogadores do Irão

Isabelle Barker, do jornal 'The Sun', foi impedida de fazer o seu trabalho enquanto não cobrisse o cabelo e o pescoço

Isabelle Latifa Barker, uma jornalista do 'The Sun', viveu este sábado um momento delicado na Áustria. Quando se preparava para recolher algumas declarações do selecionador Carlos Queiroz e dos jogadores do Irão junto à porta do hotel onde a seleção iraniana estava hospedada, no dia após o triunfo por 1-0 no particular com o Uruguai, a conceituada repórter foi impedida de fazer o seu trabalho... por não estar a usar um 'hijab' - lenço que as mulheres iranianas são obrigadas a usar de acordo com a doutrina islâmica.

De acordo com a reportagem feita pelo 'The Sun', publicada hoje através do seu sítio na Internet, a exigência foi feita por parte da equipa de segurança da seleção iraniana. Isabelle Barker ainda tentou comprar um 'hijab' nas lojas perto da unidade hoteleira, mas acabou por não encontrar nada aberto. Empenhada em concluir o seu trabalho, a repórter acabou por improvisar um 'hijab' com uma t-shirt preta e lá conseguiu falar com a comitiva iraniana.

"Não estava a acreditar no que me estavam a pedir e ainda questionei-me sobre se deveria ceder ou fazer o meu próprio protesto. Mas eu tinha um trabalho a fazer e a minha única opção era concluí-lo", disse a repórter, em declarações citadas pelo jornal, quando convidada a explicar o sucedido. Isabelle fez ainda questão de esclarecer que a exigência não surgiu por parte do departamento de comunicação da seleção, do português Carlos Queiroz nem de algum dos jogadores, sublinhando que todos eles "foram amigáveis e compreensivos".

Mais tarde, escreveu no 'Twitter': "Irão vs. Uruguai. Foi-me dito por um membro da equipa de segurança da seleção do Irão que teria de usar um 'hijab' antes de visitar a equipa no hotel. As lojas estavam fechadas então usei uma t-shirt do ex. Não foi nada pedido quer por Carlos Queiroz ou pelos jogadores. Foi tudo observado de perto pela equipa de segurança do Irão", pode ler-se.

No Irão, centenas de mulheres têm saído às ruas para queimar os seus 'hijabs' em solidariedade com Mahsa Amini, uma jovem iraniana de 22 anos que morreu no passado dia 16 de setembro depois de ter sido alegadamente espancada pelas autoridades policiais locais.
Por Record
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