Josué: «Se não fosse o futebol estaria na prisão»

Médio português do Legia Varsóvia destaca o impulso que Paulo Fonseca deu à sua carreira

Josué, médio internacional português que, atualmente, representa os polacos do Legia Varsóvia, não deixou pergunta sem resposta em entrevista ao site do clube que o contratou, no verão, ao Hapoel Beer Sheva. O jogador formado no FC Porto abordou todas as provações a que esteve sujeito ao longo da carreira e da vida e destacou o impulso que Paulo Fonseca, então no P. Ferreira, lhe deu, sem se esquecer de referir como a mulher e a filha foram igualmente importantes para que singrasse no desporto-rei.

"Se não fosse o futebol estaria na prisão. Isto é a sério, as pessoas com quem eu convivia quando era criança estão agora sob sentença. Não pude aproveitar a vida como uma criança comum, não tive uma infância normal. Na verdade, aprendi a aproveitar a vida depois de conhecer a minha esposa e do nascimento da nossa filha", afirmou Josué, já depois de revelar que não fala com a mãe nem com os irmãos há mais de uma década.

"No P. Ferreira, o treinador Paulo Fonseca mudou a minha vida. Parece patético, mas é verdade. Ele disse-me que acreditava em mim e foi se tivesse pressionado um botão no meu cérebro. Nunca tinha ouvido nada parecido, nem sequer vindo da minha própria família. A partir do momento em que ele me disse aquelas palavras, mudei completamente. No futebol e em tudo", reconheceu o médio, de 31 anos.

E acrescentou: "Do nível zero de auto-estima, saltei para um nível de tremenda confiança em mim. Tudo graças ao treinador".

Referindo que o corte de relações com a mãe e irmãos não foi o momento mais doloroso que a vida lhe deu, mas sim o cancro contra o qual a mulher ainda luta, Josué agradece por poder à filha o conforto que ele próprio não teve em criança.

"Cada um de nós tem uma história, a minha não é fácil, mas é minha. Felizmente, não preciso dizer à minha filha que não temos comida. Agora, quando ela quer comer um gelado, eu não preciso de lhe explicar que não temos dinheiro para isso. Eu não tive esse conforto. Eu roubava. Ia ao supermercado e umas vezes roubava porque estava com fome e, outras vezes, porque só queria ser como as outras crianças e também poder segurar uma barra de chocolate na mão", contou Josué.

Esta quinta-feira, a partir das 20 horas, o Legia Varsóvia de Josué defronta o Nápoles, em Itália, num jogo da fase de grupos da Liga Europa.
Por Record
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