Maldini e a reunião com Guardiola: «Disse 'deem-me um euro a menos do que ao último selecionador e está tudo bem'»

Antigo diretor técnico da squadra azzurra lamentou a não contratação de Andrea Pirlo

Paolo Maldini, ex-diretor técnico da seleção de Itália
Paolo Maldini, ex-diretor técnico da seleção de Itália • Foto: ROBERTO BREGANI/EPA
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Paolo Maldini, lenda do Milan e da seleção de Itália, teve uma curta passagem de 16 dias, juntamente com Leonardo, como diretor técnico da seleção italiana.

Entrou a 11 de julho deste ano, após a eleição de Giovanni Malagò como presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC) e , quando a contratação de Andrea Pirlo como futuro selecionador italiano caiu por terra. O afastamento de Pirlo da corrida foi ditado por uma .

Agora, Maldini, em entrevista ao Corriere della Sera, detalhou todos os passos do processo que conduziram à sua saída.

"Graças a Deus, não tenho dificuldades financeiras. O que me motiva a aceitar cargos é a possibilidade de exercê-los e de dar a minha contribuição. Lamento se isso for visto como arrogância ou intransigência", começou por explicar. "Malagò ligou-me na Páscoa a dizer 'Há uma hipótese de me tornar presidente da FIGC e gostaria de te ter comigo'. Eu coloquei-me à disposição dele porque, para mim, só existe o Milan e Itália, no futebol. Nunca mais ouvi falar dele até à véspera das eleições, quando me pediu para ajudar a reconstruir o futebol italiano. A primeira coisa que lhe perguntei foi quem escolhia o selecionador e ele disse-me que seria eu", revelou.

Ficámos para trás em muita coisa e procurávamos uma mentalidade ofensiva desde a formação
Paolo Maldini

Ex-diretor técnico da seleção de Itália

"Expliquei o nosso projeto. Queríamos envolver a Serie A, Serie B, Serie C, jogadores, treinadores e árbitros para desenvolver novos talentos e uma nova mentalidade. A nossa ideia estava ligada à técnica e ao jogo ofensivo. Ficámos para trás em muita coisa e procurávamos uma mentalidade ofensiva desde a formação. Além disso, o selecionador teria de ser jovem e com experiência na seleção italiana. Tínhamos três nomes: Andrea Pirlo, Daniele De Rossi e Fabio Grosso. Três campeões do mundo [em 2006]", continuou.

Daniele De Rossi e Fabio Grosso não foram opção porque havia um acordo com os clubes

Contudo, Maldini explicou que De Rossi e Grosso estavam sob contrato com Génova e Fiorentina, respetivamente, e não seria possível recrutar um treinador da Serie A "com base nos acordos feitos pelo presidente que levaram à sua eleição, com o apoio de todos os clubes, exceto a Lazio". Algo que o antigo defesa compreende: "No final de julho, os clubes já vão a meio da pré-época. É difícil fazer mudanças e por isso avançamos para o Andrea Pirlo."

"Tecnicamente, quando converso com ele, percebo que está extremamente bem preparado. Acompanhado e apoiado por um diretor técnico e um assessor, teria sido o treinador ideal. Afinal, que currículo tinham Lionel Scaloni [selecionador argentino] e Luis de la Fuente [selecionador espanhol]?", questionou antes de abordar a forma como Pirlo deixou de ser opção: "Não havia nada legalmente que impedisse o Andrea de treinar a seleção italiana. Diria que [a ligação à casa de apostas russa] foi um pretexto, até porque ele estava disposto a abdicar da relação que tinha com a empresa."

"Quando Malagò ligou para mim e para o Leonardo e disse 'o Pirlo não pode vir e, a partir de agora, eu decido quem será o treinador', nós os dois demorámos menos de 24 horas para entregar as cartas de demissão", rematou.

Ancelotti tem a confiança do Brasil e Guardiola sem problemas com dinheiro, apenas quis descansar

A meio da entrevista, também desvendou as conversas que teve com Carlo Ancelotti, atual selecionador do Brasil, e Pep Guardiola, ex-treinador do Manchester City.

"Ligámos para o melhor técnico italiano de todos os tempos, o meu grande amigo Carlo Ancelotti. Ele respondeu que o Brasil já tinha reiterado a sua total confiança nele e despediu-se, desejando-nos boa sorte. Era uma chamada necessária", considerou.

"Com o Pep Guardiola, trata-se do treinador que melhor personifica o jogo técnico e ofensivo. Fomos visitá-lo a Barcelona, almoçámos e conversámos o dia todo. Ele estava muito tentado e esteve perto de aceitar, até fez vários onzes no papel. Estudámos todas as equipas desde os sub-17 e o dinheiro nunca foi problema. Sobre os 20 milhões de euros que se falava, ele até disse 'Deem-me um euro a menos que o último selecionador e está tudo bem para mim'. Contudo, disse que não porque estava cansado. Vinha de dez anos na Premier League e fez uma cirurgia nas costas. Queria descansar", clarificou.

Tive um sonho bonito pelas muitas pessoas que encontrei com disposição para trabalhar, mas foi interrompido
Paolo Maldini

Ex-diretor técnico da seleção de Itália

Maldini acabou por sair e lamentou o sucedido: "Temo que se dê muita importância à seleção nacional e muito menos à reconstrução do futebol italiano. Tenho um arrependimento que levarei comigo. Assumi um compromisso pesado que, com o passar dos dias, quase se tornou um sonho: fazer algo pelas próximas gerações, construir uma Itália competitiva. Tive um sonho bonito pelas muitas pessoas com quem encontrei disposição para trabalhar, mas foi interrompido."

Por fim, elogiou o seu sucessor Claudio Ranieiri, "cuja história fala por si", como diretor técnico da squadra azzurra e o , um treinador que "admira", embora tivesse um "projeto diferente".

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