Maradona no cinema: Foi Kusturica quem deu verdadeira alma a El Pibe

Realizador sérvio mostrou vertentes desconhecidas da histórica carreira de Maradona

Nem todos os filmes vivem de um bom guião e efeitos especiais. O lado mais orgânico da criação cinematográfica também tem o futebol como ponto de partida para a elaboração cénica e é por isso que, por vezes, alguns realizadores preferem fugir do óbvio e apostar na diferença.

Foi o que fez o mestre sérvio Emir Kusturica em ‘Maradona by Kusturica’. Com acesso total ao craque, o realizador conta a história do mago argentino que hoje faleceu, aos 60 anos, tendo como ponto de partida os locais da infância e levando o espectador até à fama mundial de ‘El Diez’. Um documento histórico e que é, provavelmente, o melhor registo da vida de Maradona, especialmente devido à forma como o antigo jogador deixou o amigo Kusturica entrar no seu mundo.

Em 2019, também o realizador Asif Kapadia, responsável pelos documentários ‘Senna’ e ‘Amy’, sobre as vidas do piloto brasileiro Ayrton Senna e a cantora britânica Amy Winehouse, apostou forte num registo documental de qualidade sobre o argentino.

O documentário, com o título ‘Diego Maradona’, chegou aos cinemas a 14 de junho desse ano e recheado de muitas emoções fortes.

Diego Armando Maradona alinhou pelo Barcelona nas épocas 1982/83 e 1983/84 e foi precisamente esse período temporal que o documentário 'Fútbol Club Maradona', também lançado em 2019, se centra.

"Desde o primeiro dia que a sua casa estava cheia. Às vezes eram 30 ou 40, amigos, primos, a comer e beber... Por vezes às dez da noite estavam 10 ou 12 sentados no chão, a ver filmes, a rir até às 3 da manhã... E saíam muito, havia muito dinheiro", recordam os protagonistas do documentário, que revela que o Barcelona escondeu uma doença de Maradona.

"A hepatite na realidade escondia uma doença venérea, mas como isso era intolerável, não se podia contar na comunicação social e o clube tentou arranjar uma razão de explicar o tempo de paragem necessário", afirmou o jornalista Fabián Ortiz. 

O documentário recorda também o jogo com o Athletic, na final da Taça do Rei, em que Maradona quis entrar em campo para tirar satisfações, tendo sido impedido pela polícia e também como os rumores sobre a sua saída do clube catalão o irritou.

"Tivemos o melhor do Mundo e não soubemos aproveitar", refere o antigo futebolista Paco Clos.

Também a plataforma Netflix apostou forte em 'Maradona no México', no ano passado. Nesta série documental, a lenda do futebol mudou-se para Culiacán, lar do Cartel de Sinaloa, para salvar a equipa local - Dorados de Sinaloa.

A modesta equipa local de Culiacán está no fundo da tabela quando Maradona chega em busca de um novo começo. E nada mais foi igual naquele modesto emblema.

Por João Seixas
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