Marcou o golo mais rápido de sempre num Mundial e agora vende cafés nos EUA

Hakan Sukur escapou ao regime de Erdogan e é um refugiado político

Hakan Sukur é um dos melhores jogadores de sempre da Turquia. Quem não se lembra do golo que marcou frente à Coreia do Sul no Mundial de 2002, em apenas 11 segundos? Foi o golo mais rápido de sempre registado na competição.

Só que a vida dá muitas voltas e Sukur passou de herói a refugiado. A situação política da Turquia e as opiniões que proferiu nas redes sociais sobre o presidente Recep Erdogan obrigaram-no a fugir com a família, sob pena ser preso. Corria o risco de ser encarcerado por quatro anos...

Hoje vive na Califórnia, nos Estados Unidos, onde é dono de um café cuja especialidade são pequenos-almoços turcos. Tem uma vida tranquila, longe dos holofotes e das perseguições políticas. "Teria tido uma bela vida se tivesse feito o que eles queriam. Infelizmente eles (o governo) controlaram a comunicação social para manipular a opinião das pessoas sobre mim. Talvez um dia regresse, mas agora vendo café", contou o antigo futebolista, de 46 anos, ao New York Times.

Retirado dos relvados desde 2008, Hakan passou por clubes como Inter, Torino, Parma, Blackburn, Bursaspor e Galatasaray. Vestiu a camisola da Turquia 112 vezes e marcou 51 golos pelo seu país. 

A prodigiosa carreira fez com que ganhasse muita popularidade no país e em 2011 chegou a integrar o parlamento turco pelo AKP, o partido de Tayyip Erdogan. Permaneceu durante três anos, até que depois renunciou, por alegados escândalos de corrupção. A sua proximidade com o presidente rompeu-se e associou-se a um movimento de oposição a Erdogan.

Estima-se que 250 pessoas tenham morrido e que mais de 60 mil, entre jornalistas, académicos e opositores políticos, estejam presas no país. Erdogan controla o exército, os tribunais, a comunicação social e até a internet. Hakan Sukur, que no seu país é acusado de terrorismo, conseguiu fugir.

O antigo avançado não esconde o sonho de um dia voltar à Turquia. "O obscurantismo não dura para sempre. Acredito que um dia a luz vai regressar."

Enquanto isso não acontece, Sukur vai jogando futebol com os amigos, sem adeptos na bancada. Tem o sonho de se tornar treinador e ter uma academia, para formar novas gerações. O seu visto de residência nos Estados Unidos termina em 2020, mas acredita que o governo norte-americano vai conceder-lhe a residência permanente... 


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