Negócios em tempos de pandemia: A nova era dos contratos futebolísticos

Análise do diário espanhol Marca realça mudanças de fundo

Os contratos futebolísticos, tal como o desporto em si, têm sofrido alterações. Foi por isso que o diário espanhol Marca decidiu analisar o tema e as novas vertentes do negócio futebol.

"Antes os contratos tinham quatro páginas, agora 25. As reuniões são duras. Cada contrato é um filme diferente. O mundo do futebol é uma selva", revelou um diretor desportivo contactado pelo jornal do país vizinho.

Os contratos no futebol multiplicaram o seu total de páginas devido a um ponto: cláusulas. Há cláusulas de todos os tipos e formas e com a pandemia do novo coronavírus, tudo se complicou mais.

Contrato em tempo de pandemia

O que a pandemia trouxe de novo aos contratos futebolísticos foi a alteração do término de 30 de junho, para o último jogo oficial da temporada, independentemente da altura em que se realiza.

Cláusula para evitar picardias

Relativamente ao salário variável dos jogadores, sobretudo dos avançados, usualmente inclui-se uma cláusula para o número de golos marcados. Porém, alguns clubes separam os golos marcados de pénalti dos restantes para que "não se gere competitividade e mau ambiente no plantel. Para que os avançados mantenham uma relação amigável", assegurou a fonte. Os jogadores, muitas vezes, têm uma compensação pelo número de assistências que conseguem fazer.

O mesmo acontece nas outras posições. O desempenho de um guarda-redes, por exemplo, no resultado final pode trazer benefícios ao jogador e à equipa. Em situações, quantos menos golos o guarda-redes e/ou os defesas permitirem mais recebem.

Quanto vale um golo?

Tudo está calculado ao pormenor nas cláusulas. Cada golo pode ter um valor económico diferente para o jogador em questão. Caso um jogador marque um golo que garanta a vitória à sua equipa, receberá mais do que um golo numa derrota. Os jogadores, por outro lado, procuram eliminar essas cláusulas para serem recompensados da mesma forma, independentemente do resultado, e há clubes que aceitam porque precisam de fechar a contratação do jogador em causa.

Cláusula de rescisão de verão e inverno

A perda de um jogador não tem o mesmo impacto nos dois mercados. Se um jogador sair no mercado de inverno há menos tempo para substituí-lo. Os clubes, por isso, blindam as suas "estrelas" através das cláusulas de rescisão, que podem multiplicar do verão para o inverno.

Cláusula de rescisão Primeira e Segunda

O valor dos jogadores não é o mesmo se estiverem na primeira ou na segunda divisão. Existe uma cláusula que detalha que a quantia recebida não é igual.

Nas equipas que lutam pela permanência é usual incluírem nos contratos dos jogadores uma cláusula variável mediante a divisão em que se encontrem. Se estiverem na primeira recebem um salário maior, caso desçam, o salário é reduzido.

Blindagem dos agentes

Os agentes são os intermediários, os que salvaguardam os interesses dos jogadores e negoceiam com o clube as condições do contrato. No entanto, também têm direito à sua parte. A quantia que recebem varia de caso para caso, há jogadores que são fiéis ao seu agente e outros que trocam constantemente. Aliás, há situações em que, mesmo que um futebolista rescinda com o seu agente, este tem direito a uma comissão de uma venda futura, porque teve peso no desenrolar da carreira do atleta em questão.

As comissões funcionam em percentagens e os agentes, quando se trata de vendas de jogadores de "peso", por vezes estipulam que a intermediação pode chegar aos dois, três, quatro milhões ou mais. Nestas transferências ganham margem de manobra quando há muitos interessados por um jogador.

Objetivos "encobertos"

As recompensas por objetivos (competições europeias, títulos, entre outros) negoceiam-se de forma colectiva. Se houver disparidades, nestes objectivos, num contrato de um jogador em relação ao resto da equipa, pode causar problemas no seio dão grupo.

Desta forma, muitos clubes incluem outros objectivos nos contratos dos jogadores. Por exemplo, se o atleta cumprir 20 jogos, recebe 50 mil euros.

Noutras ocasiões, acontece uma renovação automática de um determinado jogador. Há cláusulas que prevêm que se um jogador completar 20 jogos (exemplo) com o clube, no último ano de contrato, a renovação é automática.

A reputação de ser convocado para a seleção

Numa situação em que o jogador está próximo de fechar o contrato com o seu novo clube recebe uma chamada à sua selecção nacional, por vezes, inclui-se uma cláusula para o futebolista receber um bónus. A convocatória de um jogador traz um "rendimento extra" ao clube e aumenta a reputação de ambos os lados.

Regressos garantidos ou não

Nos empréstimos de jogadores a outros clubes também têm cláusulas. Uma equipa pode, por exemplo, fazer com que um jogador cedido regresse caso jogue um número de minutos acordado entre as equipas, caso não aconteça, a equipa que emprestou pode fazer com que o jogador regresse mais cedo.

Impedimento de jogar contra o clube de origem

A cláusula que impede um jogador cedido de jogar contra o clube de origem. Caso o futebolista jogue, numa competição oficial, contra a equipa que o emprestou, pode ter de pagar uma multa, dependendo do que os lados acordaram.

Prémios individuais e competições internacionais

Algumas entidades e representantes incluem num contrato todo o tipo de cláusulas, muitas associadas ao rendimento desportivo do jogador. Os clubes vendedores, por vezes, exigem que ganhem ‘extras’ mediante o desempenho do atleta que pode assentar em golos, jogos realizados, títulos coletivos e individuais, entre outros.

Cláusula de ‘bom comportamento’

Em alguns contratos, uma equipa pode querer ter mais controlo sobre um futebolista. Há cláusulas que podem proibir os atletas de, por exemplo, estar fora de casa após uma determinada hora, de viver num determinado sítio, de praticar desportos "de risco", aumentar o peso e o nível de gordura corporal, não utilizar o carro oficial da equipa ou patrocinador ou de fazer declarações que prejudiquem o clube numa entrevista.

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