Novas mensagens no 'caso' Maradona: «Bebe dois copos de vinho, cinco cervejas e quebra»

Pessoas que cuidavam de El Pibe estão a ser acusadas de negligência

A morte de Maradona e a alegada negligência que terá acontecido por parte do pessoal médico, amigos e funcionários nos últimos dias de vida de El Pibe continuam a ser investigadas pelas autoridades argentinas, com uma série de mensagens e áudios a serem revelados pela comunicação social. Álcool, drogas, medicamentos e negligência é o que se percebe em muitas das mensagens.

Conversa, entre o médico Leopoldo Luque e o fisioterapeuta Nicolás Taffarel, no dia em que Maradona fez 60 anos.

Luque: "Diz-me se pelo pelo menos consegue falar, idiota... Consegue falar ou não?

Teffarel: "Sabes como saiu? Nem conseguia andar, um papelão."

Teffarel: "Sabes a cagada que fez o Matías [Morla, advogado], Leo? Foi acordá-lo às 9 da manhã, ele e o Víctor entraram no quarto e quiseram acordá-lo porque era o seu aniversário."

Luque: "Que estúpidos, como vão alterar o sono dele dessa forma?"

Taffarel: "Uma bronca. E a cara de desconcertado, perdido. Para cúmulo veio a Gianinna [filha de Maradona], vio-o mal, começou a chorar, um desastre. O Matías [o advogado] pô-lo mal-humorado às 9 da manhã, por que o acordou? É um idiota."

Luque: "E ele queria ir? Não têm de o levar assim, idiota."

Taffarel: "Sabes o que se passa? O Matías disse 'hei, estás aqui para o levar? O palerma não está bem..."

Luque: Eu cancelo, falo com ele e digo que não vá. Mas pronto, hoje é o aniversário dele, pode correr como ele quiser, deixa-o cantar se quiser."

Taffarel: "Vai ser um papelão. Se ele disser duas palavras com nexo, esquece! Vai ser uma glória.

Mensagem do advogado a Maradona:

Morla: "A Gianinna diz que estás preso e bêbado o dia todo, como se fosses um prisioneiro. Ela diz isto porque quer defender a mãe nos julgamentos. Por isso precisava, para colocar na tua página, de um vídeo teu, em que digas que não estás preso e que estás aí por vontade própria. Seria bom se pudesses fazer esse vídeo, assim matávamo-los a todos. Gosto de ti, Dez, mesmo que estejas preso gosto de ti. Dizem que te temos preso. O que essa Cláudia [primeira mulher de Maradona] faz... E a Dalma e a Gianinna [filhas] estão a portar-se mal. Eu estou a explicar aos patrocinadores que estás bem. O vídeo não tem pressa, faz quando estiveres bem, todo o país vai ver. Não digas que estás todo o dia bêbado. Estão a dizer que estás mal, quando na realidade estás bem."  

Consumo de álcool e drogas e má influência das pessoas que o rodeiam

Taffarel: "Nem te digo como ele 'mama'. Dois copos de Luigi Bosca [marca de vinho], dos que estão em casa. Com o primeiro fica mais ou menos, no segundo fica detonado, dois copos. E depois, bebe cinco cervejas, Coronas, e quebra."

Luque: "Com um apoio [pessoas que cuidavam de Maradona] tão mau nunca o poderemos tratar. E se o internarmos vai saber-se. Não há solução, eu não encontro solução."

Mariano, amigo de Maradona: "Quem tratava do álcool em casa era o Charly [assistente de Maradona]. Sem que ele pedisse, punham uma Corona na mesa. Obviamente se deixas uma cerveja na mesa, junto de alguém que é viciado, bebia-a em cinco segundos. E sem que ele pedisse, davam-lhe outra."

Charly: Hoje, depois de comer bebeu meio copo. Depois do jantar mais meio copo. Acabámos de ver um filme e ele foi para a cama, tomou os medicamentos, fumou um pouco e adormeceu. A verdade, um senhor inglês..."
 
Taffarel: "A verdade é que ninguém controla o Charly. Dá-lhe os medicamentos duas vezes. O Diego diz-lhe 'dá-me quatro partilhas cor de rosa' e ele dá-lhe. E são tão idiotas que em vez de dizerem 'não estou cá dentro, por que não cuido dele e ganho mais algum dinheiro?', não, mamam mais, dão-lhe partilhas..."

Luque: "Vou contar-te uma que vais rir. Ontem, quando falei com o Diego não sei quem estava pior dos dois. Por isso brigámos, foi uma briga de bêbados. Não contes a ninguém. Se alguém sabe, sai em todos os jornais."

Luque: "Sinto-me em baixo, idiota, porque me entusiasmei, senti que o estava a ajudar e ele deitou-me abaixo. Já me 'psicanalizei' e vou dizer-te a verdade: senti-me um imbecil, um idiota... Tinha vontade de deitar tudo a perder naquele momento, de lhe dizer: 'Quem comeste? A casca da tua mãe?' Seu pedaço de... Velho, não consegues parar. Estás mais só do que uma aranha, nem as tuas filhas te falam'. Queria dizer-lhe tudo isto."   

Luque: "Ontem agarrei-o e disse-lhe 'ouve-me, não podes misturar porcarias, podes morrer. Repara que não sou polícia, mas não sou idiota. Tu sabes de futebol e eu sei de medicina. Olho para ti e vejo como estás. Se misturas álcool e medicamentos, morres'." 

A recusa de Maradona em falar com os campeões do México'96

Carlos Díaz (Psicólogo): "Seria bom se pusessem o Diego em contacto com amigos neste momento. Algumas videochamadas, não sei o que pensam."

Maxi Pomargo (Cunhado de Matías Morla, o advogado): "Isto pode ser contraproducente para o Matías, amigo (...) Há muita gente magoada aqui que queria tirar-lhe dinheiro e que o isolaram."

Días: "Amigos do Diego? Algum dos de 86 podia afetar o Matias?"

Pomargo: "Sim, por exemplo o Negro Enrique, Islas. Se você lhe der liberdade, é uma faca de dois gumes.

"Sou advogado e não o papá"

Luque: "A questão do internamento é relativa. Porquê? Porque a primeira coisa a fazer é cortar-lhe o acesso [ao álcool e às drogas], idiota, não é interná-lo. Essa é a minha sugestão. Abro o frigorífico e aquilo parece um supermercado chinês, com a quantidade de álcool que tem, entendes? Isso não pode ser. Não tem de ter acesso ao produto, idiota. Não sei quem lhe faz chegar isso, mas há que cortar. Não pode ter acesso às pastilhas, não sei a quantidade de pastilhas que tem, idiota."

Morla: "Não tens de me dizer que tem de se cortar o álcool ou o produto, idiota. Eu não tenho nada a ver com o produto. Olha, vou comprar marijuana, idiota? E o álcool tem lá em casa, não sei quem compra, não me dedico a isso, sou advogado. Não faço compras de casa. E as pastilhas, também não sou médico. Não sei que dizer-te. Se não se pode administrar-lhe os medicamentos então se calhar é melhor interná-lo, mas não posso ficar a controlar quem vai comprar garrafas de cerveja e Coca-Cola. Sou advogado, idiota, não sou o papá dele, entendes? Não sei como lidar com uma situação como esta."

Por Record
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