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Osvaldo não queria ser Messi: «Vive numa prisão de ouro, não pode vir aqui beber um copo»

Antigo jogador do FC Porto deixou o futebol e agora dedica-se aos 'Barrio Viejo', uma banda de rock

Daniel Osvaldo, avançado argentino que passou pelo FC Porto, Roma, Inter, Juventus, entre outros clubes, trocou a bola e os relvados pela música e não se arrepende. Numa entrevista ao jornal Marca o antigo internacional italiano, de 32 anos, diz que "a música é como um golo atrás do outro".

"A cada acorde do meu guitarrista fecho os olhos e sinto. Não penso, é mágico. Cada segundo é único. E nunca volta a ser o mesmo, nem que seja o mesmo tema", refere o jogador, que não trocava esta vida por nada.

Gostava Osvaldo de ser Messi?: "Não. Mas gostaria de jogar como ele. Coitadinho, ele não tem vida, vive numa prisão de ouro. Não podia estar aqui connosco a beber um copo e isso para mim é importante. Os jogadores desse nível nem em sua casa estão. Compram o televisor maior do mundo, mas nem à sala vão. Para que querem um Ferrari se estão a 15 minutos do centro de treinos? Nunca me importei com dinheiro, mas também gastei em parvoíces. Agora também gasto, mas em parvoíces mais baratas..."

Osvaldo garante por outro lado que Messi muito provavelmente também não gostaria de ter a sua vida de músico. "Não acredito. A última vez que o vi ofereci-lhe um disco meu. Não é um amigo próximo, mas é uma daquelas pessoas agradáveis que te transmitem boa energia. Perguntou-me o que me deu para ir para a música. Acho que não me entendeu, deve ter pensado que sou louco. Eu no lugar dele não deixaria o futebol, ele é o melhor do mundo, o seu talento é natural."

O futebol permitiu-lhe, todavia, uma vida desafogada. "Se não fosse o futebol hoje não podia ter esta liberdade e por isso estou-lhe eternamente agradecido. O futebol é o desporto mais fantástico do planeta, se não fosse a máfia que o rodeia... Na Europa os jogadores preocupam-se é se estão bem penteados, com as cores das botas... E agora há o VAR. Quem inventou isto nunca jogou futebol na vida! Nem sequer deve gostar do desporto. Como podes provar se me atirei ou não? O futebol é isto! Se é justo? Podem marcar-te um golo em fora de jogo, mas tu também o podes fazer. Podes ganhar um Mundial com a mão aos ingleses. Com o VAR privas o futebol do fator humano e da picardia, que são o mais lindo. Quando pretendes ter um desporto perfeito, tira-lhe a emoção."

Osvaldo encerrou a carreira no Boca Juniors, mas o regresso à Argentina não foi fácil. "Chegou o Guillermo Barros Schelotto para treinar a equipa. Um dia viu-me a fumar no balneário. Na seleção italiana fumava, até o selecionador me pedia lume... Se te chateia tens de mo dizer na cara; se queria despachar um jogador com o meu percurso, só tinha de me convidar para um café e dizer-me 'temos de encontrar uma forma de saíres'. Não tornas público o facto de eu ter fumado um cigarro! Não teve respeito, foi um cagão! Éramos 12 fumadores no plantel, não os via? Aos outros dizia-lhes que não era permitido e nada mais. Foi comigo que implicou. A minha vontade era arrancar-lhe a cabeça: tirou-me de um jogo um minuto e meio depois de começar, como se eu tivesse 14 anos." 


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