Paulo Duarte: «A FIFA roubou o Mundial ao Burquina Faso»

Treinador português incrédulo com repetição do jogo do rival direto

A propósito da transferência de Aubameyang para o Arsenal, Record aproveitou para abordar a etapa atual de Paulo Duarte como selecionador do Burquina Faso. No horizonte do treinador português está a CAN’2019 e, também, muito trabalho por fazer. "Há satisfação total de ambas as partes e, por isso, renovei por mais 19 meses, que coincide com a próxima Taça das Nações Africanas. Queremos chegar, no mínimo, às meias-finais. Estamos na fase de analisar jogadores, tanto em vídeo como ao vivo, dentro da realidade do Burquina Faso. Temos uma equipa com muita qualidade no sector ofensivo e intermédio, mas algumas lacunas defensivas, onde nem temos 2 jogadores por posição", contextualizou Paulo Duarte.

E apesar de o foco estar no futuro, o treinador não esquece o passado e um momento que lhe continua atravessado na garganta. "Além da satisfação, há também uma frustração total porque devíamos estar no Mundial’2018. A FIFA tirou-nos, ou melhor, roubou-nos essa qualificação, que até estava bem encaminhada. Seria uma conquista inédita para o país e para a minha carreira", defendeu Paulo Duarte.

Esta é a história completa: o Burquina Faso lutava com Senegal pela qualificação para o Campeonato do Mundo até que houve um jogo que mudou tudo, conforme conta o técnico português a Record. "A África do Sul ganhou ao Senegal por 2-1, mas depois a FIFA decidiu repetir o jogo porque houve um penálti mal assinalado contra o Senegal. Por exemplo, se eu soubesse que iria ser tomada esta decisão teria ido jogar ao Senegal a pensar na vitória e não a gerir a liderança do grupo, já que na altura tínhamos mais um ponto do que eles. Certo é que a FIFA ordenou a repetição do jogo, que se realizou um ano depois e que o Senegal acabou por vencer. O que eu sei é que se se repetissem todos os jogos com penáltis duvidosos os campeonatos nunca mais chegavam ao fim. Houve muita contestação mas a verdade é que quiseram colocar Senegal no Mundial. Aliás, sentimos durante o apuramento que todos queriam que Senegal estivesse no Mundial. Foi uma regra única, algo que nunca se tinha visto e que, acredito, nunca mais irá acontecer", contou Paulo Duarte. Na altura, a FIFA justificou a decisão de ordenar a repetição do jogo com o envolvimento do árbitro Joseph Lamptey num esquema de resultados combinados.

O sonho africano

Em 2012, Paulo Duarte assumiu numa entrevista a Record que pretendia ficar mais 10 anos em África. Sensivelmente cinco anos depois dessa afirmação, o nosso jornal quis saber se o objetivo se mantém. "Cheguei à meia-final da CAN’20017, perdi nos penáltis contra o Gana, e ia conseguindo a qualificação para o Mundial’2018. Ou seja, em 5 anos estive perto de alcançar o projeto que desenhei para 10 anos. Claro que não quero fazer toda a minha carreira em África e gostava de voltar à Europa. Olhe, posso dizer-lhe que tive dois convites de Portugal, da 1.ª Liga, e não voltei porque não queria abandonar o projeto de qualificação do Burquina Faso para o Mundial. Além disso, é difícil equilibrar a nível financeiro. Tenho todo o conforto no Burquina Faso, exerço a minha profissão e ao mesmo tempo acompanho o crescimento dos meus filhos, já que ser selecionador permite-me estar alguns períodos em Portugal e outros no país onde trabalho", explicou Paulo Duarte.

Por David Novo
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