Pedro Proença e o plano de Infantino: «Uma alteração profunda e inaceitável da natureza do futebol»
FPF está com a UEFA na oposição à comercialização dos Mundiais
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A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) esteve alinhada com os restantes membros da UEFA na oposição à proposta do presidente da FIFA para a venda de participações dos Mundiais a privados, segundo uma carta a que a Lusa teve hoje acesso.
Na missiva enviada esta quinta-feira aos sócios da FPF e aos clubes dos três principais escalões, I Liga, II Liga e Liga 3, cujos campeonatos arrancam no fim de semana, o presidente da FPF, Pedro Proença, partilha a posição nacional sobre a polémica proposta do ítalo-suíço Gianni Infantino de comercialização dos Mundiais, entretanto excluída.
"No atual contexto internacional e perante a situação que se vive na FIFA, a FPF acompanhou, com sentido de responsabilidade institucional, a posição assumida pelas 55 Federações da UEFA, rejeitando a proposta de transferência de participações de propriedade no Campeonato do Mundo e noutras competições da FIFA para investidores privados", escreveu Pedro Proença.
No passado dia 28 de julho, o presidente da FIFA defendeu a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), integralmente detida pelo organismo para reunir os direitos comerciais, vendendo participações minoritárias a investidores privados, que não vão ter papel operacional na subsidiária, avaliada inicialmente em 20 mil milhões de dólares.
A proposta foi recebida com oposição geral e, no passado sábado, 1 de agosto, Infatino recuou e admitiu que o projeto não serviria "o objetivo inicial".
"O modelo proposto pela FIFA, ao colocar nas mãos de interesses privados decisões determinantes sobre o calendário internacional, os formatos competitivos e o desenvolvimento futuro do desporto, configuraria uma alteração profunda e inaceitável da natureza do futebol. Tal modelo não pode ser acolhido por quem tem o dever de proteger o jogo e de preservar o seu legado para as gerações futuras. Nunca abdicaremos destes valores, que são para nós inalienáveis, é a garantia que lhe deixo", vincou o presidente da FPF, na referida carta.
Antes, o antigo árbitro já tinha admitido que "desenvolvimento comercial do futebol legítimo e necessário", mas que "nunca poderá comprometer princípios essenciais de boa governação, mérito desportivo, mecanismos de solidariedade, estabilidade das competições ou a salvaguarda do futuro do jogo".
"Estes princípios estruturantes, que a FPF subscreve integralmente, continuarão a orientar de forma firme e coerente a nossa atuação", sublinhou.
A carta do líder federativo visa assinalar o arranque da época futebolística 2026/27, desejando as "maiores felicidades" aos seus destinatários, casos dos clubes e sócios ordinários da FPF.
"A Supertaça Cândido de Oliveira marcou, mais uma vez, o início de uma nova época. Uma temporada que todos desejamos que seja de exaltação do elevado talento que faz do futebol uma das maiores marcas de Portugal no mundo", lê-se ainda no referido texto.
Num apelo à "dedicação e competência de todos os agentes do futebol português", Proença assume a vontade de "trabalhar em conjunto, continuando dessa forma a contribuir para o seu sucesso e desenvolvimento constante".
Portugal é, juntamente com Espanha e Marrocos, um dos anfitriões da 24.ª edição do Mundial2030, que, antes de se fixar na Europa e em África, vai celebrar o centenário da prova com três jogos na América do Sul, entre Argentina, Paraguai e Uruguai, anfitrião e vencedor da edição inaugural, em 1930.
O Campeonato do Mundo vai decorrer pela primeira vez em seis países e três continentes e promoverá a terceira organização conjunta, após Coreia do Sul e Japão, em 2002, e Estados Unidos, México e Canadá, em 2026.