Quando o "soccer" era uma miragem...
Confira os 22 elementos da equipa dos EUA...
Os Estados Unidos não são muito dados ao futebol. O "soccer", como lhe chamam, é uma modalidade que tem ganho mediatismo nos últimos anos mas que, ainda assim, não pode ser comparada com outros espetáculos, como o beisebol, o futebol americano, o hóquei no gelo ou o basquetebol.
Contudo, os primeiros passos para uma renovação de mentalidades e para uma demonstração cabal de que o país poderia ser um dia berço de grandes talentos aconteceu em 1994. Os Estados Unidos acolheram o Campeonato do Mundo de Futebol e alguns ilustres desconhecidos passaram a ser figuras de relevo por Terras de Tio Sam.
Os seguidores do futebol internacional não esquecem certamente nomes como Alexis Lalas ou Cobi Jonoes, jogadores que pela forma como se apresentaram ao Mundo nessa competição, ganharam um lugar de destaque na galáxia futebol.
Sim, porque este grupo de craques, que chegou ao Mundial com um "visto gold", uma vez que era a seleção do país organizador, passou a fase de grupos e até teve a honra de disputar, contra a Suíça, o primeiro jogo de um Campeonato do Mundo num estádio coberto, o lendário Pontiac Silverdome.
Depois, caiu nos oitavos de final frente ao Brasil, por 1-0. Uma derrota com a equipa que acabaria por triunfar na grande final , na decisão por grandes penalidade frente a Itália, quando Roberto Baggio, "Il Codino Divino", se tornou imortal pelas piores razões.
Feitas as contas, este foi um grupo de jogadores que, à sua maneira, ficaram para a história. Hoje mostramos-lhe onde andam, numa espécie de Perdidos e Achados com sotaque yankee.
Os craques de 1994:
Tony Meola - Depois do Mundial'94, o então guarda-redes da seleção norte-americana passou 10 anos a jogar na MLS, com passagens por MetroStars, Kansas City Wizards e New York Red Bulls. Conseguiu mais de 100 internacionalizações e em 2012 foi distinguido no Corredor da Fama do Futebol dos Estados Unidos. Atualmente é diretor-executivo da Gk1 Sports, uma empresa que fabrica aparelhos desportivos.
Mike Lapper - Pela seleção dos EUA conseguiu 44 presenças e apenas um golo. Para um defesa já não é nada mau. Entre 1994 e 1997 jogou na Europa, antes de regressar a "casa", mais precisamento aos Columbus Crew da MLS. Retirou-se em 2002 e dedicou-se à carreira de treinador. Atualmente é adjunto na equipa de futebol da Universidade de West Virginia.
Mike Burns - Depois do Mundial, Burns jogou nos New England Revolution, San Jose Earthquakes e ainda Kansas City Wizards. Retirou-se do futebol em 2002 e agora é o Diretor Geral dos England Revolution.
Christopher "Cle" Kooiman - Antes de mais, é bem claro que Kooiman conseguiu algo difícil - engordar ainda mais. Depois do Mundial foi capitão dos mexicanos do Cruz Azul, mas as lesões nunca o deixaram completar uma temporada. Em 1998 decidiu terminar carreira e assumiu cargos na direção do Arsenal FC de Temecula, na Califórnia. Atualmente lidera o Gabinete Técnico do modesto Platinum FC de San Bernardino, também na Califórnia.
Thomas Dooley - Jogou o Campeonato do Mundo de 1994 e no de 1998 até foi capitão da equipa norte-americana. No total, somou 81 internacionalizações, coroadas com 7 golos. Retirou-se em 2000 e continuou ligado à modalidade, assumindo o cargo de treinador do FC Saarbrucken da Alemanha de 2002 a 2003. Atualmente é o selecionador nacional das... Filipinas.
John Harkes - Este não enganava e tinha jeito para a coisa. Aliás, foi o primeiro norte-americano a marcar um golo no mítico estádio de Wembley. Foi internacional mais de 90 vezes (6 golos). A carreira terminou e apesar de continuar ligado ao futebol, não se tornou treinador. É comentador no Comcast SportsNet.
Hugo Perez - Entre 1984 e 1994 realizou 73 encontros pelos EUA, com 16 golos na conta pessoal. Homem de convicções fortes e um apego enorme à religião, mostrou "cartão vermelho" à modalidade e é um homem feliz a liderar os destinos da Living Hope Christian School, uma unidade educativa ligada à Igreja.
Earnie Stewart - 101 é o número de jogos que realizou pela principal formação norte-americana. Retirou-se depois do Mundial de 1994 e mais tarde tornou-se dirigente do AZ Alkmaar. Em 2012, utilizou a sua influência junto do mercado nrote-americano para contratar o compatriota Jozy Altidore em 2012. E a formação holandesa aproveitou a presença do craque, que até chegou aos quartos de final da Taça UEFA.
Tab Ramos - Era uma das figuras da formação, pela raça e empenho que emprestava à equipa. Atualmente estão a tomar conta da seleção norte-americana de Sub-20, para além de ser adjunto de Jurgen Klinsmann na formação principal.
Roy Wegerle - Depois dos tempos áureos da seleção, tentou a sorte em Inglaterra e até consegui cumprir 15 encontros pelo Chelsea. Depois, fartou-se do futebole e tentou tornar-se golfista profissional. Sem grande sucesso...
Eric Wybalda - Atenção que este está no top. Jogou 107 encontros, marcou 34 golos e até 2008 foi o melhor marcador da equipa dos EUA. Depois apareceu um tal de Landon Donovan e o recorde foi por água abaixo. Agora empresta toda a sua sabedoria sobre o futebol ao programa Fox Soccer Daily, da popular Fox Sports.
Juergen Sommer - Conseguiu apenas 10 internacionalizações mas esteve no Mundial de Futebol e o comum dos mortais não. Dito isto, importa realçar que passou por Inglaterra sem grande sucesso, regressando aos Columbus Crew e 1998. Atualmente é treinador do Indy Eleven, equipa da NASL que ninguém conhece...
Cobi Jones - Este é estrela a sério. 164 jogos e 15 golos pela formação norte-americana. Neste Mundial foi um dos destaques pela qualidade técnica, mas especialmente pela imagem arrojada, onde as rastas no cabelo fizeram muito furor. É detentor do recorde de internacionalizações pela equipa dos EUA. Depois de se retirar em 2007, foi adjunto nos Los Angeles Galaxy durante duas temporadas. Agora está ligado à televisão do clube.
Fotios "Frank" Klopas - Este teve mais sucesso como treinador. Depois de colocar ponto final na carreira, em 2001, passou a liderar os destinos dos Chicago Fire em 2011. Atualmente faz parte do Comité Técnico dos Montreal Impact.
Joe-Max Moore - 100 jogos pela seleção e 24 golos depois, Joe-Max foi jogador do Everton e até conseguiu algum reconhecimento por Terras de Sua Majestade. Atualmente não está ligado ào futebol.
Mike Sorber - Depois do Mundial de 1994, ainda esteve 5 temporadas na MLS mas retirou-se devido a uma lesão grave. De lá para cá passou pelo comando técnico de Saint Louis University, Montreal Impact e Philadelphia Union.
Marcelo Balboa - Foi o primeiro norte-americano a conseguir 100 internacionalizações pela jovem seleção. Esteve no Mundial de 1990 e 1994. Tem um total de 128 jogos e 13 golos. Depois de terminar carrreira foi comentador desportivo e agora trabalha com os jovens jogadores da Monarch High School de Louisville, no Colorado.
Brad Friedel - Este todos conhecem. É o único jogador desta seleção de 1994 que ainda está em atividade, aos 44 anos. Joga em Inglaterra desde 1997, com passagens por Liverpool, Blackburn, Aston Villa e Tottenham. Tem 82 internacionalizações.
Claudio Reyna - Esteve presente nos quatro Mundiais que decorreram entre 1994 e 2006). São 111 jogos, coroados com 8 golos. Entre 2003 e 2007 passou pelo Manchester City, quando a formação mancuniana ainda era "a outra" da cidade. Atualmente dedica-se à solidariedade, liderando a Fundação Claudio Reyna, que ajuda jovens em risco.
Paul Caligiuri - Tem a honra de ter sido o primeiro jogador da seleção dos Estados Unidos a marcar um golo, em no Mundial de 1990. Agora é treinador de futebol femininos nos escalões inferiores.
Fernando Clavijo - Esteve com os EUA no Mundial de 1994, mas em 1998 já estava ao serviço da Nigéria, como membro da equipa técnica africana. Depois ainda liderou os destinos da seleção do Haiti e os Colorado Rapids. Atualmente é Diretor Técnico do FC Dallas.
Alexi Lalas - O melhor para o fim. Lalas, o mais mediáticos de todos os jogadores desta formação, esteve presente em 96 jogos da equipa e marcou 8 golos. Foi o primeiro norte-americano a jogar na Serie A italiana, ao serviço do Padova. Retirou-se em 2004 e assumiu um cargo na direção dos LA Galaxy, enquanto continuava a ser vocalista da banda Gypsies. Atualmente é comentador da ESPN.